Bancos lideram perdas, mas Gafisa e Brookfield avançam; veja destaques

Ações de Vale e MMX voltaram a subir, seguindo o avanço nos preços do minério na China; Sabesp recua com adiamento da renovação tarifária

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SÃO PAULO – Depois de iniciar o dia no positivo, o Ibovespa virou para o vermelho ainda na primeira hora de pregão, mantendo-se no negativo durante o restante do dia. Ao final, ele fechou em queda de 0,64%, aos 58.939 pontos nessa terça-feira (9). Os papéis de bancos e de imobiliárias figuraram entre as maiores quedas, com exceção de Brookfield (BISA3) e Gafisa (GFSA3), que tiveram forte alta. Os papéis de mineradoras também fecharam o dia no azul.

Quem também figurou na ponta compradora foi a Transmissão Paulista (TRPL4). As ações da empresa fecharam com valorização de 3,82%, a R$ 33,70, depois de registrarem ganhos de 6,25% na sua máxima do intraday. O rali veio após a Aneel (Agência Nacional Energia Elétrica) apresentar proposta para os contratos de venda de energia por meio de cotas a serem assinados pelas geradoras que renovarem as concessões de usinas vincendas entre 2015 e 2017 – e destacar que todas as empresas estão interessadas. “Como as empresas ainda podem desistir, acho que isso não justifica esse movimento”, destaca Rafael Dias, analista do BBInvestimentos. 

Vale estende ganhos
A valorização nos preços do minério de ferro fazem as ações da MMX Mineração (MMXM3) e da Vale (VALE3; VALE5) darem continuidade ao movimento de forte alta observada na segunda-feira. Os papéis da mineradora de Eike Batista tiveram ganhos de 3,90%, terminando aos R$ 4,79, enquanto os ordinários da Vale subiram 0,67% para R$ 37,35, e os preferenciais tiveram alta de 0,75% e fecharam os R$ 36,28. 

Esse movimento ocorre após a China voltar de um feriado de uma semana na segunda-feira. Nestes dois dias, o preço do minério de ferro já saltou 12,5%, o que também impulsiona as ações das empresas do setor no exterior. As ações da Rio Tinto, por exemplo, avançaram mais de 2% em Londres, enquanto o índice FTSE 100, da bolsa londrina, registra perdas para o dia.

Ainda no país oriental, o banco central chinês revelou nesta manhã ter injetado 265 bilhões de yuans (cerca de US$ 42,1 bilhões) em operações de empréstimo de curto prazo. Essa foi a segunda maior operação deste tipo já feita pelo governo chinês, de modo a aliviar a demanda por liquidez. A maior foi em setembro deste ano, quando a autoridade monetária do país colocou quase US$ 58 bilhões no mercado. Na véspera, o papel da mineradora de Eike Batista já havia encerrado o dia com ganhos de 6,7%, enquanto os da maior mineradora brasileira fecharam com ganhos ao redor de 3%.

Bancos lideram perdas
As ações dos bancos recuaram em resposta aos recentes anúncios do Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3), sobre a ampliação do corte de juros de cartões de crédito e redução nas taxas de serviços, respectivamente. A maior queda do setor ficou com os ativos do Bradesco (BBDC4), que tiveram desvalorização de 3,07%, aos R$ 31,26. 

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Entre as maiores perdas do setor estão as ações da Itaúsa (ITSA4), holding que detém forte participação no Itaú Unibanco, que caíram 2,63% aos R$ 8,89. Itaú Unibanco, com queda de 2,46% sendo cotados a R$ 30,10, e Santander (SANB11), com baixa de 2,38% aos R$ 14,74. O único que registra um movimento divergente é o Banco do Brasil, que registrou queda de 0,13%, aos R$ 22,77.

O desempenho dos papéis correspondem ao momento delicado vivido pelo setor, que vêm registrando grandes alterações em virtude das pressões do governo para diminuir o custo financeiro do País. Na véspera, o Itaú Unibanco anunciou que vai estender seu cartão de crédito com juros menores à todos seus clientes a partir de novembro. No mesmo dia, os bancos públicos, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, divulgaram redução de tarifas bancárias. 

Desde abril, os bancos vêm atendendo ao chamado do Planalto e deflagam uma onda de cortes nas taxas cobradas em diferentes linhas de crédito. A expectativa do mercado agora fica com a recente mudança realizada pelos bancos públicos, e que deve ser acompanhada nos próximos dias por outras instituições. “O governo utiliza o BB como precursor para essa redução e até a próxima semana devemos ver outras instituições realizando movimentação similar”, disse, na véspera, a equipe de análise da Coinvalores.

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Pedido de falência assusta Lojas Americanas…
A BM&F Bovespa pediu esclarecimentos à Lojas Americanas (LAME4) sobre um requerimento de falência veiculado no Valor Econômico. O pedido de falência foi requerido pela Athenabanco Fomento Mercantil e enviado à 4ª Vara Empresarial da cidade do Rio de Janeiro. Nessa sessão, o papel caiu 2,27%, aos R$ 17,20. 

A Lojas Americanas informou a respeito da notícia que o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) ainda não disponibilizou acesso ao processo. Ainda de acordo com a companhia, todos os valores negociados por fornecedores da companhia com a factoring Athenabanco, que a empresa tem conhecimento, estão pagos. “Além disso, não são significativos e não comprometem a saúde financeira da empresa”, completou a empresa em nota.  

… enquanto Lojas Renner nunca fechou tão alto
Os papéis da Lojas Renner (LREN3) continuaram o rali positivo e terminaram o dia aos R$ 74,60 – alta de 0,32%. Esse foi o maior fechamento da história da ação da empresa, que chegou a subir 2,66% no intraday, atingindo R$ 76,34 – sua máxima histórica.

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Em relatório, o Bank of America Merrill Lynch recomendou a compra das ações das Lojas Renner, mesmo com os papéis da companhia varejista estando em suas máximas históricas e aumentou o preço-alvo deles de R$ 76,00 para R$ 85,00 – garantindo um potencial de alta de 14,31%.

Os analistas do BofA acreditam que a crescente alta nas ações ainda tem força para continuar e ofuscar as pressões sobre o spread de cartões de crédito no Brasil. Em setembro, a companhia anunciou corte em sua taxa máxima de juros, que não chega a 10%, seguindo exemplo de outras empresas que reduziram o juros em seus cartões de crédito.

O relatório aponta ainda o o crescimento das vendas em mesmas lojas da Renner, de 8%, à uma precoce e bem executada coleção de primavera, além de bom merchandising e outros serviços aos clientes, como cartão de crédito e seguros, o que compensa a diminuição de lucro com a menor taxa.

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Dasa estende ganhos, enquanto Amil “para”
As ações da Dasa (DASA3) estenderam os ganhos registrados na sessão anterior, descolando-se dos da Amil (AMIL3). Os papéis registravam ganhos de 2,86%, valendo R$ 14,40, após chegarem a subir 6,14% na sua máxima do dia, enquanto os ativos da Amil recuaram 0,21%, para R$ 29,10, após terem saltado 15,3% no pregão antecedente, repercutindo o anúncio de que a empresa será vendida para a UnitedHealth Group. 

Segundo o analista Cauê Pinheiro, da SLW Corretora, o informe sobre a operação da Amil jogou luz sobre as empresas de saúde, contribuindo para a valorização de outros players do setor na bolsa. Brasil Pharma (BPHA3) subiu 0,98%, para R$ 12,41, enquanto Odontoprev (ODPV3) galgou 2,01%, a R$ 10,66. Já a Fleury (FLRY3) registrava alta de 3,11%, para R$ 25,49, enquanto Sulamérica (SULA11) subia 1,23%, para R$ 15,70.

O analista salienta que os papéis da Dasa eram os mais atrasados o setor, mas já estão próximos do seu preço-alvo, de R$ 14,97, com espaço de apenas 2,96% em relação à sua cotação mais recente – no acumulado do ano, os ativos DASA3 ainda apresentam perdas de 6,23%, bem atrás de Amil, BR Pharma, Odontoprev, Fleury e Sulamérica.

Já sobre a Amil, Pinheiro acredita que o papel deverá registrar uma oscilação “morna” até a realização da OPA (Oferta Pública de Aquisição) por parte da UHG, estimada ainda para este próximo ano, já que o preço fixado para o oferta (R$ 30,75) já está bem próximo dos patamares atuais da ação.

Sabesp cai após adiamento de revisão tarifária
A tão aguardada proposta preliminar para a revisão da metodologia das tarifas cobradas de água e esgoto, que seria apresentada nesta terça foi adiada por 30 dias, informou a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo). Como efeito disso, as ações da Sabesp (SBSP3) voltam a recuar, depois de uma longa sequência de ganhos.

Os papéis SBSP3 registraram queda de 0,83%, aos R$ 88,22, estendendo as perdas na véspera, quando recuaram 1,90%. Vale mencionar que nos últimos 10 pregões antes de segunda-feira (8), essas ações fecharam em alta em 9 deles, somando nesse breve rali uma valorização de 18,4%. No acumulado em 2012, a valorização se mantém acima de 75%, sendo a segunda melhor ação do Ibovespa no ano, atrás apenas da Hypermarcas (HYPE3).

Segundo publicação do Diário Oficial do Estado desta terça-feira, dentre os motivos para a diretoria da Arsesp adiarem a apresentação foram, estão um atraso da Sabesp na divulgação de informações sobre o plano de negócios e da base de remuneração de ativos, a dificuldade da própria Arsesp em contratar empresa de auditoria que emitirá laudo de verificação da base de remuneração dos ativos da concessionária e a necessidade de alterar o cronograma estabelecido para o processo de revisão tarifária.

O calendário estabelecido até aqui previa a divulgação de um documento nesta terça-feira contendo uma proposta preliminar de valor do reajuste para as tarifas e o tamanho da base de ativos considerada para o cálculo. A dificuldade da Arsesp tem sido em justamente definir uma metodologia a ser aplicada para o cálculo, principalmente pela falta de “experiência” nesse assunto -trata-se da primeira revisão tarifária a ser concluída com uma empresa de saneamento no Brasil.

O encerramento do processo – que já chegou a ser previsto para agosto – tinha como data limite até então 30 de novembro. Apesar desses adiamentos, a  agência reguladora não se manifestou a respeito de um novo prazo.

Gafisa sobe após dados prévios
Apesar de sinalizações mistas, a avaliação do mercado para os dados operacionais da Gafisa (GFSA3) foi positiva. Com isso, a ação se valorizou em 2,56%, aos R$ 4,00.  O destaque negativo ficou por conta dos lançamentos da construtora: R$ 451,9 milhões referentes à parte da companhia, enquanto analistas do Itaú BBA estimavam um valor em R$ 900 milhões. A companhia justificou esse número fraco por conta da mudança estratégica, da redução na atuação geográfica e pela interrupção dos lançamentos da Tenda.

Entretanto, a equipe do Bank of America Merrill Lynch lembra, em relatório, que a Gafisa já sinalizou que entregará os lançamentos atrasados da Tenda no último trimestre deste ano. Dessa forma, a companhia lançou R$ 1,5 bilhão nos nove primeiros meses do ano, o que representa 49% da faixa média do guidance para 2012.

“Apesar da companhia reiterar que essa faixa inicialmente incluia os lançamentos da Tenda no terceiro trimestre, a diretoria permanece otimista em chegar à meta de lançamentos no quarto trimestre”, destaca o relatório do Itaú BBA, assinado por David Lawant.

Carlos Peyrelongue e Fanny Oreng, analistas do Bank of America Merrill Lynch, destacam em relatório as pré-vendas de R$ 689 milhões como fracas, uma vez que estimavam R$ 835 milhões, mas elogiam a velocidade de vendas e a geração de caixa da companhia, que tem se beneficiado pelas vendas do estoque da Tenda e novas entregas, que já atingem 74% da faixa média do guidance para o ano.Dessa forma, o fluxo de caixa operacional consolidado já alcança R$ 560 milhões, isso é, 93% do centro da meta para 2012.

Nesse sentido, ambas instituições possuem recomendações positivas para a ação da Gafisa. “Apesar de reconheceremos que a companhia provavelmente manterá os pobres níveis de ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) e relativamente altos níveis de alavancagem no curto prazo, nós mantemos nossa posição positiva sobre a ação baseada em nossa expectativa de forte geração de fluxo de caixa livre nos próximos 12 a 24 meses”, explica a equipe do Itaú BBA.

Outras imobiliárias fecharam em queda
O dia foi ruim para a maioria das grandes imobiliárias da bolsa. Os papéis da PDG Realty (PDGR3) tiveram queda de 2,82%, terminando aos R$ 3,45, enquanto a Cyrela (CYRE3) viu sua ação caiu 2,24%, aos R$ 17,93. Os papéis da MRV Engenharia (MRVE3) por sua vez tiveram desvalorização de 1,54%, para R$ 12,12. Por fim, a ação de Rossi Residencial (RSID3) caiu 0,41%, terminando aos R$ 4,83.