Baixa renda será mais prejudicada pela inflação neste ano

Alimentação e transportes, que respondem por até metade do orçamento desta população, têm registrado aumento de preços

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SÃO PAULO – A baixa renda deve ser a mais prejudicada pela inflação neste ano, já que os itens que pressionaram os preços neste início de 2010 respondem por metade do orçamento desta população, por serem básicos para o dia-a-dia.

O primeiro deles é a Alimentação, principalmente os produtos in natura, cujos preços subiram devido às chuvas. “Mas esse movimento é transitório, porque quando entrar em um mês de maior estabilidade climática, os preços tendem a cair”, explicou o economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), André Braz.

O economista disse acreditar que os preços dos alimentos, itens que respondem por 40% do orçamento das famílias da baixa renda, já devem começar a se acomodar neste mês de fevereiro. Porém, essa expectativa não é dividida pelo coordenador do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), Paulo Picchetti, que acredita que a “Alimentação é o grupo que vai individualmente exercer a maior pressão na inflação neste ano”.

Transporte
Outro item que vai pressionar a inflação é o transporte público. No último mês, as passagens de ônibus tiveram reajuste de 17,4% em São Paulo, que fez com que a tarifa passasse de R$ 2,30 a R$ 2,70. Há três anos o valor não era mudado.

No Rio de Janeiro, o aumento foi de 7% nas passagens das linhas intermunicipais, o que fez com que as passagens passassem de R$ 2,20 para R$ 2,35.

“Passagens de ônibus pesam muito para as famílias de baixa renda. Ela aconteceu em janeiro, mas influencia a inflação de todo o ano, porque é permanente. Essa contribuição para a inflação de 2010 já foi dada e isso deve acontecer em outras cidades”, afirmou Braz, que ainda disse que essas tarifas têm peso de 10% no orçamento da baixa renda.

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“Graças a esse movimento, existe um espaço menor para manobrar a meta da inflação”, ressaltou o economista, para quem os preços neste ano devem subir em um ritmo acima do que em 2009.

Lado bom das chuvas
Apesar de as chuvas prejudicarem a inflação por encarecem os alimentos, elas têm aumentado o volume dos reservatórios das hidrelétricas, o que pode trazer reajustes de energia elétrica menores neste ano, frente ao que aconteceu em 2009, já que não será preciso ativar outras fontes de energia mais caras.

“A energia elétrica não deve subir tanto, como em 11%, como aconteceu no ano passado em São Paulo”, ressaltou Braz.