Azzas tem novo salto na B3 com “alternativas para Farm”: operação destravará valor?

Embora nenhum potencial comprador tenha sido mencionado ainda, analistas veem a FarmRio como um ativo valioso

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Farm Internacional: de um estande em uma feira de moda a uma marca internacional com faturamento bilionário (Foto: Farm/Divulgação)
Farm Internacional: de um estande em uma feira de moda a uma marca internacional com faturamento bilionário (Foto: Farm/Divulgação)

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Na última sexta-feira (19), a Azzas 2154 confirmou que contratou assessores financeiros para avaliar alternativas estratégicas para a marca “Farm Rio”, com o objetivo de destravar valor para a companhia, em resposta a uma matéria do NeoFeed, que fez as ações saltarem 8,33%. As ações têm nova alta na Bolsa nesta segunda-feira (22) após ser confirmada a contratação do Morgan Stanley para tratar do tema: às 10h22 (horário de Brasília), AZZA3 subia 8,77%, a R$ 19,10.

De acordo com a reportagem, a marca poderia ser avaliada em cerca de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões); como referência, o valor de mercado atual da Azzas é de aproximadamente R$ 3,6 bilhões.

O Bradesco BBI, embora os demonstrativos financeiros detalhados da Farm não sejam divulgados publicamente, realizou uma análise preliminar com base em: (i) receita líquida divulgada para 2025 de R$ 3,4 bilhões (R$ 2,1 bilhões no Brasil e R$ 1,3 bilhão das operações internacionais); (ii) margem EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) entre 15% e 20%; e (iii) múltiplos EV (valor da firma)/EBITDA de pares internacionais nos últimos12 meses.

Com base nisso, os analistas do BBI consideram a avaliação implícita de R$ 5,2 bilhões como, de modo geral, razoável.

Para Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, analistas da XP que cobrem varejo, embora nenhum potencial comprador tenha sido mencionado ainda, veem a FarmRio como um ativo valioso que combina (i) potencial de crescimento, com fortes oportunidades de expansão internacional; (ii) brand equity; e (iii) rentabilidade sólida, alavancada por sua identidade única.

Portanto, acreditam que pode haver interesse de: (i) players estratégicos buscando uma marca de alto crescimento para complementar um portfólio existente de marcas globais de vestuário/lifestyle com apetite por M&A (exemplo: ABG, WHP, Bluestar Alliance, LVMH, Kering, Inditex); ou (ii) patrocinadores financeiros com histórico em consumo/varejo, particularmente em moda premium (ex.: L Catterton, Carlyle, General Atlantic, Advent).

A análise de sensibilidade feita pelos analistas sugerem um equity value entre US$ 360-900 milhões, dependendo das premissas de crescimento/margem e valuation. Assumindo esse intervalo, os ativos remanescentes (AZZA3 excluindo FarmRio) estariam virtualmente de graça ou, em um cenário pessimista.

Impacto nas ações

Os analistas do Bradesco BBI apontam que o debate em torno de uma potencial venda de marca pode dar suporte à performance das ações da Azzas, especialmente no caso da Farm Rio, por ser a marca de crescimento mais acelerado do portfólio e, possivelmente, o ativo com maior potencial de geração de valor – podendo, inclusive, ser avaliada acima do atual valor de mercado da companhia.

Por outro lado, o valor estrutural das marcas que permaneceriam no portfólio da Azzas pode continuar sob maior escrutínio do mercado, o que tende a manter pressão sobre os múltiplos da ação por mais tempo. “Além disso, desafios internos recorrentes e o fluxo intenso de notícias podem seguir limitando a visibilidade sobre a direção estratégica da companhia e suas perspectivas de resultados”, avaliam.

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Já os analistas da XP ressaltam que já houve outros casos de potencial venda entrando no radar, como no caso de Natura (NATU3) com Aesop e TBS, esperando assim uma dinâmica semelhante para a AZZA3 daqui em diante.

“Notícias incrementais em torno de partes interessadas / termos de valuation provavelmente ditarão o desempenho da ação, embora acreditemos que investidores não precificarão totalmente esse evento antes que informações mais concretas sejam divulgadas, seja sobre a transação ou sobre uma resolução entre os acionistas controladores”, avaliam, ressaltando ainda acreditar que o fluxo de notícias pode chamar a atenção dos investidores para o valuation atual da companhia.

Os analistas do JPMorgan avaliam que uma potencial monetização desse ativo poderia destravar valor significativo para as ações, ressaltando que a Farm Rio é gerida de forma praticamente independente dentro do grupo por seus fundadores, Kátia Barros e Marcello Bastos. Segundo as estimativas do banco, eles detêm uma participação conjunta de cerca de 3% a 4% na Azzas e provavelmente estariam dispostos a deixar o grupo em meio às questões mais amplas de governança.

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“Dito isso, as ações devem agora ser negociadas levando em conta essa potencial monetização de ativos, ao passo que o anúncio sugere que um movimento estratégico envolvendo a Farm Rio provavelmente ocorrerá antes de qualquer resolução sobre a arbitragem entre os principais acionistas. Neste momento, uma resolução aponta para uma possível divisão da empresa em dois negócios — provavelmente Calçados e Básicos (franquias) de um lado e Moda Feminina do outro, com uma grande incógnita em relação à marca Reserva (moda masculina)”, avalia o JPMorgan, que possui recomendação neutra para as ações. Já o Bradesco BBI possui recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para AZZA3, com preço-alvo de R$ 42.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.