Azul atualiza plano, mostra melhora, mas previsão de forte diluição impede otimismo

Azul estima alavancagem líquida de 2,5 vezes na saída do processo de recuperação judicial

Felipe Moreira

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Azul (Foto: Divulgação)
Azul (Foto: Divulgação)

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A Azul (AZUL4) divulgou, nesta quinta-feira, uma atualização de seu plano de negócios, como parte do processo de recuperação judicial sob o Chapter 11 da lei de falências dos Estados Unidos.

De forma geral, o plano reduziu marginalmente algumas projeções operacionais, mas melhorou de forma significativa a posição de liquidez da companhia aérea após a saída do processo de reestruturação. Às 12h21 (horário de Brasília) desta sexta-feira (24), as ações da companhia aérea subiam 1,77%, a R$ 1,15.

A Azul espera concluir o Capítulo 11 até fevereiro de 2026, com uma alavancagem projetada em 2,5 vezes dívida líquida/EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depeciação e amortização), ante 3,0 vezes estimada anteriormente. O JPMorgan destaca o avanço do processo de reestruturação, que segue dentro do cronograma previsto, e o fato de a empresa estar caminhando para sair do processo com posição de liquidez sólida.

No entanto, o banco americano ressalta que as emissões e conversões de ações esperadas, que podem somar até US$ 2,8 bilhões, devem resultar em uma diluição quase total do valor das ações atuais.

Para o BBI, os números divulgados trazem sinais positivos sobre a posição financeira da Azul após a sua saída da RJ. A otimização adicional da frota e a eficiência de custos foram os principais destaques, já que o crescimento do EBITDA deve melhorar mesmo em meio a um menor crescimento do ASK, e as renegociações de pagamentos de leasing devem trazer um perfil de fluxo de caixa mais estável.

Os resultados do 3T25 ficaram em linha com as expectativas e mostram uma forte expansão do EBITDA, cerca de 20% em relação ao ano anterior, à medida que a eficiência de custos começa a aparecer nos números. Além disso, analistas do BBI esperam que o 4T25 apresente melhorias ainda maiores, com a conclusão das negociações deste trimestre.

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A administração reforçou que a saída do Chapter 11 está prevista para o 1T26, já que o plano de negócios provavelmente será aprovado judicialmente em dezembro, e então somente as aprovações regulatórias das autoridades brasileiras estarão pendentes.

Revisão do Plano de Negócios da Azul

O plano atualizado reflete uma revisão negativa nas projeções de ASK (assentos-quilômetro oferecidos) para 2026, com a Azul agora estimando 50,8 bilhões, cerca de 2% abaixo das estimativas do JPMorgan.

O RASK (receita por assento-quilômetro) e o CASK (custo por assento-quilômetro) para 2026 foram revisados para cima em 3% e 1,5% em relação às estimativas do JPMorgan, respectivamente.

O EBITDA foi reduzido em 3%, passando a ser projetado em R$ 7,78 bilhões, mas ainda cerca de 3% acima da estimativa do JPMorgan.

Para 2027, o ASK deve permanecer estável, em 52,7 bilhões, em linha com as projeções anteriores. Tanto RASK quanto CASK foram revisados para baixo, e o EBITDA também foi ajustado em menos 3%, passando a R$ 8,37 bilhões, ligeiramente acima das projeçõs do banco.

A empresa também ajustou suas projeções de crescimento para o período, com o CAGR da receita reduzido para 5,8% (de 7,4%), e o EBITDA para 9,3% (de 12,2%). Segundo o JPMorgan, a revisão reflete uma redução do crescimento do RASK e do CASK.

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O Bradesco BBI manteve recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 0,50, pois os planos atuais levam a uma diluição pouco clara para os acionistas existentes. O JPMorgan também manteve recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para ações da Azul.