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SÃO PAULO – O aumento da procura foi a principal causa para que os preços de diversos serviços fossem elevados acima da média da inflação nos últimos 12 meses. Esse movimento, segundo o economista André Braz, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), é resultado do aquecimento da economia brasileira.
Levantamento feito pelo economista mostra que, enquanto a variação de preços medida pelo IPC-10 (Índice de Preços ao Consumidor-10) aumentou 5,47% entre novembro de 2007 e outubro de 2008, o reajuste de preços de serviços foi de 6,35%.
Influência da oferta de emprego
Braz explica que o crescimento econômico do Brasil nos últimos anos propiciou o crescimento das ofertas de emprego e da massa salarial das famílias. Essa realidade fez com que a procura por serviços se intensificasse, provocando o aumento de preços. O objetivo da pesquisa, de acordo com Braz, foi “mostrar que o aumento de preços não ficou apenas restrito aos alimentos”, embora a ênfase nos últimos meses seja justamente essa categoria.
“Embora alguns itens sejam supérfluos, a maioria faz parte do cotidiano das famílias”, explica o economista. Ele ressalta, também, que ainda há espaço, até o final do ano, para novos aumentos de preços, principalmente por causa do aumento na oferta de empregos temporários, típico da época de festas de fim de ano.
Entretanto, para o próximo ano, a trajetória deve assumir o sentido oposto, e os preços não devem aumentar com a mesma intensidade. Braz lembra que a atual situação da economia mundial deve impactar na oferta de empregos. “Isso faz com que o consumo das famílias diminua, junto com sua capacidade de compra ou procura por serviços”, diz.
Fora de casa
Nos últimos 12 meses um dos serviços destacados no levantamento com aumento de preços acima do IPC-10 foi o de refeições em restaurantes, com variação de 10,85%. Nesse caso, além da demanda, a inflação dos alimentos, observada durante a maior parte das semanas nos últimos meses, também foi responsável pelo encarecimento da comida consumida fora de casa.
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“Muitos alimentos básicos como o arroz e o feijão ficaram muito mais caros nos últimos meses. Como esses produtos são insumos para a produção nos restaurantes, os preços praticados por eles pegaram carona no dos produtos básicos”, informa o economista.