Aumento de IOF remete pacote fiscal com isenção de IR e investidor teme mais mudanças

Segundo André Buzzini, estrategista macro da XP, investidor teme outras mudanças à frente

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Conteúdo XP

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No final do ano passado, o mercado sofreu forte impacto com o anúncio do governo do pacote fiscal junto com um projeto de isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Para André Buzzini, estrategista macro da XP, a apresentação do primeiro Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias de 2025 nesta quinta (22) junto com o anúncio de mudanças no Imposto de Operação Financeiras (IOF) para aumentar a arrecadação, pode ter o mesmo efeito aos olhos do investidor, principalmente do exterior.

Ele lembra que o episódio do final do ano passado causou muitos questionamentos do mercado. Buzzini participou nesta sexta (23) do programa Morning Call da XP.

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“A expectativa do mercado era de R$ 10 a 15 bilhões na soma de bloqueio e contingenciamento”, explica ele sobre a divulgação do relatório de receitas e despesas nesta quinta. “Mas o governo surpreendeu anunciando a contenção total de R$ 31 bilhões”, complementou.

Medidas

O governo bloqueou R$ 10 bilhões e contingenciou R$ 21 bilhões, representando um total de R$ 31 bilhões de congelamento do Orçamento. Ele citou que o governo diminui a expectativa de receita, o que favoreceu o anúncio de cortes no Orçamento maior do que o esperado.

Por outro lado, o governo anunciou uma série de medidas de aumento de IOF com essa reestimativa e expectativa mais baixa de receita, explicou Buzzini. Ele lembrou que o IOF é um imposto regulatório e pode ser mudado por decreto, como fez o governo federal.

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Em um dos pontos, trouxe mudanças ao VGBL (taxação de 5% para aportes mensais acima de 50 mil reais) e operação de câmbio (compra em espécie passou o IOF de 1,5% para 3,5%).

Após o anúncio das medidas para aumento de arrecadação, o estrategista da XP disse que houve muita consulta dos investidores relativo à aplicação de IOF para fundos de investimentos brasileiros que investem no exterior, que hoje são isentos, e que com a nova regra, passaria a ter uma alíquota de 3,5%.

“Isso inviabilizaria a atuação de muitos fundos”, disse. O governo acabou recuando horas depois da medida, preocupado com a subida inesperada do dólar após o anúncio da nova regra para os fundos brasileiros acessaram o exterior.

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Leia mais: Ministério da Fazenda anuncia recuo na alta do IOF para fundos nacionais no exterior

A revogação dessa medida específica, de acordo com Buzzini, vem em um momento em que a depreciação do dólar frente as moedas emergentes é latente, inclusive o real.

“Mas fica a pulga atrás da orelha dos investidores que se o governo fez isso uma vez, mesmo que tenha revogado, ele poderia fazer novamente”, comentou.