Aumento de 32% na venda de notebooks é atribuído à queda nos preços

Com a implantação da "MP do Bem" - que reduziu o preço dos computadores em 10% - os preços estão caindo desde 2005

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SÃO PAULO – Com o crescimento de 20% na venda de computadores, o Brasil ocupa atualmente a 4ª posição no ranking mundial de vendas de PCs, de acordo com a consultoria em tecnologia da informação IDC. O salto no ranking – do 7º para o 4º lugar – se deve principalmente à venda de laptops, que superou as expectativas e chegou a 300.481 unidades no segundo trimestre deste ano, um aumento de 32% em relação aos três primeiros meses de 2007.

O analista sênior da consultoria, Reinaldo Sakis, atribui a expressiva alta na venda de notebooks à constante queda nos preços. “Desde setembro de 2005, com a implantação da “MP do Bem” – que reduziu o preço dos computadores em 10% com a desoneração dos impostos – os preços estão caindo. A diferença é que antes a MP só era válida para laptops até R$ 3 mil e hoje ela abrange equipamentos até R$ 4 mil e atualmente, 90% dos computadores portáteis vendidos no Brasil estão nessa faixa de preço”, explica.

Sakis afirma ainda que as linhas de financiamento mais longas também ajudam a aumentar as vendas. “Hoje é possível dividir em 24 vezes. Até o começo do ano, o máximo era 16 vezes”, garante.

Previsão

O consultor acredita que os preços dos laptops continuarão caindo. “Quando um produto é lançado, ele tem um preço premium e depois vai se adaptando ao mercado. Um bom exemplo são as televisões de plasma, que custavam R$ 50 mil e hoje custam R$ 3 mil. Os produtos sofrem um processo de amadurecimento, e isso está acontecendo com os notebooks. Quando eles chegaram ao mercado, os mais comuns custavam R$ 5 mil, agora custam R$ 1.700″.

Ainda de acordo com Sakis, as variações do dólar também não deverão alterar os preços dos computadores. “A indústria hoje está estruturada para trabalhar com o dólar até R$ 2 e ele tem ficado abaixo disso, portanto, não deve causar elevação nos custos. Sem falar que grande parte das peças já é produzida no Brasil. Ao meu ver, apenas se faltar tela – já que a produção é 100% asiática – haverá elevação nos preços”.

Para o consultor, essas condições devem fazer com que as vendas cresçam ainda mais. “Antes as pessoas viam no laptop um sinal de status, era algo que o diretor da empresa tinha, não elas. Hoje os consumidores perceberam que podem ter um e possuem maior consciência das vantagens que o equipamento portátil pode trazer, como mais espaço e possibilidade de transporte”, garante.

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Desktops x Laptops

O mesmo barateamento não deve acontecer com os computadores de mesa. “Os desktops já passaram pelo processo de amadurecimento que os notebooks estão enfrentando agora e por isso não deverá haver queda no preço deles”, explica.

No segundo trimestre de 2007, o Brasil vendeu 1.864.920 unidades de desktops, número que a IDC classifica como alto, mas não surpreendente. O consultor garante que o hábito e o preço ainda são responsáveis pelo maior número de vendas. “Não é uma questão de preferência, mas o brasileiro ainda tem o hábito de usar o computador de mesa. Além disso, o consumidor sabe que pelo valor de um notebook pode comprar um desktop mais potente, sem falar que os upgrades dos portáteis são bem mais caros”, finaliza Sakis.