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Os ativos financeiros da Argentina alcançaram um ponto de inflexão, com o índice referência de Bolsa do país, o Merval, operando próximo à marca de 2.000 pontos em termos de dólar constante. Em relatório, os analistas do Itaú BBA afirmam que a sustentabilidade de uma alta acima desse patamar histórico e o início de um processo de reprecificação mais robusto dependem diretamente de um fator: a continuidade da compressão do spread soberano do país.
A recente elevação da nota de crédito do país pela agência Fitch, que passou de CCC+ para B-, foi classificada pelo BBA como um primeiro passo construtivo. Apesar disso, como o rating do país ainda está atrás dos pares da região, os analistas apontam que há espaço para novos avanços se as reformas econômicas continuarem.
“A consolidação fiscal e a desinflação estão elevando o piso para os ativos argentinos; uma maior compressão do spread soberano continua sendo o principal catalisador para as ações”, diz o relatório.
Em cerca de 530 bps (pontos-base), o indicador de risco atual reflete tanto uma incerteza substancial quanto um elevado potencial de valorização. Sob a ótica técnica do valuation (avaliação de empresas), cada ponto-base a menos no spread reduz a taxa de desconto aplicada aos fluxos de caixa futuros, elevando mecanicamente o valor de mercado das empresas.
Ajustes
O prêmio de risco alto é justificado pelas fragilidades herdadas. Segundo o Itaú BBA, a classificação da Argentina, considerada como “Altamente Especulativa” pela Fitch, sinaliza que o crédito do país ainda vive uma fase de transição, com uma margem de erro considerada estreita.
Entre as desvantagens que mantêm a bolsa local fora dos principais índices globais de referência, o relatório menciona o ritmo lento para o desmantelamento total dos controles cambiais e o crescimento econômico ainda desigual, afetando principalmente os setores que demandam muita mão de obra.
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Os analistas acreditam que o forte ajuste fiscal promovido pelo governo é um dos principais pilares que sustentam a tese de recuperação. A Argentina entregou um ajuste fiscal equivalente a cerca de 10% do PIB (Produto Interno Bruto). De acordo com o documento, a reforma é estrutural e não cíclica, já que incluiu uma redução de 2,5% do PIB na carga tributária total.
Outro avanço importante aconteceu na correção dos preços relativos da economia, com os subsídios estatais à energia (que antes cobriam apenas de 20% a 30% dos custos reais), alcançando a faixa de 60% a 70%. Em paralelo, as despesas do governo federal recuaram para menos de 15% do PIB, registrando o menor patamar em três décadas.
O cenário de longo prazo ainda depende do cenário político, já que a Argentina vai passar por eleições presidenciais em outubro do próximo ano.
“A experiência histórica na América Latina sugere que a consolidação fiscal esteve frequentemente associada a uma compressão significativa do spread soberano ao longo do tempo”, aponta o documento do BBA.
Nos precedentes regionais, essa transição destravou ciclos de expansão do crédito bancário e impulsionou a indústria de gestão de recursos. No primeiro trimestre de 2026, os próprios bancos argentinos já dão sinais de um ponto de inflexão, mostrando custos de captação normalizados.
O cenário de longo prazo ainda depende do cenário político, já que a Argentina vai passar por eleições presidenciais no próximo ano e o mercado exige a continuidade das reformas para consolidar a melhora econômica. “A experiência histórica na América Latina sugere que a consolidação fiscal esteve frequentemente associada a uma compressão significativa do spread soberano ao longo do tempo”, aponta o documento do Itaú BBA.
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Nos precedentes regionais, a garantia dessa estabilidade política e fiscal foi o que destravou ciclos de expansão do crédito bancário e impulsionou a indústria de gestão de recursos.
Na Argentina, a manutenção desse rumo pode consolidar o início dessa transição, sendo que, no primeiro trimestre de 2026, os próprios bancos locais já dão sinais de um ponto de inflexão ao mostrarem custos de captação normalizados.
Motores de crescimento
A pauta externa é apontada pelo Itaú BBA como o segundo pilar de sustentação da virada econômica. Os analistas projetam que a Argentina caminha para registrar um recorde histórico nas vendas externas, aproximando-se de US$ 100 bilhões em exportações este ano.
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Segundo o relatório, esse desempenho é sustentado pela liberação das exportações de carne, redução de impostos agrícolas, início dos embarques de lítio e pela forte virada no segmento de óleo e gás. O superávit comercial de energia, que somou US$ 8 bilhões no ano passado, encerrou um dreno histórico nas contas do país.
O principal motor desse ganho de escala, conforme o Itaú BBA, é a formação geológica de xisto de Vaca Muerta, que migrou de uma tese de exploração teórica para uma fase de produção real e forte geração de caixa.
O ritmo de desenvolvimento da região foi acelerado pela expansão do RIGI (Regime de Incentivo para Grandes Investimentos), que passou a contemplar o segmento de upstream (exploração e produção) de petróleo e gás.
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O relatório da instituição detalha que o mecanismo assegura estabilidade fiscal e regulatória por 30 anos, reduz a alíquota do imposto de renda corporativo de 35% para 25% e oferece isenções aduaneiras e cambiais.
O Itaú BBA destaca que o programa já atraiu cerca de US$ 30 bilhões em projetos aprovados, com outros US$ 70 bilhões mapeados no pipeline. Grandes empresas do setor já protocolaram adesões formais ao regime, segundo o banco.
“A YPF submeteu uma solicitação de US$ 25 bilhões para um programa de investimentos de 15 anos. A Vista está preparando Águila Mora, Bandurria Norte e, potencialmente, Bajada del Toro. A Pampa está trabalhando em suas próprias submissões”, diz o relatório. Para a equipe do banco, a rocha de xisto é a base, mas o RIGI funciona como um acelerador que antecipa decisões de investimento que poderiam levar anos.
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