Após o ataque

Ataque à Ucrânia: as reações de EUA, China, União Europeia, Otan e mais à operação russa

Biden disse que Putin “escolheu uma guerra premeditada que levará a uma catastrófica perda de vidas humanas”; China rejeita chamar ataque de “invasão”

Por  Equipe InfoMoney -

Nesta quinta-feira (24), a Rússia lançou uma invasão total da Ucrânia por terra, ar e mar, o maior ataque de um Estado contra outro na Europa desde a Segunda Guerra Mundial e a confirmação dos piores temores do Ocidente.

Os mísseis russos caíram sobre as cidades ucranianas. A Ucrânia relatou colunas de tropas que atravessaram suas fronteiras nas regiões leste de Chernihiv, Kharkiv e Luhansk, e desembarcaram por mar nas cidades de Odessa e Mariupol, no sul.

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Explosões puderam ser ouvidas antes do amanhecer na capital ucraniana, Kiev. Tiros foram disparados perto do aeroporto principal e as sirenes soaram por toda a cidade.

As reações já puderam ser sentidas no mercado, enquanto autoridades também já se pronunciaram.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, afirmou que a ação russa “é de larga escala”. “As cidades pacíficas ucranianas estão sob ataque e essa é um guerra. A Ucrânia se defenderá e vencerá: o mundo pode e deve parar [Vladimir] Putin [presidente da Rússia] e o momento de agir é agora”, pontuou.

Estados Unidos

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que Putin “escolheu uma guerra premeditada que levará a uma catastrófica perda de vidas humanas e sofrimentos” e que esse é um ataque “injustificado” contra Kiev. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que esse “é o momento mais triste do meu mandato”. “Preciso mudar meu apelo: presidente Putin, em nome da humanidade, leve de volta as tropas russas. Esse conflito deve parar agora. O que é claro é que essa guerra não tem sentido e viola os princípios da Carta da ONU”, ressaltou.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, afirmou que conversou com o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, para “condenar com a máxima firmeza a injustificada agressão militar da Rússia contra a Ucrânia e exprimir a nossa mais forte solidariedade”.

Zelensky fez um pronunciamento em que anunciou que “rompeu relações diplomáticas” com Moscou e fazendo um apelo para que a população russa proteste contra esse ataque contra a Ucrânia. O mandatário ainda pediu que seja criada uma “coalizão anti-Putin” e que sejam aplicadas “sanções imediatas” contra o governo.

O líder ucraniano ainda convocou os cidadãos que “estão prontos para ajudar a defender o país para que se apresentem ao exército”. Ele também prometeu prover armas a todos que quiserem e pediu doações de sangue aos militares feridos.

“Nós temos armas defensivas para defender nossa soberania”, completou Zelensky, dizendo que “cada cidadão deverá decidir o futuro de nosso povo”.

União Europeia: mais sanções no radar

Líderes da União Europeia vão impor novas sanções à Rússia, congelando seus ativos, interrompendo o acesso de seus bancos aos mercados financeiros europeus e visando “interesses do Kremlin” pelo “ataque bárbaro” à Ucrânia, disseram autoridades de alto escalão nesta quinta.

Uma cúpula de emergência a partir das 16h (horário de Brasília) também discutirá a oferta do status de candidata na UE à Ucrânia, disse o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, um passo que Kiev pede há muito tempo, embora possa não obter a aprovação de todos os líderes da UE.

“O presidente Putin é responsável por trazer a guerra de volta à Europa”, disse a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acrescentando que a UE o responsabilizará.

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“Com este pacote, visaremos setores estratégicos da economia russa, bloqueando seu acesso a tecnologias e mercados-chave”, disse ela em declaração de emergência. “Vamos enfraquecer a base econômica da Rússia e sua capacidade de modernização.”

Os ativos russos na UE também seriam congelados e o acesso dos bancos russos ao mercado financeiro europeu, interrompido.

No entanto, cortar a Rússia do sistema global de pagamentos interbancários SWIFT – uma das sanções não militares mais duras que o Ocidente poderia impor – provavelmente não será aceito nesta fase, disseram várias fontes da UE à Reuters.

A UE aprovou uma primeira rodada de sanções na quarta-feira, incluindo a lista negra de políticos russos e a restrição do comércio entre a UE e duas regiões separatistas do leste da Ucrânia, cuja independência Putin reconheceu.

As novas medidas, a serem discutidas na cúpula noturna dos líderes nacionais da UE, serão “o pacote de sanções mais severo que já implementamos”, disse o chefe de política externa do bloco, Josep Borrell.

“Esta é uma das horas mais sombrias para a Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial… a liderança da Rússia enfrentará um isolamento sem precedentes.”

Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, afirmou que o Ocidente vai impor sanções maciças para prejudicar a economia russa.

“Faremos o que mais pudermos nos próximos dias”, disse Johnson sobre o apoio adicional que o Reino Unido daria à Ucrânia. “Hoje, em concertação com nossos aliados, vamos concordar com um pacote maciço de sanções econômicas projetado a tempo de prejudicar a economia russa”, disse ele, em um discurso televisionado para a nação.

O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, disse à imprensa de Berlim que a Rússia “cometeu um erro sério” e “está colocando em risco a vida de inúmeras pessoas inocentes na Ucrânia – um povo irmão da Rússia”. O líder alemão lamentou o conflito e disse que haverá um “preço amargo” a ser pago.

O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, condenou o ataque e chamou as ações militares ordenadas por Vladimir Putin de “injustificáveis”. “O governo italiano condena o ataque da Rússia contra a Ucrânia. Isso é injustificado e injustificável. A Itália está próxima ao povo e às instituições ucranianas nesse momento dramático. Estamos trabalhando com os aliados europeus e da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] para responder imediatamente, com unidade e determinação”, afirmou Draghi.

Emmanuel Macron, presidente da França, afirmou que o país permanecerá ao lado da Ucrânia em discurso televisionado à nação nesta quinta-feira, acrescentando que a ação russa contra o pais do leste europeu terá consequências “duradouras e profundas” para o continente.

O Canadá condenou o ataque russo e disse que o Kremlin vai “enfrentar as consequências”. “Condenamos o ataque não provocado da Rússia à Ucrânia nos termos mais fortes possíveis. Este é um dia devastador para a Ucrânia, para as democracias e para a segurança global. A Rússia sozinha é responsável por essas ações e pelo sofrimento que elas causarão. A Rússia enfrentará consequências”, disse o ministério da defesa do país.

Reação da Otan

Em declaração, a a aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirmou  que tomará medidas adicionais para fortalecer a dissuasão e a defesa da aliança depois da ação da Rússia.

“Hoje, realizamos consultas nos termos do artigo 4 do Tratado de Washington”, disse a Otan após uma reunião dos embaixadores da aliança em Bruxelas.

“Decidimos, de acordo com nosso planejamento defensivo para proteger os aliados, tomar medidas adicionais para reforçar ainda mais a dissuasão e a defesa em toda a aliança. Nossas medidas são e continuam sendo preventivas, proporcionais e não-escalonáveis.”

China evita falar em invasão; Bielorrússia reforça apoio à Rússia

A China, por sua vez, rejeitou chamar os movimentos da Rússia sobre a Ucrânia de “invasão” e fez um apelo para que todos os lados exerçam contenção, ao mesmo tempo que aconselhou os cidadãos chineses na Ucrânia a permanecerem em casa ou ao menos tomarem a precaução de exibir uma bandeira chinesa se precisassem dirigir para qualquer lugar.

“A China está monitorando de perto a situação mais recente. Pedimos todos os lados a exercer contenção para evitar que a situação fique fora de controle”, disse Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

Em uma reunião de imprensa diária lotada em Pequim, Hua repreendeu os jornalistas pela caracterização que fizeram das ações da Rússia.

“Esta talvez seja uma diferença entre a China e vocês, ocidentais. Não vamos nos precipitar em tirar conclusões”, disse ela.

“Com relação à definição de uma invasão, acho que devemos voltar à forma de ver a situação atual na Ucrânia. A questão ucraniana tem outros antecedentes históricos muito complicados que continuam até hoje. Pode não ser o que todos querem ver.”

O ataque da Rússia à Ucrânia vem semanas depois que o presidente russo Vladimir Putin se reuniu com seu homólogo chinês, Xi Jinping, pouco antes dos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim. Os dois lados anunciaram uma parceria estratégica destinada a combater a influência dos Estados Unidos e disseram que não teriam “áreas ‘proibidas’ de cooperação”. Os Jogos terminaram no domingo.

Perguntado se Putin tinha dito à China que estava planejando invadir a Ucrânia, Hua disse que a Rússia, como potência independente, não precisava buscar o consentimento da China.

“Ela decide e implementa independentemente sua própria diplomacia e estratégia de acordo com seu próprio julgamento estratégico e interesses”, disse a porta-voz.

“E também gostaria de acrescentar que toda vez que os chefes de Estado se reúnem, é claro que eles trocam opiniões sobre questões de interesse comum.”

Espera-se que a China apoie a Rússia diplomática e talvez economicamente, mas não militarmente. Hua, em resposta a uma pergunta feita na quinta-feira, disse que a China não havia fornecido nenhum apoio militar à Rússia.

Alexander Lukashenko, presidente da Bielorrússia, reforçou apoio à Rússia, aumentando ainda mais as tensões na região. Ele disse que recebeu “garantias pessoais” de Putin, após informar que a OTAN está rapidamente se reforçando nas suas fronteiras com a Polónia e os países bálticos.

Segundo a agência russa de notícias Tass, Putin teria respondido a Lukashenko: “eu prometo a você que qualquer ataque contra ou mesmo apenas um passo através da fronteira para o território bielorrusso significaria que eles estariam atacando a Rússia”.

Governada por Moscou no passado, mas agora parte da Otan e da União Europeia, a Lituânia declarou, por meio do seu presidente, estado de emergência nesta quinta, dizendo ao Exército do país para se deslocar ao longo de suas fronteiras em resposta a “possíveis distúrbios e provocações devido a grandes forças militares concentradas na Rússia e em Belarus”.

O estado de emergência, declarado horas depois que as forças russas invadiram a Ucrânia, será válido por duas semanas.

O Parlamento se reunirá ainda nesta quinta-feira para votar se confirma ou cancela a decisão do presidente Gitanas Nauseda. A Lituânia faz fronteira com Belarus e com o enclave russo de Kaliningrado.

Nota do Itamaraty

Em nota, o governo brasileiro afirmou que acompanha com grave preocupação a deflagração de operações militares pela Federação da Rússia contra alvos no território da Ucrânia.

“O Brasil apela à suspensão imediata das hostilidades e ao início de negociações conducentes a uma solução diplomática para a questão, com base nos Acordos de Minsk e que leve em conta os legítimos interesses de segurança de todas as partes envolvidas e a proteção da população civil”, aponta.

A nota ainda destaca que, como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, “o Brasil permanece engajado nas discussões multilaterais com vistas a uma solução pacífica, em linha com a tradição diplomática brasileira e na defesa de soluções orientadas pela Carta das Nações Unidas e pelo direito internacional, sobretudo os princípios da não intervenção, da soberania e integridade territorial dos Estados e da solução pacífica das controvérsias”.

(com Ansa Brasil e Reuters)

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