Juros em queda

As ações que mais ganham com o corte dos juros

Segundo um relatório da XP, o principal impacto é a redução no custo de dívida. O texto mostra as companhias que não devem ser beneficiadas

Home brokers com gráficos de ações (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Banco Central cortou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual, para 5% ao ano, renovando assim a mínima histórica dos juros no Brasil.

Nesse ambiente, algumas ações da Bolsa brasileira podem ser bastante beneficiadas. Antecipando-se à decisão de juros, a equipe da XP Research publicou um relatório apontando os quatro setores mais favorecidos pelo corte da Selic – e outros três que não deverão ser muito influenciados. Clique aqui para ler o relatório completo

De acordo com os analistas, o principal impacto nas empresas é a redução no custo de dívida. E, para calcular este efeito, eles analisam dois fatores: a parcela da dívida cujo custo é atrelado à Selic e o patamar de endividamento, que pode ser medido pelo indicador dívida líquida em relação ao ebitda.

Confira os setores mais beneficiados pelo corte de juros:

Locação de Veículos

Neste setor, de acordo com a XP, mais de 90% das dívidas das companhias são pós-fixadas e atreladas à Selic. Além disso, o momento positivo dessas empresas tem feito elas crescerem mais e, por consequência, operarem em níveis mais altos de alavancagem.

Entre as três companhias do setor – Localiza (RENT3), Unidas (LCAM3) e Movida (MOVI3) -, o índice de alavancagem varia entre 2,7 e 3,0 vezes a dívida líquida/ebitda, tornando-as mais sensíveis às variações de juros.

“Estimamos que um corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic resulte em um incremento médio próximo de 10% no preço-alvo dessas companhias. Considerando a trajetória esperada para a taxa Selic em 2020, esperamos uma redução superior a 1,0 ponto percentual no custo médio da dívida em relação a 2019”, afirma a XP.

Shoppings

Entre as operadoras de shoppings, a Iguatemi (IGTA3) e a Multiplan (MULT3) tem, respectivamente, 85% e 70% de suas dívidas atreladas à Selic, e uma alavancagem média de cerca de 2,5 vezes dívida líquida/ebitda.

Enquanto isso, a brMalls (BRML3) tem cerca de 42% de dívida atrelada à taxa básica de juros e uma alavancagem menor, de cerca de 1,9 vezes, segundo a XP.

Os analistas lembram que o endividamento do setor diminuiu em razão do menor crescimento dos negócios. Ainda assim, afirmam que a sensibilidade à variação dos juros é alta. Por isso, projetam uma alta de cerca de 6,5% no preço-alvo das ações para cada corte de 0,5 p.p. da Selic.

Elétricas

O setor elétrico tem uma taxa menor de dívidas atreladas à Selic (em média, fica em torno de 40%). Mas as companhias operam com alavancagens elevadas de até 4 vezes dívida líquida/ebitda, aponta a XP.

“Isso se deve à dinâmica operacional do setor: as companhias captam recursos via dívida para financiar a construção de novos empreendimentos ou a aquisição de outras empresas, e os financiamentos vão sendo pagos com a geração de caixa dos próprios ativos”, diz o relatório.

Assim, uma queda de juros ajuda as empresas. As mais beneficiadas, segundo a XP, devem ser as companhias mais alavancadas e com maiores dívidas atreladas à Selic, caso de Copel, AES Tietê (TIET11), Equatorial (EQTL3) e Cemig (CMIG4).

As companhias que pagam mais dividendos também se tornam mais atrativas com os juros menores, com destaque para os segmentos de transmissão, como Taesa (TAEE11) e CTEEP (TRPL4), e geração de energia, caso de AES Tietê e Engie (EGIE3).

Varejo

As varejistas têm entre 75% e 100% das dívidas atreladas à taxa de juros, mas, por outro lado, operam com menor alavancagem, no nível entre 0,3 a 2,5 vezes o índice de dívida líquida em relação ao ebitda, aponta a XP.

Essas empresas costumam fazer o desconto de recebíveis, em que antecipam as vendas realizadas a prazo, pagando juros por isso.

“Portanto, o cenário de juros mais baixos para as varejistas implica em menores despesas financeiras com empréstimos e financiamentos, bem como com a antecipação de recebíveis”, explicam os analistas.

A XP aponta que Lojas Americanas (LAME4), B2W (BTOW3), Via Varejo (VVAR3) e Magazine Luiza (MGLU3) são as mais beneficiadas, com incremento esperado de 3% a 4% no preço-alvo para cada corte de 0,5 p.p. na Selic.

Os setores menos impactados

No relatório, os analistas destacam ainda três setores que não devem sofrer grande influência do ambiente de juros mais baixos: mineração e siderurgia, papel e celulose e alimentos.

No caso de mineração e siderurgia, as empresas possuem até possuem uma alta dívida atrelada à Selic, mas acabam tendo pouco impacto do corte de juros. Nesse setor, a empresa mais impactada seria a CSN (CSNA3), que, por sua alta alavancagem alta, poderia ter seu preço-alvo elevado em 1,7% caso a Selic recue 0,5 p.p.

Para Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4), os analistas estimam impactos de +0,7% e +0,4% nos preços-alvo, respectivamente, enquanto a Vale (VALE3) não seria influenciada por ter um baixo endividamento.

Já entre as companhias de papel e celulose, por conta de elas terem apenas 25% da dívida estar atrelada à Selic, o efeito é pequeno no preço-alvo: apenas 0,4% para a Suzano (SUZB3) e 0,3% para a Klabin (KLBN11), segundo a XP.

Por fim, no setor de alimentos, a única levemente impactada seria a BRF (BRFS3), com uma alta de 0,9% no preço-alvo para cada corte de 0,5 p.p. nos juros.

JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) têm poucas dívidas em reais, enquanto a Ambev (ABEV3) tem sua dívida em taxas fixas.

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