Cortando na carne

As 40 ações que mais devem sofrer na Bolsa com as primeiras medidas de Temer

Impactos devem vir por conta de potencial desoneração da folha de pagamento, extinção do benefício do JCP e fim da Lei do Bem, estima BTG Pactual

SÃO PAULO – Os primeiros sinais das batalhas do governo Michel Temer para tentar melhorar o lado fiscal devem aparecer em breve, com cenário potencial de reversão de impostos e subsídios. Pensando nas mudanças que estão por vir, o BTG Pactual – em continuidade à análise divulgada na segunda-feira (que pode ser conferida clicando aqui) – elaborou um relatório nesta quinta-feira (19) destrinchado os impactos dessas medidas na Bovespa. 

Segundo relatório dos analistas Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira, 40 empresas deverão ser impactadas negativamente pelas medidas que estão por vir, enquanto 2 serão afetadas positivamente. A análise toma como base 4 frentes principais (3 negativas e 1 positiva): 1) desoneração da folha de pagamento; 2) fim do juros sobre capital próprio (JCP); 3) fim da Lei do Bem; e 4) aumento da Cide (aqui o impacto positivo em 2 ações da BM&FBovespa). 

Confira abaixo os potenciais impactos caso o novo governo implemente tais medidas:

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1) Desoneração da folha de pagamento:
O governo anterior concedeu desoneração da folha de pagamento em troca de imposto sobre venda bruta. Embora ano passado tenha ocorrido uma redução parcial do benefício, os analistas do BTG acreditam que o atual governo pode aumentar novamente o imposto sobre venda bruta pago ou reverter as desonerações por completo. A medida teria um potencial de R$ 15 bilhões por ano no fiscal, estimam.

Nesse último cenário, apontam, as empresas de bens de capital e tecnologia seriam as mais impactadas, podendo atingir 20% do Ebitda dessas empresas. Os analistas citam 9 ações da Bovespa afetadas pela medida, como pode ser visto abaixo:

Impacto da medida como % do Ebitda
-Bens de capital
Marcopolo15%
Gol6%
Weg2%
Iochpe-Maxion1%
Randon5%
Tupy6%
Embraer6%
-Tecnologia
Totvs17%
Linx20%

2) Fim do juros sobre capital próprio (JCP)
O fim do benefício fiscal relativo ao JCP também pode voltar ao radar, trazendo pressão aos bons pagadores de dividendos, como bancos, seguradoras, Petrobras, Vale, Ambev, entre outras. O BTG usa como base a MP 675 (que expirou ano passado), que considerava eliminação gradual do percentual admitido, para 50% da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) em 2016; 25% da TJLP em 2017; e zero, para os períodos posteriores).  

Segundo cálculos do banco, seriam 38 ações impactadas na Bovespa por essa medida. Confira a lista abaixo: 

Impacto da medida como variação do Lucro Líquido
Empresas201620172018
Petróleo
Petrobras0%-6%-15%
Materiais Básicos
Vale0%0%-18,2%
Gerdau-3%-3,1%-3,2%
Duratex-8,2%-9,9%-13,7%
Financeiro
Itaú Unibanco-5%-8%-11%
Bradesco-6%-9%-10%
Banco do Brasil -8%-12%-16%
Santander-4%-8%-11%
Financeiro (ex-bancos)
Porto Seguro-9%-13%-15%
SulAmérica-2%-5%-6%
Cielo-2%-4%-5%
Cetip-4%-5%-6%
Alimentos e Bebidas
Ambev-7%-10%-12%
BRF-5%-7%-12%
M.Dias Branco-6%-8%-10%
Industriais e bens de capital
Localiza-3%-4%-5%
Embraer-4%-5%-7%
Iochpe-Maxion-3%-4%-5%
Marcopolo-2%-3%-4%
Randon -3%-5%-6%
Tupy-4%-6%-8%
Mills -4%-6%-7%
Weg-3%-5%-7%
Energia 
Transmissão Paulista-2%-3%-6%
Tractebel-3%-5%-7%
Eletropaulo-2%-3%-6%
Energias do Brasil-5%-7%-9%
Varejo
Lojas Renner-3%-4%-5%
Arezzo-4%-6%-8%
Natura-1%-2%-2%
Cia Hering-2%-4%-5%
Raia Drogasil-3%-4%-6%
Lojas Americanas-2%-3%-4%
Tecnologia e Telecomunicação
Telefônica Brasil-2%-7%-11%
Valid-3%-5%-6%
Linx-5%-6%-8%
Outras
Multiplan-1%-6%-9%
Odontoprev-2%-2%-3%

3) Fim da Lei do Bem
Apesar do governo anterior não ter aprovado a MP 694, que propõe eliminação da Lei do Bem, não seria surpresa se voltasse esse tema, comentaram os analistas do BTG. Nesse cenário, mais uma vez, os setores mais impactados seriam tecnologia e bens de capital, com Embraer sendo a mais afetada por essa medida, podendo a atingir 10% do seu lucro líquido. Confira os papéis mais impactados abaixo:

Impacto como % do Lucro
Embraer10%
Marcopolo6%
WEG4%
Totvs7%
Linx4%

4) Aumento da Cide
Entre as medidas, uma delas pode trazer impacto positivo para duas ações da Bolsa. Diante do impopular retorno da CPMF, o governo pode usar como alternativa para o fiscal o aumento da Cide. Segundo os analistas do banco, quem se beneficiaria desse cenário seriam: as ações da Cosan (CSAN3) e São Martinho (SMTO3).

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Segundo os analistas, cada R$ 0,10 de aumento da Cide, traria um impacto positivo de 3,5% no Ebitda da Cosan e 5%, da São Martinho. Atualmente, a Cide está em R$ 0,10 por litro, contra R$0,28 por litro em 2008. 

Outras medidas que poderiam ser implementadas pelo governo Temer para ajudar no fiscal seriam alterações no Fies e Minha Casa, Minha Vida. No entanto, os analistas acreditam que, se houver mudanças, o impacto será limitado na Bolsa.