Fusões e Aquisições

Arezzo (ARZZ3), de olho no mercado de luxo feminino, compra Carol Bassi

Valor da transação de uma das principais marcas de vestuário feminino de luxo do Brasil foi de R$ 180 milhões, pagos em dinheiro e em ações

Por  Vitor Azevedo -

SÃO PAULO – A Arezzo (ARZZ3) anunciou a compra da marca Carol Bassi, uma das principais de vestuário feminino de luxo do Brasil, por R$ 180 milhões. O valor será pago em dinheiro e em ações, com a maior parte da quantia sendo desembolsada em até um ano após o fechamento da operação – outros 40 milhões poderão ser pagos a títulos de earnout, a depender de metas estipuladas entre 2022 e 2025.

A marca passa, então, a incluir o portfólio da Arezzo, que já conta com nomes como Schutz, Anacapri, Reserva e Baw. “A aquisição da Carol Bassi pela ZZAB está inserida na estratégia da Arezzo&Co de ampliação de seus negócios no setor de moda e varejo, com diversificação de produtos e expansão de marcas em seu portfólio, reafirmando seu posicionamento de uma house of brands”, diz a companhia em seu anúncio.

A Arezzo espera que a marca atinja uma receita bruta de R$ 110 milhões em 2022 e um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) de R$ 32 milhões.

Segundo a varejista, o racional por trás da transação foca em um mercado endereçável de R$ 15 bilhões e busca o “início da consolidação no segmento de varejo de moda feminino, blindando o crescimento e a liderança de outros players nesse mercado”.

A Carol Bassi tem entre seus principais clientes mulheres com mais de 35 anos das classes A e B e, segundo a Arezzo, é muito associada a ocasiões especiais e a festas.

“Fizemos uma pesquisa robusta com mais de 1,5 mil entrevistas por todo o Brasil para avaliar o awareness das principais marcas de moda feminina. A Carol Bassi foi uma das que mais se destacaram e melhor rankearam, sendo identificada com uma grande oportunidade neste mercado”, conta a companhia em comunicado.

Parte da ideia da Arezzo com a aquisição é fortalecer a presença física da marca, abrindo de 15 a 20 lojas nos próximos dois anos. Além disso, a companhia pretende colocar a Carol Bassi no mercado de bolsas e de sapatos, com price points que vão de R$ 890 a R$ 2 mil, e desenvolver um e-commerce para o selo – utilizando, para tudo isso, o seu conhecimento em gestão.

A marca Carol Bassi possui hoje apenas duas lojas físicas, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro – onde possui faturamento mensal de R$ 3,5 milhões. Além disso, está em 90 lojas multimarcas distribuídas por mais de 20 estados do país.

Apesar de a penetração física não ser tão alta, Arezzo aponta como destaque da marca a presença dela no mundo online, que conta com uma “forte comunidade digital” – com mais de 50 grupos que ligam vendedoras com cerca de 8 mil mulheres “classe A” – e com 320 mil seguidores no Instagram.

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Os principais executivos da Carol Bassi, a sócia Ana Carolina Bassi, que dá nome ao selo, e Caio Bassi, administrador e marido da primeira, devem ficar na casa por pelo menos mais cinco anos.

Arezzo em mais uma movimentação na disputa pelo setor de varejo de vestuários

Em junho desse ano, a companhia adquiriu a Baw, marca voltada ao público jovem, e em 2020 havia já comprado a Reserva, esta um pouco mais casual.

Mais recentemente, surgiram comentários – posteriormente negados – de que a companhia buscava a aquisição do Grupo Soma (SOMA3), com quem disputa o mercado brasileiro e para o qual perdeu a disputa pela compra da Hering.

A própria Carol Bassi, segundo comentários, já havia sido procurada anteriormente pelo Grupo Soma, mas a operação foi impedida pela movimentação da a Arezzo.

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