Números de fechamento

Após subir mais de 2% com Fomc, Ibovespa desacelera e fecha em alta de 0,98%: o que explica esse movimento?

Para analistas, decisão sobre juros já era esperada, mas discurso de Jerome Powell trouxe incertezas

Por  Mitchel Diniz

A princípio, o Ibovespa reagiu com ânimo ao desfecho da primeira reunião de política monetária do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos. O índice foi à máxima do dia, com alta de 2,26%, e chegou aos 112.694 pontos. O movimento durou pouco e a Bolsa reduziu ganhos, mas ainda assim conseguiu emplacar uma segunda sessão consecutiva de alta.

O Ibovespa subiu 0,98% no fechamento, aos 111.289 pontos. O volume financeiro negociado no dia ficou em R$ 30,3 bilhões. Mais uma vez, a Bolsa brasileira descolou com vantagem sobre  os índices em Nova York, que amargaram mais uma sessão de perdas.

As ações de maior peso da Bolsa brasileira voltaram a fechar em alta hoje, com destaque mais uma vez para Petrobras (PETR3;PETR4). Os papéis PETR4 fecharam em alta de mais 3%, com o preço do petróleo Brent encostando os US$ 90 no mercado internacional.

O Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc, na sigla em inglês) manteve a taxa básica de juros do país próxima de zero, conforme o mercado já esperava. A decisão foi unânime.

Ainda que tenha mantido os juros inalterados, o Federal Reserve indicou no comunicado que poderá aumentar as taxas pela primeira vez desde dezembro de 2018.

“Com a inflação bem acima de 2% e uma forte geração de empregos, o Fomc espera que em breve seja apropriado para aumentar a faixa-alvo para a taxa de fundos federais”, disse o comunicado.

Foi durante a fala de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, que o mercado perdeu fôlego. O chairman deu uma entrevista coletiva após o anúncio da decisão do Fomc e, segundo analistas, não trouxe alguns esclarecimentos que eram esperados, além de acrescentar algumas incertezas.

“Uma frustração que o mercado teve foi no sentido de que o Powell não sinalizou qual seria o ritmo de elevação de juros no ano que vem. Ele disse que as pressões inflacionárias ainda estão incertas e a gente pode ter vários cenários construídos ao longo do ano sobre elevação de taxa de juros”, afirma Juan Espinhel, especialista em investimentos da Ivest Consultoria.

Luca Mercadante, economista da Rio Bravo Investimentos, destaca o tom de preocupação de Powell com o cenário internacional bastante incerto e uma economia diferente dos ciclos de alta anteriores.

“Em especial o presidente da autoridade ressaltou riscos relacionados a Ômicron e a cadeia de suprimentos, que ainda devem continuar a pressionar a inflação. Em resposta a isso, o Fed deve intervir na economia de forma mais reativa ao cenário internacional”, afirma Mercadante.

Dan Kawa, da TAG Investimentos, observa que Powell levantou a possibilidade de alta de juros em todas as reuniões do Fed em 2022. “São sete até o final deste ano, com o mercado precificando apenas três altas de 25 pontos-base hoje”, escreveu o economista.

Depois que as falas de Powell repercutiram no mercado, os juros futuros que operavam em queda nos contratos mais longos passaram subir e os vencimentos mais curtos ampliaram alta. O DI para janeiro de 2023 subiu 24 pontos-base, a 12,08%; os contratos para janeiro de 2025 avançaram 16 pontos-base, a 11,16%; o DI para janeiro de 2027 subiu 11 pontos-base a 11,24% e no vencimento janeiro de 2029 avançou 12 pontos-base, a 11,42%.

O dólar, que vinha em mais uma sessão de baixa, inverteu sinal: a moeda americana fechou em ligeira alta de 0,11%, a R$ 5,440 na compra e R$ 5,441 na venda.

Em Nova York, as Bolsas também chegaram a um pico de alta após a decisão do Fed, porém minguaram enquanto Powell falava na coletiva. Ao contrário do Ibovespa, os índices não conseguiram se manter em terreno positivo e terminaram mais um dia em baixa.

O Dow Jones fechou em queda de 0,38%, a 34.166 pontos; o S&P 500 fechou em baixa de 0,15%, a 4.349 pontos; e a Nasdaq, que chegou a subir mais de 3% no dia, fechou em ligeira alta de 0,02%, a 13.542 pontos.

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