Após resultados, imobiliárias despencam na bolsa, com MRV caindo 15%

PDG caiu 9,8% e Rossi teve queda de 7,9%; já a Cyrela, que chegou a subir 4,5% no intraday, terminou com recuo de 0,8%

Por  Fernando Ladeira

SÃO PAULO – As ações de duas construtoras chamaram atenção no Ibovespa, em dia de forte volatilidade do mercado: as ações da Cyrela (CYRE3) chegaram a subir até 4,54% no começo da sessão, mas perderam forças e fecharam com queda de 0,84%, aos R$ 14,20. Já a MRV Engenharia (MRVE3) terminou com desvalorização de 15,05%, aos R$ 9,43, depois de amargar perdas de até 15,95% no intraday.

O fato em comum entre as duas companhias é a divulgação do resultado trimestral antes do pregão desta terça-feira. Mas as comparações param por aí, já que a Cyrela viu seu lucro saltar 58,9%, para R$ 118 milhões, enquanto a MRV registrou uma queda de 23,9% nos ganhos, para R$ 116 milhões.

Na ponta negativa, além da MRV, a PDG Realty (PDGR3, -9,83%, R$ 3,67) e a Rossi Residencial (RSID3, -7,88%, R$ 5,96) também acumulam fortes perdas. Ambas apresentaram seu balanço referente ao primeiro trimestre de 2012 antes do pregão desta terça.

Vale mencionar que o Ibovespa registrou uma queda de 2,26%, ao passo que o IMOB, índice que acompanha as ações do setor imobiliário, terminou com variação negativa de 4,0%.

Custos da MRV avançam
A MRV não só marcou uma queda no lucro como frustrou as expectativas dos analistas. O avanço dos custos gerais e administrativos, provocado por itens como gastos adicionais para empreendimentos em fase avançada de construção, para não gerarem atrasos, revisão de premissas orçamentárias e contrapartidas a prefeituras e autoridades, entre outros, pressionou o resultado, escreve em relatório Flávio Ramalho Conde.

“A companhia surpreendeu para baixo em praticamente todos seus indicadores, sofrendo, assim como o setor, da forte elevação nos custos e despesas. Com isso, a sua margem Ebitda (relação percentual entre receita líquida e geração operacional de caixa) perde a casa dos 20%, o que chama atenção de forma mais negativa”, complementa a equipe de análise da XP Investimentos.

PDG Realty e Rossi Residencial têm lucro menor
Ainda no campo negativo, os papéis da PDG Realty dão continuidade ao movimento negativo de segunda-feira, quando os papéis perderam 10,15%, a R$ 4,07, pressionado pela renúncia de diretores. Após o pregão, a companhia revelou um lucro 79% menor, de R$ 49,8 milhões, assim como a Rossi Residencial mostrou uma queda de 43,8% no lucro, para R$ 43,8 milhões.

Para Wesley Bernabé, analista do Banco do Brasil, o principal desafio para a Rossi Residencial é observar se a queda na velocidade de vendas foi evento pontual.

Cyrela recupera margens
Por sua vez, a Cyrela teve um bom início de ano, dando continuidade à estratégia de recuperação da rentabilidade, diz Bernabé “No trimestre, houve crescimento da receita – que havia sido impactada negativamente no 1T11 – e substituição gradativa das obras com menores retornos em função dos custos elevados, o que resultou numa margem bruta de 29,5%, patamar que não observado em 2011”, escreve.

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