Após rali, Morgan Stanley vê menos espaço para ganhos na Bolsa brasileira e muda portfólio

Banco americano diminuiu sua exposição a empresas muito ligadas a juros, vendo as taxas já mais estabilizadas após mudanças

Vitor Azevedo

Bandeira do Brasil (Getty Images)

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O Morgan Stanley mudou um pouco sua visão para a Bolsa brasileira após o rali recente, que começou em meados de novembro do ano passado (e com uma maior fraqueza no início de 2024). Após a alta, com o Ibovespa subindo mais de 10% no período, os analistas do banco americano estão um pouco mais céticos, vendo menor espaço para ganhos e recalculando rotas. 

“A relação de risco-retorno das ações brasileiras mudou com a recente alta, especialmente para algumas ações domésticas”, fala o time, encabeçado por Nikolaj Lippmann. “Ajustamos nosso Portfólio Modelo reduzindo tanto o beta [que mede volatilidade de papéis] quanto a exposição a ações sensíveis às taxas de juros. O mercado de taxas agora parece mais equilibrado.”

A curva de juros brasileira recuou bem durante o rali, acompanhando, majoritariamente, o que foi visto nos Estados Unidos. Após dados macroeconômicos mais fracos na economia do mundo e com autoridades monetárias trazendo discursos mais leves, os treasuries yields, os rendimentos pagos pela dívida pública americana, recuaram, permitindo também um afrouxamento por aqui. 

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“Preocupamo-nos, no entanto, com um potencial atraso no início de um ciclo de alívio nos EUA, que pode ser um obstáculo para o ritmo de mais cortes nas taxas de juros no Brasil. Nossa economista dos EUA, Ellen Zentner, acredita que a inflação básica nos EUA será persistente por mais tempo e que o Fed manterá as taxas estáveis por mais tempo do que o mercado espera”, pondera o Morgan, que enxerga o primeiro corte do Fed vindo só em junho.

De olho nisso, o banco reduziu sua exposição a nomes sensíveis às taxas de juros, tirando Lojas Renner (LREN3), Iguatemi (IGTI11) e B3 (B3SA3) da carteira. 

Hoje, a publicação de que o CPI (índice de inflação ao consumidor, na sigla em inglês) de dezembro, que veio acima do esperado, ajudou a fortalecer a tese de que o Federal Reserve não irá cortar juros já em março. Já no Brasil, o IPCA do último mês de 2023, também acima do consenso, reforçou a tese de que o Banco Central não deve acelerar os cortes da Selic.

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O Morgan acrescentou, do outro lado, JBS (JBSS3), Mercado Livre (MELI34) e Rede D’Or (RDOR3).

“Rotacionamos ainda mais para qualidade, aumentando nossa posição relativa em saúde, bancos de varejo e digitalização”, explicam. “Vemos um caso muito forte para uma transformação externa de longo prazo do Brasil através da expansão de suas fronteiras energéticas e agrícolas, o que poderia adicionar 22-30% às exportações brutas até o final da década, segundo nossos analistas. Acreditamos também que a digitalização no país é uma oportunidade secular preeminente. O Morgan projeta o Ibovespa a 145 mil para o fim de 2024.