Após prejuízo, Brookfield diz que consumirá caixa até 2013

Diretor financeiro da empresa, Cristiano Machado, afirmou que pretende reverter a situação atual de prejuízo em 2014

Publicidade

SÃO PAULO – A Brookfield (BISA3) deve continuar consumindo caixa até 2013, segundo um executivo da empresa, com o aumento nos custos de projetos levando a uma revisão de seu orçamento, o que já influenciou no prejuízo do segundo trimestre.

“A gente vai continuar consumindo caixa e esperamos que essa situação se reverta em 2014”, disse nesta quarta-feira (15) o diretor financeiro Cristiano Machado, em teleconferência com analistas.

A Brookfield consumiu R$ 230 milhões do caixa entre abril e junho, período em que teve prejuízo líquido de R$ 383,5 milhões, ante lucro de R$ 78,2 milhões um ano antes, em meio a reconhecimento de custos adicionais e reversão de receitas.

A empresa concluiu uma revisão de todos os seus projetos, o que levou a um ajuste de orçamento de R$ 316,9 milhões e gerou impacto negativo de R$ 295,8 milhões no lucro líquido, sem efeito caixa. Os ajustes refletem a integração de três empresas com diferentes processos e sistemas de tecnologia em uma plataforma operacional única, afirmou a Brookfield no balanço.

De todo modo, Machado ressaltou que o consumo de caixa é administrável, principalmente pela expectativa da entrada de recursos com a oferta de ações anunciadas nesta terça. “Estamos confortáveis com o consumo de caixa que estamos tendo. Esse aumento de capital nos deixa confortáveis, mesmo aumentando o nível de alavancagem”, disse.

A Brookfield espera obter R$ 400 milhões com a emissão de 130,7 milhões de novas ações, ao preço de R$ 3,06 cada. Segundo o presidente da Brookfield, Nicholas Reade, a empresa considerou um aumento de capital maior, mas concluiu que não era necessário.

Continua depois da publicidade

“Esse é o valor que nos permite terminar o ano com caixa suficiente para pagar as dívidas que vencem no ano que vem e para fazer frente ao nosso ritmo de desenvolvimento dos projetos e terminar 2013 com caixa que consideramos satisfatório”, disse.

Revisão de metas
A Brookfield também reduziu suas projeções para 2012 devido a atrasos em aprovações de projetos e baixo volume de lançamentos no primeiro semestre.

A incorporadora agora tem meta de lançamentos e vendas na faixa de R$ 3 bilhões a R$ 3,5 bilhões, ante perspectiva anterior que definia os pontos médios de ambos os itens em R$ 4,5 bilhões e R$ 4,2 bilhões, respectivamente.

Continua depois da publicidade

Ainda assim, Reade demonstrou otimismo. “Esperamos que a taxa atual de crescimento do setor, apesar de menor, resulte em perspectivas mais saudáveis para o longo prazo”.

A empresa teve lançamentos de R$ 358,1 milhões no segundo trimestre, tombo de 52% sobre o mesmo período do ano passado. Já as vendas contratadas somaram R$ 737,3 milhões, recuo anual de 32,2%.