Após falas de CEO, Alpargatas (ALPA4) salta 18% em 2 pregões e destoa do restante das varejistas

Companhia tem seu segundo dia consecutivo de alta relevante, após JP Morgan detalhar encontro com Roberto Funari em relatório

Vitor Azevedo

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As ações preferencias da Alpargatas (ALPA4) subiram 7,18% nesta sexta-feira (26), a R$ 22,40, mesmo com a maioria das companhias de varejo e consumo registrando fortes quedas nesta sessão. Na véspera, a ação já tinha subido mais de 10%. Ou seja, em apenas dois pregões, os ativos saltaram 18%.

A dona da Havaianas continua em um rally que começou após o JP Morgan, em relatório, dar detalhes sobre um encontro com o diretor presidente (CEO) da companhia, Roberto Funari, em evento com empresas do setor de consumo de capital aberto. O executivo acalmou os ânimos dos especialistas quanto a alguns pontos que a Alpargatas trouxe em seu resultado do segundo trimestre e que frustraram as expectativas do mercado.

Com isso, a ação da companhia avança mais uma vez na sessão enquanto as outras empresas de consumo têm baixa, com ALPA4 reduzindo a defasagem em relação a outros ativos do setor que vêm mostrando forte desempenho nas últimas semanas.

“A empresa não deu nenhum guidance na frente internacional, mas, no geral, vê o crescimento dentro dos planos”, abre o banco americano no documento publicado nessa quinta.

De acordo com o CEO, a Europa, após o segundo trimestre, tinha bons níveis de estoque, o que ajudou a capturar a demanda sazonal do verão. Já a Ásia, impactada por bloqueios na China, viu as vendas aumentarem com a reabertura. Os Estados Unidos, por fim, tem um ambiente desafiador devido à mudança da forma de vendas na plataforma da Amazon, mas compensado por tendências positivas em varejistas especializadas e pelo lançamento do site próprio da Alpargatas.

Os volumes de vendas na operação internacional da Alpargatas caíram 5% entre abril e junho na comparação ano a ano, enquanto a receita líquida caiu 2% considerando câmbio constante. Em termos consolidado, incluindo Brasil, o volume recuou 5%, mas a receita cresceu 9% – em parte por conta da capacidade da Alpargatas em repassar preços.

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“Nas operações no Brasil, a marca Havaianas continua crescendo em volumes e com um ticket médio mais alto devido a efeito preço cheio, com o lançamento de uma nova coleção em julho, e com o aumento de preços para os distribuidores”, pontua o JP Morgan. “O Sr. Funari está confiante com o poder de precificação da companhia Alpargatas, uma vez que a empresa conseguiu repassar 117% da inflação de seus custos versus 70% de outras multinacionais”.

O banco americano ainda destaca que a Havaianas está se reorganizando em sua produção e logística, remodelando suas fábricas na busca de diminuir ineficiências de estoque. Segundo o presidente da companhia, a Alpargatas espera ver o resultado dos esforços aparecerem até o primeiro semestre de 2023, com ganhos de margens de até dois pontos percentuais.

A Alpargatas, neste ano, está investindo R$ 630 milhões para ampliar suas fábricas, para melhorar sua malha logística e avançar em tecnologia de produção.

“Olhando para a estratégia internacional, a ambição da Alpargatas continua sendo dobrar sua participação no mercado de sandálias, atingindo 10% de participação”, pontua o JP Morgan. “Além do core, o foco principal é o segmento de sandálias. A empresa vê os volumes sendo menores, mas os preços são de seis a oito vezes mais altos do que um chinelo comum”.

O JPMorgan tem recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para ALPA4, com preço-alvo de R$ 26 para o fim de 2023, o que configura um potencial de valorização de 24,4% em relação ao fechamento da véspera.

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