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SÃO PAULO – Por Lei, os medicamentos genéricos devem ser, no mínimo, 35% mais baratos do que o remédio de referência. Contudo, apesar desta vantagem para o bolso e da garantia dos órgãos de saúde da eficácia e qualidade destes, a população brasileira ainda prefere pagar pela marca.
De acordo com o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Dirceu Raposo, desde o início de sua aplicação, em 1999, até hoje, os medicamentos genéricos representam 18% do mercado farmacêutico nacional. Em países como Estados Unidos e Europa, por exemplo, a participação dos remédios mais baratos equivale a 50%.
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Raposo considera o percentual brasileiro positivo, visto que a prática ainda é recente no País. Por outro lado, ela seria bem maior se médicos e farmacêuticos fizessem menção ao genérico.
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“É importantíssimo que o médico, ao prescrever, deixe claro que qualquer um destes dois tipos de medicamentos pode atender à necessidade de tratamento. Para que o paciente saiba que tem à disposição medicamentos com a mesma qualidade, eficácia e segurança que o de marca, o que na maioria das vezes, custa mais caro”, disse, conforme publicado pela Agência Brasil.
Opinião semelhante à de Raposo possui o presidente da Pró-Genéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos), Odnir Finotti.
“Existe uma regulamentação sanitária que diz que o médico é quem deve receitar medicamento. E, na farmácia, quem pode dispensar ou substituir por um genérico é o farmacêutico. Se essa legislação fosse cumprida, certamente o genérico teria muito mais participação. Considerando o apelo que ele tem, de funcionar como produto de referência, mas com um preço em média 50% mais barato, não usar o genérico, se disponível, não é nem sensato. É jogar dinheiro fora mesmo”, avalia.
Consumidor
Uma pesquisa realizada pelo Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais constatou que a população brasileira ainda tem dúvidas a respeito da qualidade do medicamento genérico. Em Belo Horizonte, por exemplo, apenas 20,4% dos consumidores preferem este tipo de medicamento, contra 58,7% que optam pelo de marca.
Além disso, apurou o estudo, apesar de 95,4% dos balconistas confiarem no remédio mais barato, somente 48,9% costumam oferecê-lo aos clientes. Por sua vez, o próprio consumidor não tem o hábito de perguntar sobre a disponibilidade do genérico, já que apenas 37,2% o solicitam.
“Ele ainda está refém do mercado. Ainda não tem o costume, não criou o hábito ou o conhecimento suficiente para cobrar, no consultório médico, que o medicamento prescrito seja no nome genérico. Ou então, para fazer o mesmo na farmácia e cobrar se, de fato, existe genérico. Essa posição do consumidor é definidora dessa situação”, explica o diretor do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais e vice-presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos, Rilke Novato.
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O que vem por aí?
Segundo a Pró-Genéricos, desde 1999 já foram registrados 2.600 produtos genéricos em farmácias, o que significa tratamento para cerca de 90% das doenças do dia-a-dia. Agora, os próximos alvos são as doenças respiratórias, como a asma, que logo contará com medicamentos para o tratamento da doença a preços mais acessíveis.
“Estamos trabalhando com a possibilidade de a Anvisa criar a regulamentação de medicamentos, por exemplo, para asma. As chamadas bombinhas estão sendo criadas, assim como produtos para rinite alérgica, os sprays nasais”, relatou Finotti.
Além destes, nos próximos anos, segundo o diretor-presidente da Anvisa, os brasileiros também encontrarão versões mais baratas do Viagra e de medicamentos para o sistema nervoso central.