Ânima (ANIM3) tem derrocada de quase 18%%, Tupy (TUPY3) e Rede D’Or (RDOR3) caem forte: a reação do mercado aos resultados

Outras ações, como da Rede D'Or, Espaçolaser e Dotz, também repercutem a reta final da temporada de balanços do 4º tri

Felipe Moreira | Lara Rizério

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A sessão foi novamente movimentada para as ações de empresas que soltaram resultado na véspera.

O grande destaque dos resultados nesta terça-feira (28) ficou para a derrocada das ações da Ânima (ANIM3), que fechou a sessão com perdas de 17,82%, a R$ 2,72. Na sequência, Tupy (TUPY3) teve baixa de 5,01%, a R$ 23,91, ainda que tenha havido uma visão mais mista sobre os resultados, enquanto Rede D’Or (RDOR3) caiu 4,85%, a R$ 20,00.

Espaçolaser (ESPA3) aprofundou as quedas durante a tarde e fechou com baixa de 6,14%, a R$ 1,07 (também levando em conta a volatilidade pelo baixo valor de face dos ativos), enquanto Dotz (DOTZ3) – com as ações valendo centavos – virou para ganhos e fechou com alta de 4,71%, a R$ 0,89. Saraiva (SLED4) teve queda de 4,12%, a R$ 0,93.

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Dexxos Par (DEXP3) subiu 8,70%, a R$ 7,62, Bradespar (BRAP4) fechou em alta de 1,79%, a R$ 26,17, enquanto ClearSale (CLSA3) fechou em alta de 1,55%, a R$ 5,23.

Confira as análises dos resultados que mais chamaram a atenção dos analistas de mercado:

Ânima (ANIM3)

A Ânima (ANIM3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 210,7 milhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), revertendo prejuízo de R$ 92,3 milhões no quarto trimestre de 2021. Sem levar em conta os ajustes, o lucro líquido foi de R$ 169,4 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 152,8 milhões do último trimestre de 2021.

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O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado totalizou R$ 178,7 milhões no 4T22, um crescimento de 12,3% em relação ao 4T21.

A receita líquida somou R$ 845,1 milhões no quarto trimestre deste ano, uma redução de 0,4% na comparação com igual etapa de 2021.

A XP avalia que a Ânima apresentou um resultado negativo no 4T22, com lucro líquido ajustado de R$ 211 milhões devido a créditos tributários de R$ 375 milhões.

A base de alunos de ensino acadêmico refletiu os números do 3T22, mas os ajustes mistos de tickets médios resultaram em um desempenho estável da receita líquida, com a Inspirali sendo o destaque positivo. A margem Ebitda ajustada aumentou no ano devido a melhorias de custos e despesas com pessoal e PDD, que compensaram o impacto negativo de outras linhas.

“Apesar de não mudar a nossa visão positiva de longo prazo em relação à ação, esperamos uma reação negativa do mercado no curto prazo devido aos resultados negativos”, destacou a XP antes da abertura do mercado. Os analistas da casa têm recomendação de compra para a ação.

Também para o Itaú BBA, a Ânima reportou resultados fracos e piores do que esperado no quarto trimestre. “A receita ficou praticamente estável na comparação anual impactada, principalmente, pela queda na base de alunos do segmento presencial e pela dinâmica mais desafiadora para ticket (preço)”, explica.

Além disso, segundo BBA, a rentabilidade foi impactada por alguns efeitos não-recorrentes, que tornaram o resultado difícil de ler. Apesar disso, o banco manteve recomendação de compra para Ânima, com preço-alvo de R$ 6 ao fim de 2023.

Na mesma linha que o BBA, o Bradesco BBI avaliou os resultados da Ânima como fracos e abaixo do esperado, com números sendo impactados por ajustes/apropriações de receitas (e custos) em relação ao 3T22.

O Ebitda ajustado da Ânima cresceu 12,4% na base anual, mas veio 13% abaixo das expectativas do BBI, com margem Ebitda expandindo 2,4pp para 21,1% (2,2pp abaixo das projeções BBI). A margem bruta, por sua vez, recuou 1,9 pp, “impulsionada principalmente pelos custos relacionados à retomada do atendimento presencial”, explica BBI.

Já as despesas com vendas melhoraram 5,3 pp para 13,5% da receita líquida, “impulsionadas pelas provisões para devedores duvidosos, devido à equalização de metodologias que aumentaram as provisões durante o 4T21 nas unidades em integração” destacam analistas do BBI.

BBI também manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 8.

O JPMorgan, por sua vez, destacou que o consumo de caixa em 12 meses piorou para cerca de R$ 400 milhões, em comparação com R$ 309 milhões em 12 meses até o terceiro trimestre de 2022, sendo as despesas líquidas de juros de R$ 558 milhões no ano as principais responsáveis pelo consumo de caixa.

O banco americano manteve recomendação neutra para os papéis da Ânima.

Rede D’OR (RDOR3)

A Rede D’OR (RDOR3) reportou lucro líquido de R$ 282,5 milhões no quarto trimestre de 2022, queda de 32,7% na comparação com igual período do ano imediatamente anterior, quando chegou a R$ 419,5 milhões. Segundo a companhia, os resultados ainda não contemplam o consolidado com SulAmérica, uma vez que a incorporação foi concluída em 23 de dezembro.

De outubro a dezembro do ano passado, o Ebitda foi de R$ 1,216 bilhão, recuo anual de 3,6%. A margem Ebitda atingiu 21,1% contra 24,6% na mesma base de comparação, 3,4 p.p menor. Sob a base ajustada, o Ebitda chegou a R$ 1,353 bilhão, um aumento de 5,3% ante o registrado no quarto trimestre de 2021.

Na avaliação do Itaú BBA, a companhia eportou números do quarto trimestre mais fracos do que o esperado. A empresa apresentou menor volume, o que é natural devido à sazonalidade, porém uma queda sequencial inesperada de 1,3% no preço (ticket) médio (excluindo oncologia) chamou a atenção da casa, já que estava aguardando uma alta. “Reiteramos nossa
recomendação neutra (desempenho em linha com a média do mercado, ou marketperform) para RDOR3, com preço-alvo de R$ 32 ao fim de 2023”, aponta.

Além disso, embora tenha visto alguma desalavancagem operacional (assim como esperado), ela acabou sendo ainda maior do que estávamos esperando, com uma série de custos aumentando como porcentual da receita líquida, o que levou a pressões de rentabilidade e um resultado operacional que ficou bastante abaixo do que tínhamos projetado.

Do lado da SulAmérica, houve aumento de 5,3 pontos porcentuais (pp) no trimestre na sinistralidade total, também
acima das expectativas do BBA.

“Os resultados da RDOR3 no 4T22 foram fracos, bem abaixo de nossas estimativas que já eram conservadoras (houve recuo de 10% no Ebitda individual da RDOR3, e piora de 7,5 pontos percentuais no índice de sinistralidade da SulAmérica, que sozinha apresentou um prejuízo líquido de R$ 315 milhões”, destaca o Bradesco BBI, que também aponta outros números abaixo do esperado.

O crescimento da receita individual da RDOR3 de 12% em relação ao ano anterior decepcionou (ficando 2% abaixo da estimativa do BBI) com ticket médio (excluindo oncologia) e leitos operacionais caindo 1,3% e 1,5% em base trimestral, respectivamente. A margem Ebitda caiu 3,7 pontos no trimestre para 21% (2 pontos abaixo da estimativa do banco) devido à alavancagem operacional e maiores custos de Covid-19. O índice de sinistralidade da SulAmérica deteriorou 5,3 pontos no trimestre para 92,5% (versus estimativa do banco 85,0%) apesar dos contínuos aumentos de preço (o ticket médio cresceu aproximadamente 4,5% no trimestre).

Do lado positivo:, o BBI aponta que: (i) a RDOR3 espera que o ticket médio (incluindo oncologia) cresça trimestralmente 5,8% no 1T23, para R$ 10,2 mil, o que ficaria 3% acima da estimativa do banco; e (ii) a RDOR3 espera ganhos iniciais de sinergias com SulAmérica de R$ 335 milhões (com base nos custos dos últimos 12 meses), o que ficaria apenas 27% abaixo das estimativas de sinergias líquidas de impostos do BBI de R$ 301 milhões para 2024. Portanto, os analistas da casa acreditam que as sinergias finais devem atender às suas expectativas.

“Em suma, vemos alguns riscos negativos nos ganhos de 2023 principalmente devido à SulAmérica (83,7% de sinistralidade contra 88,5% em 2022), mas mantemos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38,00 para 2023, com base no atrativo valuation”, afirmam os analistas.

Dotz (DOTZ3)

A plataforma de engajamento omnichannel Dotz (DOTZ3) registrou prejuízo de R$ 30,5 milhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), um aumento de 25% em relação ao mesmo trimestre de 2021.

A receita líquida somou R$ 38 milhões no quarto trimestre de 2022, um crescimento de 11% sobre o quarto trimestre de 2021.

Conforme avaliação do Itaú BBA, o resultado da companhia foi ligeiramente negativo, com uma receita líquida positiva, mas com despesas gerais e administrativas mais fortes pressionando o Ebitda o lucro líquido.

A empresa também mostrou expectativas positivas para 2023, com expectativa de registrar um equilíbrio de Ebitda ao longo do ano. O ARPU (Average Revenue Per User significa a receita média por cliente) da empresa atingindo R$ 38, alta de 23% ano a ano e 13% no trimestre (versus queda de 12% na base trimestral no 3T22).

O faturamento total foi de R$ 83 milhões, 23% superior ao ano anterior e 6% acima do número do BBA.

“O segmento de fidelidade foi o principal impulsionador desse desempenho, em campanhas promocionais com bancos e Vivo. A receita líquida antes dos custos de resgate ficou 5% acima da nossa estimativa. A Dotz continua focada em expandir sua presença no varejo off-line e aumentar suas ofertas TechFin para impulsionar o crescimento futuro”, apontam os analistas.

O Credit Suisse destacou o resultado como neutro, mas com uma possível indicação positiva de equilíbrio do Ebitda em 2023.

Tupy (TUPY3)

A Tupy (TUPY3), do ramo de metalurgia, obteve lucro líquido de R$ 56,4 milhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), montante 7,8% inferior ao reportado no mesmo intervalo de 2021, informou a companhia nesta segunda-feira (27).

O Ebitda ajustado totalizou R$ 250,3 milhões no 4T22, um crescimento de 22,8% em relação ao 4T21.

A Tupy ainda informou que, conforme deliberado pelo Conselho de Administração, serão pagos, a partir de 17 de outubro de 2023, Juros sobre Capital Próprio (JCP) no montante de R$ 41,36 milhões, correspondente a um valor bruto de R$ 0,28693653332 por ação. O pagamento será realizado com retenção de 15% de imposto de renda na fonte, resultando no valor líquido de R$ 0,24389605332. O pagamento será realizado aos acionistas com posição no papel em 28 de abril de 2023. Assim, os ativos ficarão “ex-JCP” a partir do dia 2 de maio.

Na avaliação da XP, a Tupy divulgou resultados neutros para o 4T22 (o primeiro trimestre incluindo a aquisição da MWM, incorporada em dezembro de 2022), com Ebitda ajustado de R$ 250 milhões em linha com as estimativas da casa.

“Apesar da sazonalidade mais fraca natural do 4T, a Tupy conseguiu registrar uma melhoria de receita anual (receita comparável de +14% ano a ano), impactada positivamente por (a) preços mais altos (receitas unitárias de +10% ao ano) e um (b) desempenho relativamente melhor dos mercados externos (volumes +7% ano a ano), refletindo principalmente um cenário de demanda positiva na América do Norte.

Em termos de rentabilidade, a margem Ebitda ajustada ficou pressionada em 9,7% (-0,2 ponto percentual frente o 4T22), principalmente devido a: (a) um menor nível de rentabilidade da MWM; e (b) um custo não recorrente relacionado à reconstrução do sistema de fundição em uma unidade de produção no México (R$ 41 milhões no 4T22). “Reiteramos nossa recomendação de compra para Tupy”, aponta a XP.

Para a Genial Investimentos, a empresa reportou um resultado positivo, com operacional e receitas acima das nossas expectativas e do mercado. “Importante ressaltar que o lucro líquido e o Ebitda foram impactados negativamente por despesas não recorrentes que totalizaram aproximadamente R$ 44 milhões. O resultado divulgado contabilizou apenas o mês de dezembro da MWM do Brasil, com receita líquida de R$ 246 milhões e margem Ebitda de apenas 3%”, destaca.

O trimestre foi marcado positivamente por uma boa geração de caixa operacional R$ 426 milhões, puxado pela melhora do ciclo de conversão de caixa. Outro destaque positivo foi o bom volume de vendas no mercado local no segmento de pesados, puxado pelo efeito de pre-buy dos caminhões antes da entrada do Euro 6.

A surpresa negativa do 4T22 foram as margens da MWM do Brasil. “Entendemos que esse resultado foi influenciado por fatores sazonais e impactos pontuais nos volumes. Se na parte de blocos, a chegada do Euro 6 ajudou, na parte de montagem, a mudança da tecnologia de motores atrapalhou o volume de entregas”, avalia a Genial.

ClearSale (CLSA3)

A ClearSale (CLSA3reportou lucro líquido de R$ 5,2 milhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), revertendo prejuízo líquido de R$ 44,3 milhões do mesmo intervalo de 2021.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 13,1 milhões no 4T22 ante Ebitda negativo de R$ 31,2 milhões no 4T21.

A receita líquida somou R$ 151 milhões no quarto trimestre deste ano, crescimento de 15,1% na comparação com igual etapa de 2021.

Na avaliação do Itaú BBA, depois de vários trimestress bem desafiadores, o resultado foi bem positivo (pela segunda vez seguida), com aceleração de receita e forte melhoria de margem bruta e Ebitda, com todos os números vindo acima do esperado pelo banco.

Além disso, a geração de caixa operacional também foi positiva. “Dito isso, a queima de caixa total (FCF) de quase 38 milhões foi pior que o esperado e mostra que a companhia ainda tem desafios”, aponta. Os analistas, contudo, destacam terem gostado do que viram e o viés ficou mais positivo com o papel. No momento, contudo, segue com recomendação marketperform para os ativos.

Já o BofA celebrou as tendências de geração de receita e evidências de disciplina de custos no 4T22, o que deve sustentar um bom momento de ganhos e melhores margens daqui para frente. “Mantemos nosso rating de compra com perspectiva encorajadora e bom potencial de valorização ante nosso preço-alvo de R$ 7,60”, aponta.

Espaçolaser (ESPA3)

A Espaçolaser (ESPA3) reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 12,9 milhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), revertendo lucro de R$ 23,5 milhões no quarto trimestre de 2021.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 33,8 milhões no 4T22, uma redução de 39% em relação ao 4T21.

Os analistas do Santander avaliam que a Espaçolaser reportou um 4T22 negativo, como esperado, com um declínio acentuado na lucratividade que deve ofuscar algumas notícias positivas na receita.

Houve aumentos significativos nas vendas. Contudo, os analistas da casa veem essa aceleração foi impulsionada por estratégias de marketing agressivas que estão resultando em um declínio acentuado na lucratividade.

“Em nossa visão, os próximos trimestres podem apresentar algumas melhorias de margem, uma vez que essa aceleração de vendas é reconhecida como receita. Ainda assim, gostaríamos de ver algumas melhorias sequenciais e tangíveis antes de assumir que esta é uma tendência sustentável. Com o recente aumento de capital, a liquidez de curto prazo não está em risco, mas a dívida líquida sobre Ebitda de 3,1 vezes no 4T22 continua sendo um tema a ser monitorado”, afirma o Santander.