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SÃO PAULO – “Estamos surpresos com a rapidez da decisão do ministro”. A frase é do presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), Cládio Conz, após o anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, da prorrogação do desconto do IPI para material de construção até 31 de dezembro. A desoneração estava prevista para terminar em junho.
Apesar da surpresa, o setor comemora a decisão, pois estava havendo uma desordem no setor, por conta da antecipação das compras, principalmente em razão do programa Minha Casa, Minha Vida. “A antecipação das compras para obras do programa do Governo, para aproveitar a desoneração do setor, poderia causar falta de produto e consequente aumento de preço”, revela Conz. “Na última sexta-feira, em almoço com o ministro e entidades do setor, mostramos o efeitos positivos de uma prorrogação da desoneração e a resposta foi muito rápida”, completou.
Em números
A Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) também reivindicava que a redução do IPI no setor fosse prorrogada. Os argumentos usados eram a melhora nas vendas do varejo durante o período do benefício fiscal.
De acordo com os último números da associação, entre o primeiro trimestre de 2009 e 2010, houve crescimento de 12,5% nas vendas de material de construção e uma alta de 11% em março deste ano, frente ao mesmo período de 2010, e de 12% na comparação com fevereiro.
Na última semana, após a 18ª Feicon (Feira Internacional da Indústria da Construção), Mantega havia afirmado que ainda não era possível falar em prorrogação da redução do IPI, mas concordava que os resultados da desoneração eram excelentes. “Nós estamos com um boom de construção e, há muito tempo, isso não acontecia no Brasil. Esse setor ficou estagnado durante muitos anos e, agora, as perspectivas são excelentes”, afirmou na ocasião.
Histórico
Adotada em abril de 2009, dentre uma série de medidas fiscais do governo para estimular a economia, a redução deveria valer por seis meses, mas foi prorrogada, em dezembro, para até junho deste ano. Agora, a desoneração valerá até o final do ano.