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Analistas enxergam resultado forte na PetroRio, com recorde de receita e integração de campos

Analistas consideraram que os números trazem boas perspectivas para a empresa, que vive um momento de valorização do petróleo e conclusão de projetos

SÃO PAULO – Os analistas consideram que o resultado da PetroRio (PRIO3) no segundo trimestre foi positivo, com destaque para a receita recorde, a conclusão da integração entre campos importantes, a valorização do petróleo e custos menores.

As ações PRIO3 sobem 1,31% a R$ 17,82 às 15h41 (horário de Brasília) desta terça-feira (3).

O lucro líquido da PetroRio sem IFRS-16 (mudança nas regras contábeis para registro de itens como arrendamento) foi de R$ 304,6 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 76,2 milhões apurado em igual período do ano passado. Com IFRS, esse valor foi de R$ 420,9 milhões.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado da petroleira sem IFRS chegou a R$ 642,9 milhões no trimestre encerrado em junho, salto de 267% na comparação anual. Com IFRS, o Ebitda ajustado foi de R$ 725,728 milhões, o que representa um crescimento de 249% ante o segundo trimestre de 2020.

A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 1 bilhão, aumento de 228% no ano a ano e maior patamar da história da companhia. Com IFRS, o faturamento foi de R$ 1,023 bilhão, alta de 228% na base anual.

Para a equipe de análise da Levante Ideias de Investimento, o resultado alcançado pela companhia foi muito forte, com um excelente controle de custos, além de vir junto com a interligação (tieback) dos campos de Polvo e Tubarão Martelo. “Isso proverá uma eficiência na produção com economia de cerca de milhões de dólares ao ano”, escreve a Levante.

Já os analistas Vicente Falanga e Gustavo Sadka, do Bradesco BBI, destacam que o Ebitda foi em linha com as projeções do banco e do consenso do mercado, representando um avanço considerável ante o reportado no mesmo período do ano passado.

Esse crescimento poderia ser majoritariamente explicado pelo maior volume de vendas de 2,837 milhões de barris – número 47,2% maior que o do primeiro trimestre – e em menor extensão pelo preço médio de vendas de US$ 66,80 por barril – alta de 7,5% na comparação com o trimestre anterior.

O Bradesco BBI espera que no próximo semestre o ímpeto operacional da companhia aumente ainda mais como resultado de três fatores: valorização do barril do petróleo tipo Brent para mais de US$ 70; volumes chegando a 3 mil/3,5 mil barris vendidos, o que reflete melhor a produção diária da empresa; e o tieback entre os campos de Polvo e Tubarão Martelo (concluído em julho de 2021), que a empresa espera gerar uma redução de US$ 50 milhões nas despesas operacionais anuais.

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Além disso, os analistas ressaltam que a companhia conseguiu atingir metas de crescimento na produção, que se somaram a ganhos de eficiência tais quais o reconhecimento de 168 milhões de barris em recursos 2C do campo de Wahoo, a perfuração do poço Eoceno em Polvo representando uma produção incremental de aproximadamente 2,5 mil barris por dia, e a contratação de uma plataforma de petróleo para ser usada na parada do Frade e durante o Desenvolvimento do Wahoo.

Para a equipe do banco, a agenda de fusões e aquisições pode se aquecer no curto prazo, com possível compra de uma fatia de 35,7% na Wahoo atualmente controlada pela IBV, de modo que a PetroRio ficaria com 100% do campo, e a vitória da empresa nas licitações em Albacora e Albacora Leste, que resultaria na companhia obter participações em campos maduros com muito espaço para criação de valor através de iniciativas de recuperação.

“Este último, no entanto, deve encontrar muita concorrência e acreditamos que os consórcios que licitam para ambos os ativos (o que provavelmente não é do interesse da PRIO), podem ter a prioridade de vencer”, ressalva o relatório.

A recomendação do Bradesco BBI para as ações PRIO3 é outperform (desempenho esperado acima da média do mercado) com preço-alvo estimado em R$ 25,00, o que corresponde a uma valorização de 42,13% ante o patamar de fechamento desses papéis na segunda-feira (2).

Os analistas André Hachem, Leonardo Marcondes, João Paulo Nasser, Gustavo Troyano e Renan Moura, do Itaú BBA, por sua vez, escrevem em relatório que com a conclusão do tieback dos campos de Polvo e Tubarão Martelo o mercado deve começar a focar mais na estratégia de crescimento inorgânico da empresa, notadamente operações de fusões e aquisições.

Sobre o resultado, um dos destaques apontados pelo Itaú vai para os gastos, pois somando custos sobre mercadorias vendidas (Cogs, na sigla em inglês), pagamento de royalties e despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A, na sigla em inglês), chega-se a um total de R$ 297 milhões no segundo trimestre, abaixo da previsão do banco, que era de R$ 320 milhões no período.

Por outro lado, o custo de extração foi de US$ 14,20 por barril, valor negativamente afetado pela paralisação do poço TBMT-8H no campo de Tubarão Martelo e pela parada para manutenção nesse campo e no de Frade.

Na outra ponta, o início de operações no poço POL-K, no campo de Polvo e a redução de custos operacionais tanto em Polvo como em Tubarão Martelo impactaram positivamente o custo de extração da PetroRio, de acordo com o Itaú, ofuscando os efeitos negativos e mantendo o indicador praticamente estável em relação aos US$ 14,30 por barril no primeiro trimestre.

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Por fim, os analistas do banco lembram também das operações financeiras de hedge (proteção) contra as variações no preço do petróleo. “Segundo a empresa, o volume total protegido é de aproximadamente 4,3 milhões de barris, a um preço médio de exercício de US$ 67,50 por barril. O volume corresponde às vendas precificadas em junho e julho, incluindo 100% das vendas programadas para serem precificadas entre agosto e setembro e 50% das programadas para outubro”, escreve a equipe do Itaú BBA.

O banco tem uma recomendação outperform para as ações da PetroRio, com preço-alvo projetado de R$ 22,00, o que significa um upside de 25,07% sobre o fechamento de segunda.

Segundo dados compilados pela Refinitiv, os papéis da PetroRio acumulam cinco recomendações de compra, uma recomendação neutra e nenhuma de venda entre bancos, corretoras e casas de análise que acompanham a empresa. O preço-alvo médio é de R$ 22,62 para as PRIO3, o que representa uma valorização de 28,6% sobre o nível de fechamento de segunda-feira.

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