AmBev (ABEV3): frequência em bares caiu depois do “boom” pós-pandemia e pode impactar indústria de cerveja, diz BBA

Reunião de analistas com grande proprietário de bares brasileiro evidenciou riscos de mudança de hábitos dos consumidores

Camille Bocanegra

Publicidade

Após um boom inicial logo após a reabertura da economia pós-COVID, que aumentou a frequência em bares por 6 a 9 meses, a frequência nos estabelecimentos reduziu para patamares até 15 a 20% menores que os registrados no período pré-pandemia.

De acordo com relatório do Itaú BBA sobre reunião com um grande proprietário de bares (que possui mais de 40 estabelecimento e receita líquida de R$ 200 milhões) com foco na Ambev (ABEV3), isso pode ser motivado tanto por preços mais altos da cerveja quanto por mudanças nos padrões de consumo.

Na análise, o banco destacou que, apesar dos riscos, a visão foi positiva e que há grandes chances de para um ambiente corporativo favorável.

Treinamento Gratuito

Manual dos Dividendos

Descubra o passo a passo para viver de dividendos e ter uma renda mensal previsível, começando já nas próximas semanas

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Sem “happy hour”

Um dos principais riscos apresentados para o nome é a mudança no padrão de consumo, especialmente apresentado pelas gerações mais jovens. Na visão do proprietário de bares, os mais novos não tem demonstrado frequência alta em “happy hours”, que também foram prejudicados pelo trabalho em casa.

A diminuição na frequência também pode ser explicada pelos valores mais elevados que a cerveja tem apresentado, forçando consumidores a trocar seu consumo em bares pela compra em supermercados.

“Isso pode forçar a indústria de bares a ajustar seu formato para evitar perder relevância, o que é preocupante, pois esse segmento geralmente tem margens mais altas para a indústria de cerveja do que os supermercados (estimamos 15 pp a mais)”, explica o BBA.

Continua depois da publicidade

Competição com Heineken

Em relação à maior competidora, a Heineken, a visão é que a AmBev foi capaz de criar marcas que podem competir com o carro-chefe da concorrente. A criação da Becks e da Spaten mostrou-se como acertada, com a finalidade de substituir do principal produto da Heineken.

Outro ponto relevante é que o preço da cerveja principal da Heineken aumentou cerca de 15% e deve subir ainda mais no futuro. Uma das razões para o aumento seria o perfil de “premium” que a marca sempre ostentou.

“A empresa Heineken pode tentar desenvolver outras marcas como Lagunitas e Blue Moon no mercado premium como alternativas”, entende o BBA sobre a questão.

Já no segmento mainstream, o crescimento tem ocorrido junto com a Amstel. O mesmo não tem ocorrido com a marca Tiger, pois a aceitação junto aos consumidores tem trazido desafios significativos.

O Itaú BBA tem recomendação outperform (com performance acima do índice de referência, similar a compra) para ABEV3, com preço-alvo de R$ 21,00 ao final de 2024.