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SÃO PAULO – De acordo com a Cepal (Comissão Econômica para América Latina) da ONU (Organização das Nações Unidas), todas as políticas de distribuição de renda podem ficar comprometidas diante da crise dos alimentos.
Segundo a comissão, se não houver mudanças no atual modelo, o que se espera para os próximos dez anos é uma evolução da crise atual, para o que os estudiosos batizaram de “choque alimentar”, em função do qual milhões de pessoas poderão enfrentar “fome aguda”.
Repercutindo os dados, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) concorda que o aumento do preço dos alimentos, principalmente os básicos, como feijão, milho, trigo e arroz, vitime, especialmente, a população de baixa renda, e coloque em risco o esforço feito nos últimos sete anos por vários governos para diminuir a pobreza mundial. Entretanto, ele não concorda com as previsões feitas pelo Cepal, já que, para ele, a América Latina é um dos principais produtores de alimentos do mundo, com uma grande diferença entre a oferta e a demanda.
Choque alimentar
Países como Haiti, El Salvador e Nicarágua já estariam sentindo de forma mais aguda a crise alimentar. Em El Salvador, por exemplo, a população só consegue comprar 50% dos alimentos que consumia há um ano e meio. Já na Nicarágua, produtos como a tortilha (feita à base de milho) aumentaram 54% em ano. A alta seria reflexo da inflação de 100% do preço do milho na América Central.
Segundo veiculou a Agência Senado, Valadares acredita que a explicação para isto é a má distribuição de renda e diz que, com propostas simples, o Brasil consegue evitar desastres semelhantes. Ele sugere medidas como redução do endividamento público, simplificação do regime tributário, diminuição da taxa de juros, criação de barreiras contra o capital especulativo e produção rural direcionada ao mercado interno.
Biocombustíveis: a luta continua
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, reconheceu que os biocombustíveis acabaram interferindo no aumento dos preços dos alimentos. Entretanto, deixou claro que no Brasil a situação é diferente, pois não há competição entre produtos agrícolas e biocombustíveis.
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Assim como o senador Neuto de Conto, o ministro disse ainda que os subsídios agrícolas
de países europeus e dos Estados Unidos são grandes responsáveis pela crise. Stephanes acrescentou também o aumento de renda da população, que, segundo ele, faz que as pessoas comam mais, maior expectativa de vida e mudanças climáticas.
“Essas mudanças climáticas, efetivamente, já estão começando se fazer presentes em alguns países, onde nós temos secas mais prolongadas, ou alterações de clima já se consolidando”. O ministro citou como exemplos a Austrália, que teve a produção de arroz prejudicada, devido a alterações climáticas, e o Rio Grande do Sul.