Alta do dólar eleva os preços da construção e de outros segmentos do varejo

Construção acumula variação de 19,6% no ano; preços do vestuário e em açougues também sofrem com aumento do dólar

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SÃO PAULO – De janeiro a outubro de 2008 a categoria de materiais de construção foi responsável pela maior variação de preços dentre os 21 grupos que compõem o IPV (Índice de Preços no Varejo). Segundo dados apurados pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), a variação registrada para o grupo no acumulado do ano foi de 19,61%, tendo o câmbio como um dos principais fatores de pressão.

A análise da Fecomercio mostra que a valorização do dólar frente ao real, observada nos últimos meses, tem causado impactos negativos nos preços de artigos importados, bem como nos de alguns insumos como plásticos, produtos químicos e outros. Além disso, o aquecimento do setor imobiliário fez com que a indústria nacional não conseguisse atender à demanda, aumentando a entrada dos importados no mercado.

Momento de exportar

Logo em seguida, na lista das maiores elevações de preços, vem a atividade de açougues que, no ano, acumula variação de 15,48%. O câmbio, como mostra a Fecomercio, impacta diretamente nesse resultado. Com a desvalorização do real, o setor experimenta um momento favorável para exportações – com o real mais barato, os produtos brasileiros ficam mais competitivos no mercado externo.

Além disso, há uma maior demanda externa por proteínas de origem animal e isso tende a pressionar os preços no mercado interno também, já que se reduz oferta do mesmo internamente. O segmento ainda enfrenta um aumento de custos na produção, já que os preços da soja ainda estão altos, e o grão é utilizado como ração animal.

Câmbio e o guarda-roupa

A elevação cambial também afetou os preços do setor de vestuário. Como parte das mercadorias do segmento é importada, houve interferência da valorização do dólar nos resultados do grupo em outubro. No ano, o setor já acumula alta de 2,61%.

A chegada da primavera, trazendo a troca de coleções de outono e inverno pelas de primavera e verão, além do aumento nas vendas do setor, são as outras razões que explicam o aumento de preço para roupas, tecidos e calçados.