Dona da Havaianas

Alpargatas: com resultados do 2º tri impulsionados pela alta demanda no exterior, ações sobem cerca de 17% na Bolsa

Analistas avaliam que resultados vieram sólidos e que companhia está bem posicionada para ganhar maior participação de mercado

SÃO PAULO – A fabricante de calçados Alpargatas (ALPA4), dona da marca Havaianas, registrou lucro líquido recorrente de R$ 111,4 milhões no segundo trimestre de 2021, um salto de 228,7% ante o mesmo período do ano anterior.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente subiu 163% e chegou a R$ 196,7 milhões entre abril e junho deste ano, na base de comparação anual. Já a margem Ebitda recorrente cresceu 6,3 pontos porcentuais, para 18%.

A receita líquida da companhia saltou 71,4% sobre igual intervalo de 2020, para R$ 1,1 bilhão, ao mesmo tempo em que os volumes registraram crescimento de 57%.

Também houve crescimento no resultado financeiro, que somou R$ 44,6 milhões no trimestre, ante R$ 10,9 milhões no mesmo trimestre de 2020, alta de 310%, com as despesas financeiras recuando 83,9%, para R$ 8,15 milhões.

No comentário dos resultados, a empresa destaca o avanço da marca Havaianas, com aumento de 68% na receita líquida, impulsionado pela demanda dos mercados internacionais, aceleração dos canais online e inovações do produto.

Segundo Julian Garrido, CFO da companhia, a execução das áreas de excelência de RGM (Revenue Growth Management) e orçamento base zero influenciaram positivamente na rentabilidade da empresa. A geração de caixa chegou a R$ 176 milhões no primeiro semestre, enquanto a posição financeira líquida foi de R$ 637 milhões.

A notícia foi bem interpretada pelo mercado financeiro, levando as ações ALPA4 a encerrarem o pregão com alta de 16,65%, a R$ 60,03.

Em relatório, o Bradesco BBI avalia que os resultados vieram sólidos, impulsionados principalmente por maiores volumes de vendas no mercado internacional.

Os analistas destacam que os volumes dos negócios internacionais vieram dois terços acima do registrado no segundo trimestre de 2019, fruto de novas contratações, mudanças estruturais, maiores investimentos e de uma estratégia que tem sido implementada nos últimos três anos.

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O time de análise destaca a região dos Estados Unidos, com aumento de 41% nas vendas em relação ao mesmo período de 2019, por ser uma região historicamente mais difícil dado o mercado mais competitivo.

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“Sempre acreditamos no potencial da marca Havaianas, mas também sempre relutamos em incluir volumes mais altos de longo prazo em nosso modelo antes que pudéssemos ver a evidência de um ponto de inflexão. Embora ainda haja muito a ser feito até que a administração possa declarar “missão cumprida”, achamos que o Alpargatas está agora perto desse ponto de inflexão”, avalia o Bradesco BBI.

Com isso, o banco revisou suas estimativas, incluindo um maior volume internacional, e elevou o preço-alvo estimado para 2022 de R$ 46 por papel para R$ 65 – o que implica potencial de alta de 26% em relação ao fechamento de sexta-feira (30). O Bradesco BBI tem recomendação de outperform (performance acima da média do mercado) para os papéis ALPA4.

“Os resultados reforçam e aumentam nossa confiança no case de investimento da Alpargatas. O Brasil continua crescendo, impulsionado pelo volume e mix, bem como pela ferramenta tradicional de precificação. No médio e longo prazo, ainda esperamos expansão de margem, apesar da pressão no segundo trimestre”, escrevem os analistas.

E completam: “O crescimento dos lucros é alto, o momentum é forte e ainda há riscos de alta para nossas estimativas (atingir ambições internacionais mais rapidamente, novas categorias de produtos, potencial M&A).”

A avaliação é compartilhada pela Guide Investimentos, que também vê como grande destaque nos resultados trimestrais a operação no exterior, além da aceleração de canais online e expansão do portfólio da companhia.

“Vemos a empresa bem posicionada, realizando boa execução, o que garantiu uma boa geração de caixa no trimestre. Seguimos confiantes na expansão internacional da companhia, que segue focando na Europa, EUA e China. Com ticket médio mais elevado nesses mercados, vemos o avanço das vendas como o principal trigger para a companhia nos próximos trimestres”, escrevem os analistas.

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