Alimentos consomem 40% dos ganhos da baixa renda, ficando acima da média

Pesquisas da FGV mostram que o desembolso mensal da baixa renda com comida é de 39,62%, ante 27,49% da média

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SÃO PAULO – Diferentemente do que ocorre com a média da população, em que os gastos com Habitação são mais representativos, famílias com renda mensal de até 2,5 salários mínimos (R$ 1.037,50) têm despesas de Alimentação como as principais de seu orçamento. Dados divulgados nesta terça-feira (15) pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostram que o desembolso mensal da baixa renda com comida é de 39,62%, ante 27,49% da média.

No caso de Habitação, a proporção é de, respectivamente, 28,49% e 31,84%. As informações fazem parte do IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1), que mede a inflação para a classe mais baixa, e do IPC-S ( Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), que avalia as variações para faixas mais abrangentes, com renda mensal entre um e 33 mínimos.

Por grupos

Outra disparidade é verificada no grupo Educação, Leitura e Recreação. Veja a variação completa:

Peso no orçamento
Grupo No IPC-C1 Grupo No IPC-S
Alimentação 39,62% Habitação 31,84%
Habitação 28,49% Alimentação 27,49%
Vestuário 6,28% Transportes 11,72%
Saúde e Cuidados Pessoais 7,98% Saúde e Cuidados Pessoais 10,36%
Educação, Leitura e Recreação 2,46% Educação, Leitura e Recreação 8,74%
Transportes 11,95% Vestuário 5,40%
Despesas Diversas 3,23% Despesas Diversas 4,44%

Fonte: IPC-C1/FGV

“Educação, Leitura e Recreação é formada quase que exclusivamente por serviços ofertados pelo setor privado, pouco consumidos pelas famílias de baixa renda”, explicaram economistas da FGV no documento de divulgação do estudo.

Por razão semelhante, mas em menor escala, perdem espaço os grupos Saúde e Cuidados Pessoais e Despesas Diversas.

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Por itens

A diferenciação no perfil de consumo também é verificada com base nos cinco itens com maior participação no orçamento, no âmbito dos índices.

Peso no orçamento
Item No IPC-C1 Item No IPC-S
Tarifa de ônibus urbano 10,56% Aluguel residencial 4,70%
Aluguel residencial 7% Conta de luz 4,41%
Conta de luz 4,83% Conta de telefone 3,68%
Botijão de gás 4,09% Tarifa de ônibus urbano 3,60%
Conta de telefone 3,29% Gasolina 3,33%

Fonte: IPC-C1/FGV

Segundo a FGV, o custo de vida para os brasileiros com renda mensal de até 2,5 salários mínimos aumentou mais do que para a população em geral no primeiro trimestre: o IPC-C1 ficou em 2,20% , contra média de 1,43% do IPC-S.