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SÃO PAULO – Enquanto não é aprovada no Brasil uma lei determinando que todos os veículos saiam de fábrica com airbags, incluir o item de segurança no automóvel pode ficar bastante caro. Em algumas montadoras, o acessório só pode ser adicionado junto com um pacote de acessórios, o que faz com que o preço final do veículo aumente em até 44,52%.
“Desde 1988 são feitas propostas para que isso se torne lei, mas o assunto nunca vai para frente”, afirma o consultor de mercado automobilístico da Molicar, Vitor Meizikas Filho.
“No entanto, em países da Europa e nos Estados Unidos também não há uma lei que determine que o airbag deva ser item de série em todos os veículos. No entanto, diversas montadoras já incorporaram as bolsas de ar em sua produção. Só que no Brasil isso não é possível, porque fica muito caro para o consumidor. A culpa é da tributação: enquanto nos EUA incidem 9% de impostos, aqui são 45%. Imagina se o preço desse equipamento, que é caro, fosse incorporado no preço final do veículo? Muita gente não ia conseguir comprar”, explica.
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Quanto custa?
São os carros da Ford e da GM que ficam mais caros com a inclusão das bolsas de ar. O percentual mais alto (44,52%) é referente a colocação do acessório no Fiesta. Como apenas o modelo 1.6 tem essa opção, o carro – que custa R$ 35.370 – sobe para R$ 51.115 já que, para colocar o airbag, é preciso adquirir um pacote que inclui ar, direção, vidros, travas e espelhos elétricos, alarme, rodas de liga leve, freios ABS e CD com MP3.
Na montadora, o item de segurança aparece como opcional para todas as linhas, embora apenas para alguns modelos. Para o Novo Ka, a inclusão só pode ser feita no carro com motorização 1.6 e eleva o preço em 12,52% (de R$ 32.340 para R$ 36.390). Para o Focus GLX, o aumento é de 8,64% (de R$ 48.390 para R$ 52.570). Na EcoSport XL, é possível comprar o acessório apenas para o motorista, pagando R$ 1.235 por ele. Para o modelo XLT, o airbag duplo sai por R$ 1.685.
Na General Motors, a partir da linha Corsa, já é possível comprar o dispositivo, embora apenas o modelo Maxx tenha essa opção (o Joy, modelo mais simples, não tem). O veículo, que é 1.4, custa R$ 31.938, mas sai por R$ 38.738, quando o acessório é adicionado, ou seja, uma elevação de 21,29%.
Para a Meriva. o acréscimo é de 17,79%, já que a Joy custa R$ 44.587, sem o item, e R$ 52.520, com ele. Para o Astra e o Vectra, o aumento no preço é um pouco menor, R$ 1.800, o que representa acréscimo de 3,84% e 3,16%, respectivamente.
Aumento de até 10,96%
No ano passado, a Fiat anunciou que estenderia o conceito HSD – High Safety Drive (dois airbags dianteiros e freios ABS), que estava disponível apenas em alguns modelos da marca, como opcional para outros veículos. Além disso, a montadora reduziu os custos do sistema, que, para o Palio Fire, passou de R$ 4.839 para R$ 2.830. Esse valor eleva o preço do automóvel em 10,96%, já que ele passa de R$ 25.830 para R$ 28.660.
No caso do Idea, o preço dos equipamentos foi reduzido de R$ 5.055 para R$ 2.930. Com ele, o carro, que custa R$ 42.120, sai por R$ 45.050, acréscimo de 6,96%.
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Na Volks, o Gol conta com o opcional apenas em veículos de frota. Para a linha Fox, o preço de colocação varia de R$ 2.150 até R$ 2.190. Para o Fox City 1.0, o aumento é de 7,09%, com o preço passando de R$ 30.320 para R$ 32.470. Os importados da marca, como New Beetle, Jetta, Passat, Bora e Touareg, possuem o item de série.
Vale lembrar que os airbags são projetados para funcionar uma única vez, ou seja, se forem acionados, o equipamento deverá ser substituído, implicando, muitas vezes, a troca de vários itens do automóvel.
Cuidados
O consumidor que optou por adquirir um automóvel equipado com airbag deve ter alguns cuidados, não apenas para garantir maior eficiência do equipamento, em caso de acidente, mas também por uma questão de segurança. Confira as dicas do Procon-SP:
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Benefícios e riscos
Ainda de acordo com o Procon-SP, estudos e estatísticas de trânsito apontam para os benefícios da proteção adicional proporcionada pelos airbags. Entretanto, existem efeitos indesejáveis, que devem ser conhecidos e avaliados antes da compra do equipamento.
Entre os benefícios, a Fundação cita a proteção contra sérias lesões e ferimentos que podem ser fatais. Os airbags são responsáveis pela redução de fraturas na face, do risco de lesões na medula, costelas e órgãos internos.
Já entre os riscos está o fato de que o acionamento das bolsas pode provocar ferimentos na face e no pescoço, com riscos de queimaduras e lesões oculares. Além disso, algumas manobras oferecem perigo, como o braço cruzado à frente do volante, que pode ser projetado contra a face do condutor, no momento de acionamento do airbag.