Em mercados / acoes-e-indices

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Futuros de NY operam de forma mista e Europa em alta, após oferta de combinação das bolsas de Hong Kong e Londres  

guerra comercial EUA e China
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou a sessão da véspera com queda de 0,14%, aos 103.031 pontos, pressionado pelos setores bancário e de varejo. No exterior, mesmo após a China ter sinalizado que poderia ampliar suas compras de produtos agrícolas norte-americanos, as bolsas em Nova York fecharam os pregões praticamente de lado.

Hoje, os índices futuros de Nova York operam de forma mista, enquanto na Europa – que aguarda, para amanhã, a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) – as bolsas operam em alta, puxada pela oferta da bolsa de Hong Kong de combinação com a bolsa de Londres.

No Brasil, o destaque é a discussão sobre a reforma tributária, com a iniciativa por parte do governo da criação de um imposto, com alíquota inicial de 0,4%, sobre saques e depósitos em dinheiro. Nas transações de débito e crédito, o tributo seria de 0,2% para pagador e recebedor.

Também repercutem as declarações de Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro – que segue internado, após cirurgia para correção de uma hérnia, em São Paulo – contra a democracia, o que gerou repúdio de forma generalizada no meio político.

Na agenda econômica, o mercado aguarda, às 9h00, a divulgação por parte do IBGE, do resultado da Pesquisa Mensal do Comércio. Já nos EUA, saem, às 9h30, o índice de preços ao produtos (PPI) e às 11h00, os números de estoques no atacado.

Confirma os destaques desta quarta-feira:

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, com exceção das bolsas chinesas. Ontem, o South China Morning Post informou que a China estaria aberta a aumentar o seu leque de concessões em meio às negociações comerciais com os EUA.

Hoje, o Ministério das Finanças da China anunciou que 16 produtos americanos serão isentos de taxas adicionais, o que vigoraria por um ano, a partir de 17 de setembro. Entre os itens estão ração para animais, medicamentos e lubrificantes.

A nova oferta chinesa acontece no momento em que algumas empresas americanas estão acelerando sua saída da China, em meio à imposição de tarifas americanas, de acordo com a Câmara de Comércio Americana de Xangai.

Além disso, as ações no Japão e Hong Kong lideraram ganhos na Ásia depois que o jornal chinês Global Times apontou que o gigante asiático deve "introduzir importantes medidas de estímulo para aliviar o impacto negativo da guerra comercial".

Entre os indicadores chineses, as vendas do setor automotivo recuaram 6,9% em agosto ante igual mês do ano passado, registrando queda pelo 14º mês consecutivo, segundo números da associação chinesa de montadoras. De janeiro a agosto, as vendas diminuíram 11% em relação ao mesmo período de 2018.

Após o fechamento dos mercados no Oriente, a Hong Kong Exchanges and Clearing Limited anunciou enviada ao conselho da London Stock Exchange Group (LSE) de combinação das duas bolsas de valores, numa operação de US$ 36,6 bilhões, diz a CNBC, citando informações da Reuters.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos

Na Europa, as ações da LSE avançavam 9% em meio à oferta da bolsa de Hong Kong, ajudando no movimento de valorização do mercado acionário europeu. Amanhã, o BCE deverá informar sobre a política de juros, com os investidores aguardando por um possível novo pacote de estímulo econômico.

Na região, os investidores monitoram ainda a questão do Brexit, após o Parlamento do Reino Unido entrar em suspensão por cinco semanas, em meio à turbulência política sobre a saída da União Europeia sem acordo, o que está atualmente marcado para 31 de outubro.

Com o fechamento, os parlamentares agora só voltam a trabalhar no dia 14 de outubro, quando também é previsto um pronunciamento da rainha Elizabeth II. Serão apenas duas semanas da volta até a data da saída do Reino Unido do bloco europeu.

Entre as commodities, o minério opera em alta, enquanto o petróleo tem valorização expressiva, após a divulgação da queda acima da esperada dos estoques nos EUA. Hoje, saem o relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e novos dados sobre estoques nos EUA, publicados pelo DoE.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h21 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), 0,00%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,05%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,11%
*DAX (Alemanha), +0,75%
*FTSE (Reino Unido), +0,89%
*CAC-40 (França), +0,43%
*FTSE MIB (Itália), +0,48%
*Hang Seng (Hong Kong), +1,78% (fechado)
*Xangai (China), -0,41% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,96% (fechado)
*Petróleo WTI, +1,31%, a US$ 58,15 o barril
*Petróleo Brent, +1,09%, a US$ 63,06 o barril
*Bitcoin, US$ 10.068,86, -2,08%
R$ 41.595, -1,91% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 1,54%, cotados a 661,00 iuanes, equivalentes a US$ 92,88 (nas últimas 24 horas).

2. Família Bolsonaro

As declarações do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), postada por meio do Twitter, de que, "por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos”, causaram grande repercussão no mundo político.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que declarações podem prejudicar ainda mais a recuperação econômica do Brasil. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que a frase merece “desprezo”.

Já o vice-presidente Hamilton Mourão ressaltou que democracia é um “pilar” da sociedade e que deve ser fortalecida. Ele ressaltou que, se não houvesse democracia, Jair Bolsonaro não teria chegado ao comando do País e acrescentou que “é lógico” fazer mudanças no País por meio do diálogo.

Pelo Twitter, o ex-ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, que teve atritos com Carlos, escreveu “que a democracia necessita de atenção permanente” e que as “bravatas, oportunismos, desequilíbrios e infantilidades são perfeitamente identificadas e precisam ser repudiadas pela sociedade”.

A repercussão chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), com integrantes da corte, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, falando sobre “desapreço” à democracia e classificando as declarações como “absurdas”.

Também pelo Twitter, Carlos criticou a imprensa e tentou se explicar: “O que falei: por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente. É um fato. Uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes. O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende ditadura. Canalhas!”.

Ontem, Carlos pediu licença não remunerada na Câmara Municipal do Rio. O motivo não foi informado, assim como o prazo em que o vereador ficará ausente do Legislativo Municipal. A licença foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira, 10.

Segundo informações da assessoria da Câmara, a medida está prevista no artigo 11 do regimento interno. Carlos Bolsonaro poderá ficar ausente por até 120 dias. O suplente só será convocado em caso de licença superior a esse período.

Para Eduardo Bolsonaro, outro filho do presidente, que está às voltas de sua indicação, pelo Senado, para a embaixada brasileira nos EUA, as declarações de Carlos “não tem nada demais”. “As coisas na democracia demoram porque exigem debate. Ele falou só isso. Não temos condições de mudar o Brasil na velocidade que gostaríamos”, disse na Câmara.

Já em outras entrevistas, Eduardo diz acreditar que a sabatina no Senado deverá ocorrer no fim de setembro ou início de outubro. Ele disse ainda que antes vai procurar vários senadores para mostrar seus planos como representante do Brasil em território norte-americano.

Enquanto isso, o outro filho do presidente, Flávio Bolsonaro, gerou um racha no PSL em meio ao movimento liderado por ele de tentar abafar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com foco na investigação de ministros do STF. Alguns parlamentares do PSL já falam em deixar o partido do presidente.

3. CPMF

O secretário-adjunto da Receita Federal, Marcelo de Sousa Silva, confirmou ontem que o governo vai enviar a proposta que reintroduz o imposto sobre transações financeiras – batizado de CP (Contribuição sobre Pagamentos) – para reduzir gradualmente os impostos que as empresas pagam sobre a folha de salário dos funcionários.

A nova tributação sofre resistências junto ao parlamento e à opinião pública e é frequentemente comparada à antiga CPMF (Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira).

Segundo o secretário, cada saque e cada depósito em dinheiro deverá ser taxado com uma alíquota inicial de 0,40% e cada operação de débito e crédito deve ser submetida a uma alíquota de 0,20%.

A ideia do governo é desonerar a folha de salários – demanda do setor de serviços, mais afetado pelas propostas de simplificação tributária em discussão no parlamento – e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e apresentar um novo tributo, a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que vai unificar PIS e Cofins, com alíquota de 11%.

Este imposto é mais tímido do que o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) discutido na Câmara dos Deputados ou o IVA (Imposto sobre o Valor Agregado), em debate no Senado Federal.

"Queremos testar tanto o IVA (CBS) e a Contribuição sobre Pagamentos para, a partir desse teste inicial, o próprio Congresso decidir onde a alíquota vai crescer mais, no IVA ou a CP", afirmou Marcelo Silva.

Segundo o secretário-adjunto da Receita, a proposta é começar com a unificação de PIS e Cofins, o que evitaria que o debate tributário entrasse em questões polêmicas envolvendo a discussão federativa. Em outro momento, haveria o envio de uma PEC para unificação do IPI ao CBS. A proposta do governo ainda não foi apresentada oficialmente ao Congresso.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sinalizou, porém, que a intenção do governo de criar um novo imposto nos moldes da extinta CPMF deve enfrentar dificuldades no Congresso.

"A CPMF tem muito pouco apoio entre os que conhecem da questão tributária. Não sei se esse é o melhor caminho para resolver o custo da contratação da mão-de-obra. Entendemos qual é a preocupação do governo. O governo Dilma Rousseff fez uma desoneração forte da mão-de-obra e não deu certo. Acabou que brasileiros pagaram a conta. Acho que a intenção está correta, mas não sei se a fórmula é o melhor caminho", disse.

4. Previdência e Economia

O relator da reforma da Previdência no Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE), admitiu alterar o texto do relatório para evitar atrasos na tramitação da proposta - cujo calendário prevê conclusão no dia 10 de outubro.

Conforme a Coluna do Estadão revelou, técnicos do Congresso têm uma tese de que algumas das supressões no relatório da reforma mudam o conteúdo da PEC. Se prevalecer esse entendimento, a proposta deverá voltar para a Câmara.

No parecer, Tasso retirou a expressão "no âmbito da União" do trecho sobre a cobrança de alíquotas extraordinárias para financiar o déficit do regime dos servidores. Com isso, ele dá autonomia a Estados e municípios para implementarem a contribuição extraordinária caso seja necessário.

"Existe essa discussão entre os técnicos, mas não vai haver atraso nenhum. Nós vamos discutir, sendo o caso eu jogo para a (PEC) paralela se tecnicamente se chegar a essa conclusão", disse o relator.

Já o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, apresentou a senadores um cálculo apontando que, após as alterações na reforma da Previdência pela Casa, a economia fiscal com as mudanças cai para R$ R$ 876,7 bilhões em dez anos.

O texto aprovado pela Câmara prevê ajuste de R$ 933,5 bilhões no período de uma década. Nos cálculos do governo, as alterações no relatório de Jereissati aprovadas pela CCJ reduzem o montante em R$ 56,8 bilhões. Para o Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, a desidratação é ainda maior: R$ 64 bilhões.

O Estadão traz que portaria do Ministério do Desenvolvimento Regional liberou recursos do FGTS para destravar a contratação de R$ 26,2 bilhões em unidades do Minha Casa Minha Vida para famílias das faixas 1,5 e 2 do programa, com renda entre R$ 1,8 mil e R$ 4 mil. O fundo poderá responder por 100% do subsídio da na compra dos imóveis.

Ainda na economia, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia reduziu de 3,8% para 3,6% a estimativa para a inflação até dezembro, enquanto elevou de 0,81% para 0,85% a projeção de crescimento este ano do PIB.

O governo espera uma recuperação da atividade econômica a partir de setembro, diante da redução da taxa básica de juros (Selic), da elevação da confiança de empresários e consumidores, além da liberação de saques das contas do FGTS.

5. Noticiário Corporativo

A Petrobras finalizou a venda da totalidade da sua participação de 70% no campo de Maromba, localizado em águas rasas na Bacia de Campos, para a empresa BW Offshore Production do Brasil. A operação foi concluída com o pagamento da primeira parcela de US$ 20 milhões. O restante, US$ 70 milhões, será pago em duas parcelas: US$ 20 milhões em até 15 dias úteis após o início das perfurações e US$ 50 milhões em até três meses após o primeiro óleo ou três anos após das atividades.

O valor de mercado de Magazine Luiza, B2W, Lojas Americanas e Via Varejo teve forte queda ontem, com o anúncio de lançamento do Amazon Prime no Brasil. As empresas, conjuntamente, perderam R$ 4,75 bilhões em valor de mercado, fechando o dia valendo R$ 103,7 bilhões. A Amazon vai lançar, inicialmente, uma oferta de frete grátis ilimitado para cerca de 500.000 produtos, entre os 20 milhões que a Amazon já tem disponíveis na maior economia da América Latina.

Já a  Comissão de Ciência, Tecnologia Inovação, Comunicação e Informática (CCT) analisa nesta quarta o relatório do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 79/2016, que altera o regime de concessão de telefonia fixa, como forma de autorizar a prestação do serviço pela iniciativa privada. O texto também transfere a infraestrutura de telecomunicações da União para as concessionárias que exploram o serviço desde a privatização do setor, em 1998. A reunião está marcada para as 10h, na sala 15 da ala Alexandre Costa.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado e Bloomberg)

 

Contato