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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Novas ameaças da China contra os EUA derrubam os mercados nesta manhã, ampliando os receios de recessão econômica global

EUA x China
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com queda 2,94%, aos 100.258 pontos, acompanhando as perdas das bolsas internacionais após a divulgação de dados fracos de atividade econômica na Europa e na China, assim como pelo movimento da curva de juros nos EUA sinalizando uma recessão. Hoje, após uma abertura em sentidos divergentes, os mercados internacionais passaram para negativo com Europa e Nova York.

A virada aconteceu após a China anunciar que precisa tomar "contramedidas necessárias" ao plano dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 10% a mais US$ 300 bilhões em produtos chineses. Pequim alega também que o plano de Washington viola um consenso alcançado pelos presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, e tira os dois países do caminho certo no sentido de resolver suas divergências comerciais.

No Brasil, os riscos de um recessão global derrubou a bolsa e elevou o dólar para o patamar acima dos R$ 4. Como forma de conter a valorização da moeda norte-americana, o Banco Central fez a venda de dólares das reservas cambiais, algo que não praticava desde 2009.

Entre os indicadores os destaques são as vendas do varejo e produção industrial norte-americana, além do relatório sobre a economia mundial que será publicado pela Organização Mundial do Comércio, às 10h00. No Brasil, os investidores monitoram o IGP-10.

Confirma os destaques desta quinta-feira:

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia os mercados fecharam misturados, com alta na China e em Hong Kong, enquanto no Japão houve perdas. O destaque na Ásia foi o setor bancário, com desvalorização dos papéis das principais instituições financeiras da região.

Na China, o Banco do Povo definiu sua referência oficial para o yuan em 7,0268 por dólar, mais fraca do que as expectativas dos analistas, diz a CNBC. Foi a sexta sessão consecutiva em PBOC fixa o ponto médio acima da marca de 7 iuanes por dólar. O yuan onshore foi negociado a 7,0249 e o offshore a 7,0388 por dólar.

Já o rendimento dos títulos do Tesouro de 30 anos caíram novamente nesta manhã, quebrando o nível de 2% pela primeira vez, de acordo com a Reuters.

Pelo Twitter, o presidente norte-americano, Donald Trump, sugeriu uma “reunião pessoal” com o presidente da China, Xi Jinping, sobre a atual crise de Hong Kong. Em outro tweet, Trump alertou que se a China quiser fazer um acordo comercial com os EUA devem responder “humanamente” a Hong Kong.

Na Europa, após ganhos iniciais, as bolsas operavam no vermelho no início da manhã, após as notícias das medidas da China contra os EUA e também com o governo de Hong Kong anunciando plano de medidas de estímulo econômico. O governo de Hong Kong também reduziu de 2% a 3% para 0% a 1% sua projeção de crescimento.

Entre as commodities, os receios de desaceleração econômica reduzem os preços do petróleo e do minério de ferro.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h31 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,35%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,80%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,46%
*DAX (Alemanha), -1,50%
*FTSE (Reino Unido), -1,31%
*CAC-40 (França), -1,12%
*FTSE MIB (Itália), (fechado por feriado)
*Hang Seng (Hong Kong), +0,76% (fechado)
*Xangai (China), +0,25% (fechado)
*Nikkei (Japão), -1,21% (fechado)
*Petróleo WTI, -1,83%, a US$ 54,22 o barril
*Petróleo Brent, -2,14%, a US$ 58,12 o barril
*Bitcoin, US$ 10.115,92, -3,77%
R$ 41.800, -1,15% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 2,83%, cotados a 618,00 iuanes, equivalentes a US$ 87,83 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, o único indicador de destaque a ser divulgado é IGP-10 medido pela FGV referente a agosto.

Nos Estados Unidos, estão previstas, às 9h30, as publicações das vendas do comércio e os índices de atividade do Fed da Filadélfia e Nova York, além do índice de produtividade da mão de obra e dos pedidos semanais de auxílio desemprego.

Ainda nos EUA, às 10h15, será publicada a produção industrial, enquanto, às 11h00, saem os estoques das empresas e a confiança das construtoras.

3. Noticiário Econômico

Pela primeira vez desde a crise de 2009, o Banco Central (BC) venderá dólares à vista das reservas internacionais, atualmente em US$ 388 bilhões. A autoridade monetária leiloará US$ 550 milhões por dia entre 21 e 29 de agosto para conter a volatilidade cambial, totalizando US$ 3,845 bilhões no período.

A última vez em que o BC tinha leiloado dólares das reservas à vista tinha sido em 3 de fevereiro de 2009, ainda durante a crise do subprime no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Com a decisão anunciada ontem, o BC muda a política de intervenções no câmbio. Até agora, o movimento era de leiloar contratos de swap cambial tradicional, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro.

Feitas em reais, essas operações não afetam as reservas internacionais, mas têm impacto na posição cambial do BC e aumentam os juros da dívida pública. Agora, o BC atuará de maneira diferente. Venderá até US$ 550 milhões no mercado à vista e, ao mesmo tempo, comprará o mesmo valor em contratos de swap cambial reverso, que funcionam como compra de dólares no mercado futuro.

Caso a demanda por dólares à vista fique abaixo desse valor, a autoridade monetária completará a operação com contratos de swap tradicional.Ao justificar a medida, o BC explicou que os swaps cambiais tradicionais são demandados por investidores que querem se proteger da volatilidade no câmbio, mas que uma parte do mercado está demandando dólares à vista por causa da situação econômica.

“Considerando a conjuntura econômica atual, a redução na demanda de proteção cambial (hedge) pelos agentes econômicos por meio de swaps cambiais e o aumento da demanda de liquidez no mercado de câmbio à vista, o Banco Central do Brasil comunica que, para efeito de rolagem da sua carteira de swaps, implementará a oferta de leilões simultâneos de câmbio à vista e de swaps reversos”, informou a instituição em nota.

Na nota, a autoridade monetária esclareceu que as operações conjugadas de venda direta, swap tradicional e swap reverso não mudarão a posição cambial do banco. No entanto, o estoque de swap tradicional, atualmente em torno de US$ 70 bilhões, vai aumentar, assim como o valor das reservas internacionais vai diminuir menos de 1%.

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O Valor Econômico destaca que, com a fraca demanda, os estoques do setor manufatureiro começaram o segundo semestre com um acúmulo de estoques indesejados. Segundo sondagem da FGV, seis de 14 setores estavam com mercadoria em excesso. O economista da CNI, Flávio Castello Branco, diz que as prateleiras cheias refletem a expectativa de melhora, do início do ano, na economia, o que acabou não se concretizando.

4. Noticiário Político

No Congresso, foi aprovado projeto que pune o abuso o autoridade cometido por magistrados que possam ser considerados excessivos. A proposta, que será enviada à sanção presidencial, acontece em meio ao desgaste da Lava Jato após a publicação de mensagens atribuídas ao ex-juiz Sergio Moro com o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol.

Segundo a proposta, o abuso de autoridade pode levar um juiz a ser condenado por decretar prisão preventiva sem amparo legal. O texto diz que essas condutas somente serão crime se praticadas com a finalidade específica de prejudicar outra pessoa ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, assim como por mero capricho ou satisfação pessoal. Já a divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não será considerada, por si só, abuso de autoridade.

Estão sujeitos a responderem por esses crimes qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Incluem-se nesse rol, portanto, os servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas; e membros do Legislativo; do Executivo; do Judiciário; do Ministério Público; e dos tribunais ou conselhos de contas.

O Plenário da Câmara dos Deputados concluiu na noite de ontem a votação da MP da Liberdade Econômica, que estabelece garantias para a atividade econômica de livre mercado, impõe restrições ao poder regulatório do Estado, cria direitos de liberdade econômica e regula a atuação do Fisco federal. A matéria será analisada ainda pelo Senado.

O ponto que mais causou polêmica entre os deputados é o fim das restrições de trabalho aos domingos e feriados, assim como do pagamento em dobro do tempo trabalhado nesses dias se a folga for determinada para outro dia da semana. A oposição apresentou destaques tentando manter as regras atuais da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT – Decreto-Lei 5.452/43), mas todos foram rejeitados.

A regra usada para o comércio, de folga no domingo a cada três semanas mediante convenção coletiva, passa a valer para todos, mas agora a cada quatro semanas e sem aval do sindicato. Também não precisará mais haver escala de rodízio para o trabalho aos domingos e fica revogada a proibição de trabalho dos bancários aos sábados.

Ainda no Legislativo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que “de forma nenhuma” a proposta que proíbe o nepotismo na administração pública federal (PL 198/19) será utilizada para barrar a possível indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para ser embaixador do Brasil em Washington.

“Aqui, não existe projeto que tenha nome e seja contra uma pessoa, se ele passar não será misturado e acelerado porque o presidente vai indicar o filho para embaixada”, afirmou Maia.

Antes de assumir o posto, Eduardo Bolsonaro precisa passar por uma sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Ao fim da sabatina, o colegiado submete a indicação à votação secreta. Independentemente da aprovação ou rejeição na comissão, o plenário do Senado precisa referendar o resultado, também em voto secreto com maioria simples.

“Essa vai ser uma decisão do Senado, o deputado vai ser sabatinado, mas de forma alguma podemos aprovar um projeto que limite um direito que o deputado tenha, podemos concordar ou não com a indicação, mas não podemos usar uma lei ou uma MP contra ninguém”, completou o presidente da Câmara.

Falando sobre o Senado, segundo o Estadão, a Casa pode atrasar votação da Previdência. A prioridade dada por senadores a propostas que dão mais recursos a Estados e municípios acendeu o sinal amarelo na equipe econômica e entre congressistas que apoiam a reforma da Previdência, segundo apurou o jornal. 

5. Noticiário Corporativo

Os destaques entre as empresas são os resultados do segundo trimestre. A operadora de telefonia Oi reportou um prejuízo dos acionistas controladores de R$ 1,5 bilhão no segundo trimestre, uma perda 24% superior a reportada no mesmo período do ano passado. Já o resultado das operações consolidadas apresentou prejuízo de R$ 1,6 bilhão.

A JBS teve no segundo trimestre de 2019 um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões, revertendo um prejuízo líquido de R$ 911 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado dos seis primeiros meses de 2019, a companhia teve lucro líquido de R$ 3,3 bilhões.

A Marfrig reverteu no segundo trimestre um prejuízo de quase R$ 600 milhões registrados no ano passado e obteve lucro de R$ 86,5 milhões entre abril e junho deste ano, o terceiro lucro trimestral consecutivo guiado por melhora operacional.

A Natura viu o lucro do segundo trimestre mais que dobrar na base de comparação anual com fortes vendas e controle de custos. O lucro líquido saltou 109,4%, para R$ 66,6 milhões.

A Ultrapar viu seu lucro líquido cair 47%, para R$ 127 milhões, no segundo trimestre de 2019 na comparação com abril e junho de 2018, em meio ao desempenho fraco de Oxiteno e Ipiranga.

A Via Varejo, dona das Casas Bahia e Ponto Frio, teve prejuízo líquido de R$ 154 milhões no segundo trimestre de 2019, revertendo lucro de R$ 14 milhões em igual período de 2018.

A Sabesp reportou um lucro 2,5 vezes superior, atingindo R$ 454,4 milhões, influenciado pela melhora no resultado financeiro por conta dos ganhos com variação cambial sobre empréstimos e financiamentos.

Também soltaram resultados as elétricas Equatorial, que teve lucro de R$ 316 milhões (+118%); Celesc com lucro de R$ 53,1 milhões (-23,25); Copel com lucro de R$ 346 milhões (-2,4%); a Eneva com lucro de R$ 19,5 milhões (-3,9%)

Entre as construtoras, a PDG reduziu em 27% seu prejuízo, a R$ 248,9 milhões; a Rossi viu suas perdas subirem 7,3%, a R$ 106,9 milhões; e Gafisa teve prejuízo de R$ 12,7 milhões (-49%). Já a Eztec teve alta de 6,5 vezes no lucro, que somou R$ 94,9 milhões, enquanto a Even saiu de prejuízo para lucro de R$ 22,047 milhões.

Por fim, a JSL teve lucro de R$ 71 milhões, alta de 41%; Biosev registrou prejuízo de R$ 168 milhões (-66,7%); SLC ganho líquido de R$ 211 milhões (+26%)

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

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