Em mercados / acoes-e-indices

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Dados econômico na China atrapalham bom humor após retomada de conversas com Estados Unidos em meio à guerra comercial; no Brasil, safra de resultados é destaque

china
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta de 1,52%, aos 103.462 pontos, com os investidores animados após a notícia de que a China negociará por telefone em duas semanas uma solução para encerrar a guerra comercial com os Estados Unidos. Como resposta, os EUA adiaram para 15 de dezembro a tarifação de mercadorias que respondem por aproximadamente US$ 40 bilhões dos US$ 300 bilhões que o presidente Donald Trump anunciou que taxaria.

Apesar da trégua de ontem, as bolsas europeias e os futuros de Nova York operam em queda nesta manhã, com sinais de desaceleração da atividade econômica global. Na Alemanha, o PIB encolheu 0,1% entre abril e junho, enquanto na China a produção industrial avançou 4,8% – no ritmo mais lento em quase 17 anos – e as vendas no varejo chinês subiram 7,6%, desempenho abaixo do esperado.

Adicionalmente, o Banco Central da China definiu a referência oficial do yuan em 7,0312 por dólar, pouco mais valorizado em relação à taxa de ontem, mas ainda acima da barreira psicologicamente importante dos 7 yuans por dólar.

No Brasil, o destaque foi a aprovação pela Câmara dos Deputados durante a noite, por 345 a 76, do texto-base da Medida Provisória da Liberdade Econômica, que foi votada após a retirada de pontos polêmicos que tratavam de alterações nas regras trabalhistas.

Sem a previsão de indicadores importantes, a agenda local deverá se guiar pela reta final da safra de resultados corporativos referente ao período de abri a junho.

Confirma os destaques desta quarta-feira:

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia, os mercados fecharam em alta, refletindo os acontecimentos da véspera, de adiamento na taxação de uma lista de produtos chineses adquiridos pelos Estados Unidos até 15 de dezembro. Segundo o escritório do representante de comércio dos Estados Unidos (USTR), fazem parte da lista produtos eletrônicos, incluindo celulares, laptops, consoles de videogame e alguns produtos de vestuário.

O economista do National Australia Bank, Tapas Strickland, porém, avalia com ceticismo esse atraso no aumento das tarifas, o que não pode ser considerada uma mudança mais substantiva no relacionamento EUA-China. “No geral, um alto grau de ceticismo deve permanecer e um acordo iminente é improvável, uma vez que Trump prenunciou que vai fazer uma campanha dura sobre a questão na eleição de 2020”, disse Strickland, em nota, diz a CNBC.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Clique aqui e abra a sua conta na XP Investimentos — é grátis

Na Europa, entretanto, as bolsas operam em queda, após a divulgação de dados mais fracos. Além do PIB alemão, a produção industrial ajustada na zona do euro sazonalmente recuou 1,6% em junho na comparação com maio – retração acima da esperada pelo mercado, de 1,2%. Na comparação anual, a produção industrial recuou 2,6%, ante expectativa de declínio de 1,2%, conforme analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Já o PIB da zona do euro, com ajuste sazonal, subiu 0,2% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação anual, o PIB ajustado sazonalmente cresceu 1,1% na área do euro. Os números vieram em linha com as expectativas. Ainda segundo a Eurostat, o número de pessoas ocupadas aumentou 0,2% no segundo trimestre ante o primeiro, enquanto na comparação anual subiu 1,1%.

Em mais um sinal de alerta para a economia global, o yield (rendimento) dos títulos do Tesouro norte-americano de curto prazo, de 2 anos, ficou novamente acima do yield (a 1,634%) do título de longo prazo (10 anos), que ficou a 1,623%.

Essa mudança é uma indicação de recessão na economia; vale destacar que a última inversão nesta parte da curva foi em dezembro de 2005, dois anos antes da recessão causada pela crise do subprime. 

Entre as commodities, o minério opera com leve alta, recuperando parte das perdas das últimas semanas. Já o petróleo opera em queda, por conta do desapontamento com os dados industriais chineses.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h23 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,73%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,87%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,72%
*DAX (Alemanha), -1,29%
*FTSE (Reino Unido), -0,63%
*CAC-40 (França), -1,18%
*FTSE MIB (Itália), -1,65%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,08% (fechado)
*Xangai (China), +0,42% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,98% (fechado)
*Petróleo WTI, -1,44, a US$ 56,28 o barril
*Petróleo Brent, -1,06%, a US$ 60,65 o barril
*Bitcoin, US$ 10.553,16, -6,48%
R$ 42.360, -6,70% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 0,72%, cotados a 631,50 iuanes, equivalentes a US$ 90,01 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, o destaque é a agenda corporativa, com o último dia de divulgação da safra de resultados do segundo trimestre. Antes da abertura, estão previstos os balanços de Embraer e Kroton.

Após o fechamento, devem ser publicados os resultados de Banco Indusval, Biosev, Celesc, Cemig, Copel, Eneva, Even, EzTec, Gafisa, JBS, JSL, Marfrig, Natura, Oi, PDG, PetroRio, Positivo, Rossi, Sabesp, SLC, Ultrapar, Via Varejo e Wiz.

Nos Estados Unidos, às 9h30, saem os dados do índice de preço das importações de julho; e, às 11h30, os estoques semanais de petróleo.

3. Congresso

O Plenário da Câmara aprovou o texto-base à Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica, que estabelece garantias para a atividade econômica de livre mercado, impõe restrições ao poder regulatório do Estado, cria direitos de liberdade econômica e regula a atuação do Fisco federal. A versão aprovada libera pessoas físicas e empresas para desenvolver negócios considerados de baixo risco, que poderão contar com dispensa total de atos como licenças, autorizações, inscrições, registros ou alvarás.

Na proposta, foram incluídos temas como a instituição da carteira de trabalho digital; agilidade na abertura e fechamento de empresas e a substituição dos sistemas de Escrituração Digital de Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Por outro lado, do texto final foram retirados diversos temas que não faziam parte na MP original, como taxas de conselhos de farmácia e isenção de multas por descumprimento da tabela de frete rodoviário.

Entretanto, entre os pontos mantidos na MP está o fim das restrições de trabalho aos domingos e feriados, dispensando o pagamento em dobro do tempo trabalhado nesses dias, se a folga for determinada para outro dia da semana. Pelo texto, o trabalhador poderá trabalhar até quatro domingos seguidos, quando lhe será garantida uma folga neste dia. Originalmente, a proposta era de até sete semanas ante do trabalhador ter uma folga dominical.

Para a votação dos destaques nesta quarta-feira, houve um acordo com a oposição para que não houvesse obstrução, como ocorreu na noite de hoje. Em troca haverá a votação nominal, pelo sistema eletrônico, em todos os destaques.

Ainda no âmbito legislativo, os líderes de partidos do Senado definiram o calendário da tramitação da proposta de reforma da Previdência. A agenda divulgada prevê que a Proposta de Emenda à Constituição seja votada no plenário em primeiro turno em 18 de setembro e, em segundo turno, no dia 2 de outubro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) descartou que o prazo de 60 dias previsto para tramitação da PEC seja “atropelado” como tem criticado parlamentares contrários à medida. Segundo ele, uma comissão especial já atua a cerca de cinco meses na Casa.

“Um calendário de 60 dias é muito razoável dentro do que o Brasil aguarda do Senado Federal e dentro do que, tendo em vista do que nós fizemos com a comissão especial, é sem dúvida a possibilidade dentro do Senado Federal de continuarmos debatendo essa matéria”, disse Alcolumbre.

4. Noticiário Político

O Conselho Nacional do Ministério Público reabriu apuração contra o chefe da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, por conta de supostas conversas hackeadas e publicadas pela imprensa, que sugerem interferência do ex-ministro Sergio Moro nas investigações contra o ex-presidente Lula. O conselho também negou recursos de Dallagnol contra a abertura de processo disciplinar por suposto desvio de conduta.

A Folha ressalta que a pressão sobre Dallagnol aumentou, com a decisão do conselho de desarquivar o processo. Segundo a publicação, mesmo que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tenha ampliado por mais um ano a força-tarefa da Lava Jato, ela cobrou atuação “dentro dos marcos da legalidade”.

Também na política, destaque para a expulsão do deputado Alexandre Frota do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o Estadão, o partido quer evitar desgastes a partir de agora, exigindo “fidelidade ideológica” de seus candidatos nas eleições programadas para 2020.

Entre as exigências aos candidatos estão ser favoráveis à reforma do Estado e à pauta conservadora nos costumes. Além disso, os candidatos terão o passado político investigado. Em troca, Bolsonaro sinalizou que se mantém no PSL até 2022.

O Estadão informa ainda que registros de voo particular mostram que Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), mostram que ele viajou ao menos três vezes ao Paraguai com executivos da empresa interessada na energia de Itaipu.

5. Noticiário Corporativo

A carteira de participações societárias da BNDESPar encerrou o segundo trimestre avaliada em R$ 75,628 bilhões, uma queda de 2,3% ante o primeiro trimestre. Segundo o BNDESPar, a queda foi puxada pelas desvalorizações das ações de Suzano, Petrobras e Eletrobras. O relatório sinaliza, porém, que há espaço venda da participação com ganhos, pois, no segundo trimestre, o valor contábil das participações societárias em não coligadas, representado pelo "valor justo", superava o seu custo de aquisição em 77,6% (R$ 28,183 bilhões).

Sobre a Eletrobras, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sinalizou que a Medida Provisória 879, que prevê um aporte de até R$ 3,5 bilhões, à elétrica, deve caducar. A matéria precisaria ser aprovada pelo Congresso até a próxima quarta-feira (21), mas não deve entrar na pauta. A MP prevê que a União destine recursos para arcar com dívidas que "subiram", para facilitar a privatização de suas seis distribuidoras no Norte e Nordeste, no ano passado, vendidas por um valor simbólico.

Entre os balanços, destaque para a Embraer, que reverteu prejuízo e registrou um lucro líquido atribuído a acionistas de R$ 26,1 milhões no segundo trimestre, enquanto o Ebitda avançou 98%, para R$ 259,6 milhões.

Na área industrial, a Randon teve lucro líquido de R$ 84,538 milhões de abril a junho, resultado 2,6 vezes superior ao reportado no mesmo período do ano passado. Já a Unipar apresentou lucro de R$ 400 mil, queda de 99,4%.

Entre as elétricas, a Alupar teve lucro de R$ 110,9 milhões (-12,9%) e CPFL Energia apresentou um lucro R$ 574 milhões (+27,4%).

Já a Sanepar reportou lucro de R$ 232,6 milhões (-8,3%) e a Santos Brasil reverteu prejuízo e lucrou R$ 6,3 milhões

Por fim, a Movida fechou no positivo, em R$ 41,5 milhões (+4%).

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

Contato