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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Enquanto mercados mundiais esperam por discurso de Powell, do Fed, no Brasil investidores aguardam por votação da reforma da Previdência em primeiro turno nesta manhã 

Rodrigo Maia e Onyx Lorenzoni
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

SÃO PAULO – Após o feriado em São Paulo na véspera com a B3 fechada, o Ibovespa deverá refletir nesta quarta-feira o avanço da reforma da Previdência na Câmara, que ontem à noite encerrou os seus debates sobre o texto que muda as regras das aposentadorias. Em tramitação no Congresso desde fevereiro, a proposta de emenda à constituição (PEC 6/19) deverá ser votada na manhã de hoje, a partir das 10h30, no plenário, quando precisará contar 308 votos, para sua aprovação em primeiro turno.

Os debates foram encerrados pouco antes da 1h00 da manhã desta quarta-feira, após mais de três horas de obstrução por parte da oposição e com a votação de um requerimento, que pôs fim às discussões, aprovado com 353 votos favoráveis e 118 contrários. Embora não se trate da discussão em si da PEC, este resultado foi superior ao mínimo necessário à aprovação da proposta, podendo ser considerado uma proxy do apoio que o texto terá no plenário. Vale destacar que, na véspera, quando a bolsa brasileira não negociou, o índice de ADRs Brazil Titans, negociado na NYSE, teve alta de 0,44%, a 25.609 pontos e se descolou do exterior em meio à expectativa para a votação do projeto. 

No exterior, o dia também será bastante movimentado com participação do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, no Congresso norte-americano, a partir das 9h30, quando o mercado deverá aguardar por pistas quanto à condução da política de juros da autoridade monetária dos EUA. Já às 15h00, deverá ser publicada a ata da última reunião do Fed, referente ao encontro de junho.

1. Bolsas Internacionais

Enquanto aguardam os comentários de Powell, as bolsas asiática fecharam sem direções distintas. Em Tóquio e em Xangai, o pregão foi de queda, ao passo que em Hong Kong e Austrália, de alta.

Os investidores monitoram ainda as negociações comerciais entre os EUA e a China, depois que o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse que autoridades das duas maiores economias do mundo mantiveram uma conversa telefônica “construtiva” ontem.

Entre os indicadores asiáticos, o índice de preços ao consumidor na China subiu 2,7% em junho na comparação anual, mas em linha com as expectativas do mercado. Segundo relatou a CNBC, um estrategista projeta que o aumento dos preços ao consumidor na China pode diminuir no futuro próximo.

A carne suína vem pressionando os preços ao consumidor, após o declínio no fornecimento por conta do surto de peste suína africana. Em junho, os preços dos alimentos em junho cresceram 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, acima do valor do mês anterior, de 7,7%.

Ainda na China, as vendas de automóveis caíram pelo 12º mês consecutivo em junho, ao recuarem 9,6% na comparação anual, para 2,06 milhões de unidades. Considerando todo o primeiro semestre, o declínio das vendas foi de 12,4%, para 12,32 milhões de unidades. As vendas do primeiro semestre foram as mais fracas em quatro anos.

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Na Europa, os índices acionários operam predominantemente em baixa nesta manhã, também no aguardo do discurso de Powell.

Entre os indicadores, dados industriais da França, do Reino Unido e da Itália divulgados hoje vieram acima do esperado pelo mercado. Entretanto, a Comissão Europeia reduziu hoje, no seu relatório trimestral, as projeções para o PIB da zona do euro em 2020, de 1,5% para 1,4%, mantendo inalteradas, contudo, as expectativas para este ano, em 1,2%.

Entre as commodities, destaque para o petróleo, que opera em alta, após um grupo da indústria informar que os estoques dos EUA caíram pela quarta semana consecutiva, aliviando as preocupações com excesso de oferta em meio a tensões comerciais globais. O minério de ferro, por sua vez, opera em baixa.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h24 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,30%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,37%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,27%
*DAX (Alemanha), -0,47%
*FTSE (Reino Unido), -0,21%
*CAC-40 (França), -0,10%
*FTSE MIB (Itália), +0,67%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,31% (fechado)
*Xangai (China), -0,44 (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,15% (fechado)
*Petróleo WTI, +2,13%, a US$ 59,08 o barril
*Petróleo Brent, +1,95%, a US$ 65,41 o barril
*Bitcoin, US$ 12.889,80, +2,33%
R$ 48.480, +3,95% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 0,23%, a 881,00 iuanes, equivalentes a US$ 128,02 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, a FGV divulga, às 8h00, a primeira prévia do IGP-M de julho, enquanto o IBGE informa o IPCA de junho. Às 12h30, o Banco Central divulga o fluxo cambial.

Nos Estados Unidos, às 11h00, o departamento do comércio informa os estoques no atacado de maio. Já às 11h30, saem os estoques de petróleo bruto semanal, divulgados pelo DoE.

3. Reformas

A mudança nas regras das aposentadorias vai a plenário hoje com ao menos 298 votos garantidos, aponta o Placar da Previdência do Estadão, que consultou 504 deputados. Desse total, 117 são contrários, 24 estão indecisos e 65 não responderam.

O texto a ser votado trouxe uma nova fórmula para o cálculo dos benefícios às mulheres, o que pode diminuir a economia prevista em até R$ 30 bilhões em dez anos. Outras alterações que podem ocorrer dizem respeito à retirada da reforma os professores e de policiais federais, rodoviários federais e do legislativo. Já um destaque, apresentado pelo partido Novo busca incluir Estados e municípios na reforma.

Às vésperas da votação da reforma da Previdência, o governo intensificou ainda a liberação de emendas, que somaram R$ 2,6 bilhões nos seis primeiros dias úteis de julho. Em todo o mês passado, foi empenhado R$ 1,5 bilhão. Não é possível verificar ainda o quanto já foi liberado, mas os parlamentares esperam que o governo acelere ainda mais o empenho de emendas nos próximos dias para garantir a votação da reforma da Previdência.

Segundo o Estadão, líderes partidários demonstravam insatisfação e deputados insistem que o Planalto precisa honrar acordo feito há um mês, liberando R$ 20 milhões em emendas para cada um deles, após a aprovação do texto.

Ainda no Congresso, destaque para a reunião hoje, às 9h00, de instalação da comissão especial que vai analisar a PEC 45/19, da reforma tributária. A reunião foi convocada ontem pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para começar a debater a proposta que prevê a substituição de cinco tributos por apenas um, sobre bens e serviços.

A proposta de reforma tributária, porém, se tornou um alvo de disputa de protagonismo entre a Câmara e o Senado. Ontem, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou a decisão dos líderes dos partidos de também apresentar PEC, que terá como base a PEC 293/2004, do ex-deputado Luiz Carlos Hauly, que foi relator da proposta, participou do encontro com os líderes.

Alcolumbre almoçou ontem com o ministro da Economia, Paulo Guedes. O encontro não estava previsto na agenda do ministro. Na saída do ministério, o presidente do Senado foi questionado sobre uma possível proposta de reforma tributária a partir do Senado.

"O Senado é uma Casa legislativa e a Câmara é outra", disse Alcolumbre. "O Senado tem autonomia para debater qualquer matéria importante para o Brasil. A reforma tributária é da Federação, e o Senado não se furtará desse debate", comentou o presidente do Senado.

4. Gravações e pacote anticrime

Ontem, o site The Intercept divulgou o primeiro áudio relacionado ao vazamento de conversas entre membros da força-tarefa da Lava Jato. Segundo a publicação, o procurador Deltan Dallagnol comemorou o veto do Supremo Tribunal Federal (STF) a um pedido do jornal Folha de S.Paulo para entrevistar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, às vésperas das eleições presidenciais de 2018.

Ainda sobre a Lava Jato, a Câmara rejeitou ontem durante análise do pacote anticrime enviado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, o trecho que possibilita a prisão de condenados em segunda instância. Por 7 a 6, o grupo de trabalho que analisa o pacote avaliou que a formalização deste ponto deve ser alterado por uma PEC. O plenário da Câmara, porém, pode revogar a decisão.

5. Notícias corporativas

A Petrobras reduziu o preço médio da gasolina em 4,4% e do óleo diesel em 3,8%, apesar da alta do petróleo no mercado internacional. Desde ontem, o litro da gasolina está em média custando R$ 1,6817 nas refinarias e o diesel valendo R$ 2,0649. Segundo a associação de importadores (Abicom), desde o último ajuste do preço da gasolina, em 11 de junho, a gasolina já subiu 7% no exterior, o que eleva a defasagem do preço interno em relação ao preço internacional para 189,75% no porto de Suape e de 153,14% no Porto de Santos. Em relação ao diesel, a defasagem média está em torno dos 78%.

A Vale informou sobre decisão da 6ª Vara de Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte, proferida em 09 de julho de 2019, em processos propostos pelo Estado de Minas Gerais e pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, que declarou a responsabilidade da Vale pela reparação dos danos decorrentes do rompimento da barragem de rejeitos do Córrego do Feijão, em extensão e forma a serem posteriormente apurados no âmbito dos referidos processos.

A decisão contra a Vale manteve o bloqueio do valor de R$ 11 bilhões. Entretanto, autorizou a substituição do valor de R$ 5 bilhões por outras garantias financeiras, como fiança bancária, seguro garantia e/ou investimentos à disposição do juízo, em adição à substituição do valor de R$ 500 milhões previamente aprovada. “Ademais, foram indeferidos os pedidos de suspensão das atividades e intervenção judicial na Vale, visto que existem garantias suficientes para ressarcir os danos”, acrescentou a mineradora.

(Agência Estado, Agência Brasil e Agência Câmara)

 

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