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CSLL maior: quais ações de bancos devem ser mais impactadas?

Relator da reforma da Previdência propôs aumento da alíquota da CSLL de 15% para 20% e levou à queda dos papéis de bancos; XP vê impacto negativo, mas limitado

Bancos privados
(Reprodução)

SÃO PAULO - O Ibovespa registrou alta na sessão da última quinta-feira (14) em meio ao ânimo dos investidores com o parecer da reforma da Previdência apresentado na véspera pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP).

Contudo, a alta foi limitada pela queda dos bancos justamente por um item que constava no relatório: a proposta da volta da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 20% (ante 15% atualmente). 

A medida seria uma tentativa de compensar algumas das perdas fiscais decorrentes da desidratação esperada da Previdência até o caminho para a aprovação.  A arrecadação esperada seria de R$ 50 bilhões em 10 anos. 

Com isso, as ações do Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC3;BBDC4), Banco de Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) registraram baixa entre 1% e 2% depois da apresentação do relatório, aparecendo como uma das maiores baixas do índice.

A XP Research lembra que entre 2015 e o final de 2018 a alíquota da CSLL foi de 20%, portanto essa não seria uma situação totalmente nova para bancos e seguradoras brasileiros. 

Mas qual é o real impacto dessa medida para as ações desses setores? André Martins, analista da XP, assumiu que a alta de 5 pontos percentuais na alíquota impactaria todo o estoque de crédito tributário e seria reconhecida em 2020, uma vez que a reforma deveria ser votada no segundo semestre e há outros rituais a serem cumpridos até que novas taxas sejam aplicáveis.

Martins fez uma análise sobre o impacto estimando para cada instituição o "break even", que é o intervalo de tempo aproximado em que o benefício fiscal imediato seria 100% consumido pela alíquota mais alta. Assim, mostraria quando essa mudança passaria a prejudicar os retornos para os bancos. 

"Por possuírem menos créditos tributários em seus balanços, esperamos que o Itaú e o Santander sejam os mais impactados negativamente caso a nova taxa seja aplicada", avalia a XP. 

O impacto seria de uma queda de 8% no preço-alvo para o Santander e de 7,5% para o Itaú, enquanto que, para BB e Banco do Brasil, o impacto no target seria negativo em 6,6% e 6% respectivamente.

Confira as estimativas da XP Research no quadro abaixo: 

csll_xp

Atualmente, a XP possui recomendação de compra para as ações do BB, Banrisul e Bradesco, com preços-alvos respectivos de R$ 61 (potencial de valorização de 18,6% em relação ao fechamento de quinta), R$ 34 (upside de 49,8%) e R$ 47 (29,9%). Para Itaú, Santander Brasil, B3 e Cielo, a recomendação é neutra, com preços-alvos de R$ 40 (upside de 17,7%), R$ 55 (upside de 26,4%), R$ 37 (projetando queda de 20,1%) e Cielo (upside de 5,1%) respectivamente. 

O Bradesco BBI, por sua vez, aponta em relatório que o impacto poderia ser negativo entre 3 e 7% sobre os ganhos de bancos e seguradoras em 2020. Estes são os seguintes impactos para o ano que vem, de acordo com a estimativa dos analistas: Banco do Brasil -5%; Itaú -6%; Santander -6%, Banco ABC Brasil -4%; Banrisul -7%; Banco Inter -5%; IRB -3%; BB Seguridade -3%; Sul América -7% e Porto Seguro -5%.

"No entanto, também destacamos que essa alteração proposta poderia gerar grandes ganhos pontuais para os bancos em suas reavaliações de ativos fiscais diferidos. Tudo somado, esta notícia poderá trazer alguma pressão negativa sobre as ações dos bancos até que possamos obter mais clareza", avalia o Bradesco BBI. 

Assim, conforme ressalta a XP, a alíquota de CSLL mais alta deve ter impacto negativo, porém limitado sobre os papéis dos dois setores. 

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