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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Bolsas internacionais operam em queda com acirramento de disputa comercial entre EUA e China; no Brasil, Congresso confirma crédito suplementar ao governo

Plenário, Câmara
(José Cruz/Agência Brasil)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta de 1,53%, aos 98.960 pontos, alavancado pelo aumento das cotações das commodities e pelo acordo no Congresso para a aprovação de um crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões – que foi confirmado na noite de ontem, em sessão conjunta entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

Enquanto há ânimo por aqui, por outro lado, no cenário externo, as principais bolsas operam em queda, em meio a novos capítulos do acirramento das disputas comerciais entre Estados Unidos e China.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender o uso de tarifas como parte de sua estratégia comercial, enquanto a China prometeu uma resposta firme se Washington insistir na escalada das tensões comerciais enquanto as duas maiores economias do mundo tentam negociar um acordo.

Ainda do front externo, destaque para a cotação do minério de ferro, com os preços futuros operando novamente com alta expressiva. Já o petróleo opera na direção inversa, diante da expectativa de menor demanda global e aumentos dos estoques nos EUA.

1. Bolsas Internacionais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem à noite que está vencendo as batalhas comerciais que seu governo começou para apoiar os agricultores americanos e ressaltou que as tarifas aplicadas a produtos chineses "estão trazendo bilhões para o nosso país" e sem efeito nos dados de inflação.

Além disso, Trump comentou que, "depois do que aconteceu com o México, eles irão comprar muito mais de nós", referindo-se à ameaça de tarifar produtos do país vizinho para forçar uma ação mexicana na fronteira entre os dois países. Trump afirmou que o Japão garantiu a ele que comprará "ainda mais" produtos agrícolas americanos.

Ele afirmou ainda que o dólar está em “grande desvantagem” em relação a outras moedas importantes, como o euro. A linha dura do presidente norte-americano levou os índices futuros dos EUA a operar em queda nesta manhã.

Enquanto isso, na China as vendas do setor automotivo sofreram um tombo de 16,4% em maio ante igual mês do ano passado, para 1,91 milhão de veículos, registrando queda pelo 11º mês consecutivo, segundo dados publicados hoje pela associação chinesa de montadoras. Entre janeiro e maio, as vendas diminuíram 13% em relação ao mesmo período de 2018.

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Ainda na Ásia, os bancos chineses liberaram 1,18 trilhão de yuans (US$ 170,5 bilhões) em novos empréstimos em maio, segundo dados publicados hoje pelo Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês).

O montante ficou acima do valor de 1,02 trilhão de yuans registrado em abril, mas abaixo da previsão de 15 analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 1,25 trilhão de yuans em novos empréstimos.

Já a base monetária da China (M2) teve acréscimo anual de 8,5% em maio, repetindo a variação do mês anterior, mas ficou aquém da mediana das projeções de economistas, de alta de 8,6%.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07:14 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,31%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,53%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,30%
*DAX (Alemanha), -0,49%
*FTSE (Reino Unido), -0,64%
*CAC-40 (França), -0,65%
*FTSE MIB (Itália), -0,82%
*Hang Seng (Hong Kong), -1,73% (fechado)
*Xangai (China), -0,56% (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,35% (fechado)
*Petróleo WTI, -2,72%, a US$ 51,82 o barril
*Petróleo Brent, -2,52%, a US$ 60,72 o barril
*Bitcoin, US$ 7.970,50, +0,80%
R$ 30.902, -1,00% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian sobem 2,55%, a 764,00 iuanes (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, o destaque é a divulgação, às 9h, das vendas do varejo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos Estados Unidos, às 9h30, será divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI) de maio e, às 15h, o resultado fiscal de maio.

3. Orçamento e Previdência

O destaque do noticiário foi a aprovação ontem à noite pelo Congresso Nacional, com apoio unânime de governistas, parlamentares de centro e oposição, de uma autorização especial para que o governo possa pagar R$ 248,9 bilhões em benefícios sociais com dinheiro obtido com empréstimos. A prática é vedada pela Constituição e seu descumprimento é crime de responsabilidade, passível de impeachment.

A matéria foi aprovada por 450 deputados e 61 senadores. Após o fim da sessão, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que o resultado era um "sinal claro" da disposição dos parlamentares em apreciar matérias de interesse do País, não do governo. Ele agradeceu aos congressistas pela "maturidade" ao lidar com o tema.

A aprovação traz alívio ao governo, que se viu sob risco de precisar suspender pagamentos a beneficiários do BPC, concedido a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. O dinheiro autorizado para essa despesa acabaria no fim deste mês.

Para a aprovação, porém, o governo selou acordo para liberar R$ 1 bilhão em recursos para o Minha Casa Minha Vida, R$ 1 bilhão para o custeio de universidades, além de R$ 550 milhões para a transposição do Rio São Francisco e R$ 330 milhões para bolsas de pesquisas ligadas ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

Sobre a reforma da Previdência, o presidente da comissão especial, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou ontem que a discussão do parecer do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) deve se estender por duas ou três sessões. Nesse cronograma, o debate ocuparia praticamente toda a semana que vem, caso o relator mantenha a previsão de leitura do parecer nesta quinta-feira (13).

Ramos evitou, porém dizer se a votação na comissão acabará ficando para a primeira semana de julho, diante do feriado e das festas juninas - que geralmente mobilizam parlamentares do Nordeste a ficarem nas suas bases. "Não vejo as festas juninas como empecilho", afirmou. Ramos avisou, porém, que garantir quórum e voto não é papel dele.

O presidente Jair Bolsonaro disse ontem, a uma plateia de empresários, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que, após a aprovação da reforma da Previdência, o ministro Paulo Guedes vai entrar em campo para desburocratizar e diminuir impostos.  

Pressionados a angariar votos favoráveis à reforma da Previdência, sob pena de exclusão dos Estados da proposta, 25 governadores condicionaram o apoio à proposta à exclusão de quatro pontos e à modificação de outros dois itens do texto encaminhado pelo governo Jair Bolsonaro ao Congresso. Segundo eles, o relator acenou que vai acatar os pedidos. A retirada desses pontos reduziria a economia com a reforma em, pelo menos, R$ 127,2 bilhões em dez anos.

Entretanto, as mudanças que o relator da proposta vem estudando, diante da pressão de retirada de alguns pontos, como o regime de capitalização, poderia desidratar a reforma em R$ 300 bilhões nos próximos dez anos, pontua o jornal O Globo.

Já o jornal Valor Econômico destaca que o relatório contábil do Tesouro Nacional a ser divulgado hoje mostrará que o déficit previdenciário dos trabalhadores que recebem pelo INSS foi de R$ 6,4 mil no ano passado, enquanto dos servidores públicos federais chegou a R$ 63 mil per capta. No caso dos militares, esse déficit é de R$ 115 mil.

4. Moro e Lava Jato

O presidente Jair Bolsonaro evitou fazer comentários públicos em relação aos diálogos interceptados por supostos hackers entre o então juiz e atual ministro da Justiça Sério Moro e outros integrantes da força tarefa da Lava Jato. O presidente e o ex-juiz tiveram um encontro reservado ontem, antes de uma participação, juntos, num evento público em Brasília.

O ministro Moro afirmou que a Policia Federal investiga a “invasão criminosa” dos celulares e se ofereceu a dar explicações na Comissão de Constituição e Justiça do Senado na próxima quarta-feira, dia 19. Ontem à tarde, em São Paulo, ao ser questionado durante coletiva de imprensa sobre as revelações do site The Intercept, Bolsonaro deixou o microfone e encerrou a entrevista.

A coluna Painel da Folha destaca que a revelação dos diálogos moveu estruturas nos bastidores da política e do Judiciário, com o retorno de debates sobre o abuso de autoridade das investigações e das prisões em segunda instância.

Além disso, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, deverá marcar para o segundo semestre o julgamento sobre a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, um dos pilares da Operação Lava Jato.

A discussão foi reaberta em um momento de enfraquecimento do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que defende a execução antecipada de pena como forma de combater a corrupção e a impunidade. Novos fatos podem antecipar o calendário, mas a tendência é que o julgamento ocorra depois de outubro.

Em outro caso, discutido também nesta terça-feira pela Segunda Turma do STF, o ministro Ricardo Lewandowski votou para derrubar prisões automáticas determinadas por acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) - que funciona como a segunda instância da Lava Jato.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, já foi condenado pelo TRF-4 no caso no triplex do Guarujá (SP). A turma, no entanto, entendeu que a palavra final sobre essa questão será do plenário do STF.

5. Noticiário corporativo

A Centauro elevou pela segunda vez sua oferta para a aquisição da Netshoes, dessa vez para US$ 3,70 por ação, ante US$ 3,50 anteriormente. Dessa forma, o montante somaria US$ 114,9 milhões, valor 23% superior ao proposto pelo Magazine Luiza. A previsão é de que os acionistas da Netshoes deliberem sobre as propostas nesta sexta-feira, dia 14.

Ontem, em audiência na Câmara dos Deputados, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou que a empresa fez o possível para reduzir os preços dos combustíveis, ressaltando que a política depende de fatores externos. Adicionalmente, o Cade deu sinal verde para que a estatal possa se desfazer de seus ativos de refiro até 2021.

Em relação ao caso do Grupo Odebrecht, os grandes bancos brasileiros estão negociando em conjunto uma recuperação extrajudicial - ou seja, fora do ambiente da Justiça, afirmou ontem Octavio de Lazari, presidente do Bradesco. "Trabalhamos com todos os cenários (sobre a Odebrecht)", disse Lazari. "Procuramos, porém, (priorizar) uma recuperação extrajudicial para que todos os atores possam sentar-se à mesa e chegar a um ajuste, com concessão de mais prazo e condição de pagamento diferenciada."

Ainda no noticiário corporativo, a Gerdau negocia a compra da Siderúrgica Latino Americana (Silat), localizada em Caucaia, no Ceará, pertencente ao grupo espanhol Hierros Añón, diz o Valor Econômico.

(Agência Estado)

 

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