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Ibovespa e dólar ficam em compasso de espera de olho em votações no Congresso

Índice fica praticamente estável e dólar se mantém na casa dos R$ 4,04 à espera do cenário político

Gráfico de ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou próximo da estabilidade nesta quarta-feira (22) depois de subir 5% desde sexta passada, quando terminou o pregão abaixo dos 90 mil pontos pela primeira vez no ano. Animaram os investidores as notícias de que o centrão tomou as rédeas da agenda econômica e está empenhado em aprovar tanto a Reforma da Previdência quanto a Tributária. Hoje, as atenções ficaram voltadas para a votação na Câmara dos Deputados da Medida Provisória 870, que reduziu o número de ministérios de 29 para 22. 

O principal índice da B3 teve leve queda de 0,12%, aos 94.371 pontos - com volume financeiro de R$ 14,206 bilhões -, enquanto o dólar comercial recuou 0,19%, cotado a R$ 4,0402 na venda. 

Já o dólar futuro com vencimento em junho teve leve alta de 0,11% a R$ 4,048. No mercado de juros futuros, os DIs para janeiro de 2021 e janeiro de 2023 ficaram estáveis, a 6,86% e 8,03%, respectivamente.

Também contribuiu para diminuir o nervosismo do investidor a decisão do presidente Jair Bolsonaro de não comparecer às manifestações deste domingo (26). Segundo porta-voz do Planalto, "o presidente não endossa pautas que pedem o fechamento do Congresso e do [Supremo Tribunal Federal] STF", diz. 

No exterior, saiu às 15h a ata da última reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), na qual a taxa básica de juros dos EUA foi mantida na banda entre 2,25% a 2,5%. A ata revelou que os membros do Federal Reserve estão confortáveis com a taxa atual e acreditam que ela possa durar por "algum tempo" ainda.  

Noticiário corporativo

A Petrobras (PETR3; PETR4) informou ontem à noite que manifestou ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) o interesse em exercer o direito de preferência na licitação dos volumes excedentes ao Contrato de Cessão Onerosa no regime de Partilha de Produção. A Diretoria Executiva aprovou a manifestação do interesse de preferência nas áreas de desenvolvimento de Búzios e Itapu, com percentual de 30%.

O valor correspondente ao bônus de assinatura a ser pago, caso haja confirmação do percentual de participação nos termos acima pelo CNPE, será de aproximadamente R$ 20,9 bilhões. A Petrobras poderá ampliar sua participação mínima de 30%, na data de realização do leilão, para as áreas de desenvolvimento em que manifestou o interesse em exercer seu direito de preferência.

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem à noite a Medida Provisória que autoriza o investimento de até 100% de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras. No entanto, os deputados vetaram a permissão para que as companhias cobrem cobrem por bagagens despachadas.

Segundo o Estadão, da forma como aprovada, a MP permite ao passageiro levar, sem cobrança adicional, uma bagagem de até 23 kg nas aeronaves acima de 31 assentos. Esse dispositivo não fazia parte da proposta original enviada ao Congresso. O texto libera que empresas estrangeiras possam operar rotas domésticas no País. A notícia deve afetar as ações da Gol (GOLL4) e da Azul (AZUL4).

Já a Avianca Brasil afirmou a Justiça que a proposta apresentada pela Azul para a compra de parte de suas operações é juridicamente inviável, informou o Valor Econômico. A companhia disse ainda, em manifestação apresentada ontem à 1º Vara de Falências e Recuperações Judiciais do TJSP, que não tem preferência por comprador de seus ativos.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 33,27 -3,84 -20,82 52,88M
 MRFG3 MARFRIG ON 6,85 -2,70 +25,46 30,17M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 8,58 -2,39 -8,53 27,87M
 BRDT3 PETROBRAS BRON 23,00 -1,84 -1,74 155,69M
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 22,88 -1,80 -5,42 49,31M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 NATU3 NATURA ON 61,50 +9,43 +37,42 670,92M
 GOLL4 GOL PN N2 23,50 +5,38 -6,37 183,84M
 SBSP3 SABESP ON 42,50 +3,91 +34,92 354,95M
 CSNA3 SID NACIONALON 17,14 +3,13 +103,43 319,63M
 CIEL3 CIELO ON 7,30 +2,96 -15,47 79,77M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N2 26,29 -0,44 1,27B 1,23B 47.616 
 VALE3 VALE ON 47,46 +0,11 1,01B 888,71M 36.585 
 NATU3 NATURA ON 61,50 +9,43 670,92M 139,97M 28.615 
 BBDC4 BRADESCO PN 34,77 -1,78 532,35M 536,22M 32.429 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 33,60 +0,12 439,60M 574,93M 26.031 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 48,82 -0,12 399,86M 516,99M 21.918 
 JBSS3 JBS ON 22,62 +0,80 362,37M 318,16M 38.852 
 SBSP3 SABESP ON 42,50 +3,91 354,95M 167,23M 23.973 
 CSNA3 SID NACIONALON 17,14 +3,13 319,63M 172,77M 29.242 
 BRFS3 BRF SA ON 30,59 +1,83 288,16M 276,36M 24.499 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Noticiário Econômico
A Câmara dos Deputados vai avançar com uma proposta de Reforma Tributária própria. Sem esperar pelo texto elaborado pelo governo, a admissibilidade da reforma deve ser votada hoje na CCJC, como uma manobra do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e de líderes do Centrão, de mostrar que o Congresso tem sua agenda econômica.

Dessa forma, o Congresso vai se antecipar à proposta que vem sendo desenhada pela equipe do secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra. A intenção do governo seria enviar o texto apenas após a aprovação da Reforma da Previdência. "Não podemos esperar o ano que vem para começar a tributária", disse Francischini, presidente da CCJC.

Segundo Francischini, nenhuma reforma desse tipo é aprovada sem apoio do Congresso ou do governo, já que a Receita Federal precisa operacionalizar as novas regras. Francischini alertou, entretanto, que "algo parecido com a CPMF não passa no Congresso". Ele se disse pessoalmente contra uma proposta de imposto sobre meios de pagamento, como almeja Cintra.

O Ministério da Economia publica hoje um novo Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, quando deverá ser anunciado pelo governo um novo corte de despesas, na faixa dos R$ 3 bilhões, devido à revisão nas projeções de crescimento do País, segundo o Estadão. Com um Produto Interno Bruto (PIB) menor, ao redor de 1,5% e 1,6% neste ano, a arrecadação de tributos também diminui.

O governo já fez um aperto de R$ 29,8 bilhões em março para assegurar o cumprimento da meta fiscal, que permite déficit de até R$ 139 bilhões. Após os cortes no Orçamento da educação terem levado a população às ruas e sob o risco de um apagão na máquina pública, a equipe econômica buscou meios de blindar ministérios de um novo bloqueio nas despesas. A tendência é que a opção seja "queimar" a reserva de R$ 5,4 bilhões existente no Orçamento para acomodar choques e emergências. Com isso, evita-se outra tesourada nos gastos dos órgãos.

O Valor Econômico destaca que os bancos públicos deverão devolver aos cofres da União neste ano ao menos R$ 20 bilhões, de um total de cerca de R$ 86 bilhões recebidos durante o período do governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo a publicação, o dinheiro será usado para abater a dívida pública e a maior parte dos recursos deverá vir da Caixa – que pretende vender ativos, reduzir o índice de Basileia e emitir R$ 8 bilhões em letras financeiras.

A Caixa anunciou ontem ainda que que fará um programa de recuperação de crédito com o objetivo de resolver dívidas de 3 milhões de clientes. A instituição pretende recuperar ao menos R$ 1 bilhão em créditos que já estavam fora do balanço, lançados como prejuízo. Os descontos devem variar de 40% a 90% das dívidas – compostas por débitos de 300 mil empresas e 2,7 milhões de pessoas físicas. Dessas dívidas, cerca de 90% são inferiores a R$ 2 mil.

Noticiário Político

O presidente Jair Bolsonaro, por meio de seu porta-voz, Otávio Rêgo Barros, declarou que não irá participar dos atos do dia 26.

O PSL, partido de Bolsonaro liberou seus filiados a participar das manifestações de ruas. A legenda, entretanto, evita apoio institucional ao evento. "É um movimento espontâneo, nascido das ruas e todos estão liberados a participar", disse o presidente do PSL, Luciano Bivar. Ele era contra, inicialmente, às manifestações, mas mudou de posição.

Sobre o polêmico decreto que libera a posse das armas, que abriu brecha, inclusive, para permissão de compra de fuzil por cidadãos comuns, o Planalto admitiu ontem que pode alterar o texto. Segundo o Estadão, aspectos do decreto que flexibilizou o porte de armas estão sendo avaliados pelo presidente e pela Casa Civil. A Anistia Internacional e 14 governadores se manifestaram contra o teor do decreto.

Em meio às discussões da Reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez duras críticas ao líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo, ressaltando que o diálogo com ele se tornou "impossível" e que a situação é "incontornável", com um rompimento institucional entre os dois.

Segundo o Estadão, a razão teria sido mensagens de Vitor Hugo em grupos de WhatsApp, associando as negociações entre o governo e o Congresso a sacos de dinheiro. Maia teve acesso à sátira e ficou irritado.

Bolsas Internacionais

As bolsas internacionais fecharam em sinais distintos nesta quarta-feira, em meio às preocupações quanto à guerra comercial entre EUA e China e à espera da divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central americano.

Segundo o presidente da distrital do Fed em St. Louis, James Bullard, a instituição poderá precisar cortar seu juro básico se a inflação não voltar a acelerar para os níveis desejados. Uma forma de o Fed atingir isso seria relaxando sua política monetária, disse Bullard.

Na Ásia, os mercados reagiram à continuidade da tensão comercial entre as duas maiores potências econômicas globais, mesmo após os EUA recuarem temporariamente em relação às restrições à gigante de telecomunicações chinesa Huawei.

Segundo a CNBC, o presidente chinês, Xi Jinping, sinalizou que não haveria fim à guerra comercial no futuro próximo. Já o embaixador da China nos EUA afirmou que Washington “muda de ideia com muita frequência”, em relação às negociações comerciais.

Na Europa, os principais índices que operavam sem sinais distintos, passaram todos para o terreno positivo no início desta manhã. Estão previstos para hoje discursos do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, sobre política monetária da União Europeia e da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, no Parlamento Britânico.

Entre as commodities, o preço do minério de ferro passa por uma nova alta, de 3,41%, cotado a 728,00 iuanes, na bolsa de Dalian, equivalente a US$ 105,66. As preocupações do mercado recaem sobre o risco de um novo desabamento de barragem da Vale no Brasil, segundo a própria empresa admitiu.

Já o petróleo recua após dados da indústria mostrarem um aumento nos estoques de petróleo dos EUA e com a Arábia Saudita prometendo manter os mercados equilibrados.

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