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Ao bater os 100 mil pontos, a bolsa ficou cara?

Há gestores e analistas otimistas, achando que o Ibovespa pode subir mais

Mesa operações XP
(Flavio Santana/Biofoto)

SÃO PAULO - Depois de vários pregões de expectativa, o Ibovespa finalmente superou a marca dos 100 mil pontos nesta segunda-feira (18). Para quem investe, ou pretende investir em ações, a pergunta que importa é: e agora? A bolsa ficou cara? Ou ainda vale a pena investir?

Na opinião da maioria dos analistas, a reforma da Previdência ainda é o grande gatilho que pode fazer a bolsa valorizar mais. É, inclusive, um fator decisivo para a entrada do investidor estrangeiro no país.

Mas alguns especialistas veem espaço para alta mesmo se a reforma levar um tempo para ser analisada – desde que, é claro, a expectativa seja de aprovação. “Os 100 mil pontos são uma marca psicológica. O Ibovespa pode subir mais que isso”, diz David Cohen, gestor da Paineiras Investimentos.

Para Cohen, o índice P/L do Ibovespa – que mede a relação entre o preço das ações e o lucro das empresas por ação do Índice – mostra que a bolsa ainda não está cara. O P/L está hoje ao redor de 12, no meio da faixa em que oscilou nos últimos anos, entre 10 e 14. "Ou seja, está longe de representar um valor caro", afirma o gestor.

Cohen explica ainda que este múltiplo costuma depender essencialmente de 3 variáveis: taxa de juros (quanto mais baixa, maior o P/E); risco país (quanto mais baixo, maior o múltiplo); e crescimento esperado (quanto mais alto, maior o múltiplo).

Hoje, já temos juros baixos (e alguns analistas acham que pode cair mais) e risco também baixo. A economia ainda patina, mas, na avaliação de Cohen, com a aprovação da reforma da Previdência, todas essas variáveis deverão levar a um patamar maior de múltiplo do que foi visto nos últimos anos.

"Além disso, acreditamos que o lucro das empresas surpreenderá positivamente com a perspectiva de crescimento. Tudo isso gera potencial para a bolsa atingir patamares significativamente maiores do que estamos vendo hoje", completa.

Visão parecida tem a XP Investimentos. João Braga, gestor da XP Asset, diz que não trabalha com um número para o Ibovespa, mas com o cenário de assimetria, e que diante disso ainda segue otimista e bem alocado no mercado. Para ele "de forma alguma a bolsa está cara".

Já a equipe de análise da XP Research, em relatório publicado no início do ano, apontava para uma valorização da bolsa em 2019. “Vemos a bolsa como a melhor classe de ativos no Brasil, com potencial de o Ibovespa atingir 125 mil pontos até o final do ano”, disseram os profissionais.

“A implementação de uma agenda liberal poderia levar a uma gradual reprecificação dos ativos no Brasil, por meio de revisão positiva dos lucros, menor percepção de risco e maior alocação para a bolsa brasileira”, apontaram, indo em linha com a visão de Cohen.

A marca dos 100 mil pontos era puramente psicológica, mas tem sua importância no atual cenário de retomada do País. A questão é que para se firmar acima deste patamar será preciso mais do que apenas uma expectativa boa, este cenário otimista (leia-se reforma da Previdência) terá de se concretizar.

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