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"Risco Bolsonaro" já está bem precificado pelo mercado, diz analista

Com as quedas observadas no Ibovespa e nas projeções para a economia, os "Analistas Sem Censura" apontam que os preços das ações já "se contrapõem" de forma interessante ao temor eleitoral

SÃO PAULO - Neste ano eleitoral, há tempos que "incerteza" se provou o nome do jogo. A névoa que ainda paira sobre outubro vem pesando sobre a bolsa, com os principais nomes das pesquisas de intenção de voto inspirando desconfiança do mercado, em especial quanto à realização de reformas econômicas consideradas essenciais à saúde financeira do País. Entretanto, de acordo com os "Analistas Sem Censura" no programa desta terça-feira (10), pode ser que o Ibovespa já esteja alcançando um ponto de inflexão quanto ao tumulto da corrida presidencial.

"Eu nem vejo tanto risco eleitoral assim", afirmou o analista Bruce Barbosa. "Acho que um Bolsonaro já está meio precificado". Segundo argumenta, o deputado Jair Bolsonaro (PSL), atrás somente de Lula nas pesquisas, representa um risco na medida em que é difícil prever o que faria caso eleito, mas que ele tem "tentado 'dar seta para a direita'", com o apontamento de Paulo Guedes, economista de veia liberal, como seu possível ministro da Fazenda. 

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Com as quedas observadas no índice e nas projeções para a economia desde o início do ano, Ricardo Schweitzer aponta que agora já se alcança um momento em que os preços das ações "se contrapõem" de forma interessante ao temor eleitoral. "É difícil saber, mas a expectativa caiu demais. A gente tinha uma expectativa de o PIB crescer 3% esse ano, e a gente vai crescer quase a mesma coisa que cresceu ano passado", concluiu Bruce. Com as revisões sendo feitas tão para baixo, muitas ações sentem o impacto. 

Para Ricardo, mesmo o caso da eleição de um candidato mais desfavorável ao mercado, como o pedetista Ciro Gomes, já não causa tanto pânico. "Se o Ciro ganha e destrói a economia, ele é impeachado em 6 meses. Obviamente, a economia vai sofrer até isso, mas o Brasil não funciona sem a economia funcionando, a gente viu isso com a Dilma, e ela era de um partido grande", complementa Bruce.

Tudo isso indica que a maré está favorável para ampliar posição na bolsa, ressaltaram os analistas. A temporada de divulgação de resultados das empresas se aproxima e, para Ricardo, "o risco de o resultado vir pior do que o mercado enxergava" está reduzido: "pelo contrário, em muitos casos, considerando o que teve de revisão para baixo, talvez haja espaço para surpresas positivas".

Dentre os papéis que o grupo enxerga como oportunos, destacam-se empresas de pequeno e médio porte, cujos valores "caíram pela metade" na dinâmica de crise do mercado, em que ações de menor liquidez acabam inspirando o medo dos investidores. Bruce voltou a indicar Unipar (UNIP6), Locamerica (LCAM3) e Guararapes (GUAR3), ressaltando também que houve uma fuga de investimentos em empresas de consumo interno e que "tem muita coisa boa por aí".

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