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Petrobras salta 4% e BRF cai 3,5%; Vale tem perda de quase 2% com tensão entre EUA e China

Confira os destaques do mercado na sessão desta segunda-feira (25)

Plataforma Petrobras
(Divulgação Petrobras)

SÃO PAULO - Em uma segunda-feira (25) complicada para as bolsas internacionais, o Ibovespa conseguiu fechar com leve alta após uma sessão de alternando entre ganhos e perdas. Vale (VALE3) e siderúrgicas (GGBR4, CSNA3) estão dentre as que mais pesaram hoje no índice, sofrendo os efeitos da disputa comercial entre EUA e China, que continua se agravando. Já os bancos tiveram dia misto, repercutindo reduções nos preços-alvos pelo UBS. Nas maiores altas do dia, a Petrobras (PETR3, PETR4) se destaca, nadando contra a corrente dos preços internacionais do petróleo.

Confira os destaques do pregão:

Vale (VALE3) e siderúrgicas

As ações da Vale e siderúrgicas, como Gerdau (GGBR4) e CSN (CSNA3), fecharam em queda nesta sessão em meio à tensão entre EUA e China. No domingo (24), Trump voltou a usar o Twitter para ameaçar com novas medidas retaliatórias países que não retirarem “barreiras artificiais” contra produtos norte-americanos. Neste sentido, segundo matéria do Financial Times, o presidente se prepara para anunciar nesta semana a restrição de investimentos da China em empresas do país. De acordo com a reportagem do jornal britânico, o escopo exato das medidas ainda é alvo de discussões internas na Casa Branca, mas Trump já designou o Departamento do Tesouro para redigir as restrições, que devem acompanhar a já anunciada tarifação extra sobre US$ 50 bilhões de produtos chineses.

Diante dos ataques, a China decidiu cortar em 50 pontos-base o compulsório bancário, liberando cerca de US$ 100 bilhões para a economia. Segundo assessores do próprio governo, a terceira redução do compulsório no ano deve aliviar as preocupações de que uma disputa comercial com Washington prejudique as empresas locais.

Weg (WEGE3)

As ações da Weg tiveram o preço-alvo elevado de R$ 17 para R$ 18 pelo JPMorgan, com recomendação neutra. 

Embraer (EMBR3)

O avião de ataque A-29 Super Tucano, da Embraer Defesa e Segurança (EDS), caiu durante um exercício conduzido pela Força Aérea dos Estados Unidos (UFAF) em um campo de testes no Novo México às 11h30 de sexta-feira (22). Um dos pilotos que estava no avião foi declarado morto. 

A queda acontece apenas cinco semanas depois que a Força Aérea americana deu início à segunda série de exercícios de ataque leve. Além do Super Tucano da Embraer, os testes também estão sendo feitos com o AT-6 Wolverine, da Textron Aviation. O plano da Força Aérea é tomar uma decisão sobre a potencial compra de centenas de aeronaves para missões de ataque e reconhecimento, em um programa chamado OA-X. O contrato pode abranger entre 120 e 300 aviões, no longo prazo, num total de até US$ 3,5 bilhões.

A primeira fase dessa avaliação foi realizada no ano passado, permitindo que a USAF se familiarizasse com a capacidade de cada aeronave. A segunda fase teve início no mês passado com o objetivo de identificar como conectar os aviões às redes militares de inteligência e a capacidade de apoio das aeronaves em campo.

“Embraer e SNC estão cooperando com a Força Aérea dos Estados Unidos na investigação” e informações adicionais serão divulgadas assim que estiverem disponíveis, informou a companhia em nota. 

Petrobras (PETR3;PETR4)

Diversas notícias agitaram o radar da Petrobras, que registrou bons ganhos, mesmo em meio ao movimento negativo dos preços do petróleo. Os contratos futuros de petróleo operam em queda, na esteira da recente decisão de grandes produtores de começar a elevar sua oferta, depois de restringi-la por cerca de um ano e meio.

De acordo com as cotações das 17h20, horário de Brasília, o petróleo tipo Brent para agosto caía 0,9% na IntercontinentalExchange (ICE), a US$ 74,88 por barril, enquanto o WTI para o mesmo mês teve perdas de 0,83% na New York Mercantile Exchange (Nymex), a US$ 68,01 por barril. Na sexta-feira, o Brent e o WTI saltaram 3,4% e 4,6%, respectivamente.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que é informalmente liderada pela Arábia Saudita, e outras dez nações que não integram o cartel, incluindo a Rússia, decidiram nos últimos dias elevar sua produção combinada em até 1 milhão de barris a partir do próximo mês, embora o nível efetivo do aumento continue incerto e pode variar de 600 mil a 800 mil barris diários, segundo analistas.

Já no radar da Petrobras, a estatal informou que o acordo para encerrar a class action nos Estados Unidos foi aprovado de forma definitiva pela Corte Federal de primeira instância em Nova York.  A decisão pode ser objeto de recurso à Corte de Apelações do Segundo Circuito, porém, a partir de agora, a Class Action está encerrada em primeira instância, diz a empresa. "O acordo não constitui admissão de culpa ou de prática de atos irregulares pela Petrobras, reconhecida pelas autoridades brasileiras como vítima dos fatos revelados pela Operação Lava Jato", completou a companhia. 

Já a Folha informa sobre uma outra ação que a companhia tem, desta vez no TST. Na semana passada, a companhia perdeu a maior ação trabalhista de sua história e que pode custar R$ 15 bilhões em valores retroativos. Porém, a empresa entende que a decisão não representará desembolsos imediatos, uma vez que ainda cabe recurso. Mesmo em caso de derrota, a estatal realizará os pagamentos de acordo com execuções de ações em instâncias inferiores. A empresa prevê pagar ação bilionária de forma progressiva e acredita que pode mudar o resultado da decisão do TST no STF (Supremo Tribunal Federal).

O Ministério de Minas e Energia, por sua vez, informou que o Ibama emitiu licença de operação para as jazidas de Tartaruga Verde e a Compartilhada de Tartaruga
Mestiça, ambas na plataforma Campos de Goytacazes. A plataforma é operada pela Petrobras no pré-sal. O ministério acrescentou que, em pico de produção, a plataforma representará aproximadamente 8,3% de todo o petróleo e 4,5% do
gás produzidos na Bacia de Campos.

Em outro comunicado, a Petrobras informou que elevou o preço da gasolina nas
refinarias de R$ 1,8634 o litro para R$ 1,8783 o litro, segundo informações no website da empresa. Os preços antes de impostos são válidos a partir de 26 de junho.

Por fim, a Câmara dos Deputados pode concluir nesta semana a apreciação da proposta que permite à Petrobras transferir ou negociar até 70% dos campos da cessão onerosa do pré-sal na Bacia de Santos. O plenário precisa terminar a análise dos destaques – sugestões de mudanças - no texto-base aprovado na última quarta-feira (20).

Bancos

O UBS reduziu os preços-alvos do Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) em até 18% com custo maior de capital diante da forte elevação nos yields dos títulos brasileiros de 10 anos e potenciais perdas comerciais, segundo escrevem analistas liderados por Philip Finch em relatório.

O Itaú Unibanco teve preço-alvo reduzido de R$ 53 para R$ 44. O UBS destaca forte base de capital, provisões excedentes ilustradas por índice de cobertura de provisionamento e risco ascendente para estimativa de yields de dividendos de 2018 de 7,7% após recente emissão de capital híbrido no Itaú. Vê Itaú ainda como um dos melhores nomes da classe em mercados emergentes.

O Bradesco foi cortado de R$ 35 para R$ 28,70. O UBS diz estar impressionado pela melhoria no fechamento de filiais e redução de pessoal após a aquisição do HSBC. Já o Santander teve o preço-alvo reduzido de R$ 29 para R$ 24.  Como agiu inicialmente para expandir e arriscar novamente sua carteira de empréstimos, reportando crescimento de 9,0% no primeiro trimestre, com indivíduos como o principal motor, pode estar mais vulnerável a nova deterioração na perspectiva de crescimento do PIB, destacam os analistas. 

Já o BB teve o preço-alvo cortado de R$ 50 para R$ 41,60. Os analistas do banco esperam que o balanço do BB continue melhorando com melhor qualidade dos ativos e nível mais alto de capital, o que reduz a necessidade de ampliação do capital.

BRF (BRFS3) e Minerva (BEEF3)

De acordo com informações do jornal Valor Econômico, a BRF vendeu, em bloco, cerca de 8 milhões de ações da Minerva e obteve um pouco mais R$ 55 milhões. Com isso, a participação da BRF foi de 11,6% no fim do primeiro trimestre para 6,8% em 22 de junho.

O índice de endividamento da BRF é assunto de maior preocupação no mercado atualmente e devido ao cenário operacional difícil, questionamentos sobre um potencial aumento de capital estão sendo levantados. Segundo o colunista do jornal O Globo Lauro Jardim, Pedro Parente, CEO e presidente do conselho da BRF, terá como uma de suas primeiras missões decidir se a empresa fará um aumento de capital de R$ 4 bilhões.

"Acreditamos que a BRF ainda tem tempo para tomar essa decisão, porém, de fato um aumento da capital é possível no contexto da entrada de Parente como CEO e a apresentação de um esperado plano de reestruturação, dado que isto aceleraria o processo de retomada da empresa", destaca a equipe de análise da XP Investimentos. 

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Linx (LINX3)

A Linx aprovou o programa de recompra de até 10 milhões de ações ON em 18 meses.

CVC (CVCB3)

Em meio ao avanço do canal digital no varejo, a CVC, a maior operadora de turismo da América Latina, parece nadar contra a corrente. Mesmo após atingir a marca de 1,2 mil lojas físicas no País, a empresa continua com um plano de expansão agressivo: abrir mais cem unidades neste ano, destaca o jornal O Estado de S. Paulo. 

"Foi difícil, após abrirmos capital, convencer o mercado do nosso modelo de negócios. Todo mundo achava que a internet ia nos matar e tentávamos convencer que, no Brasil, quem viaja precisa de crédito e gosta de atendimento pessoal, por isso a necessidade da loja física", diz o presidente da companhia, Luiz Eduardo Falco, em entrevista ao jornal. 

No fim de 2013, quando estreou na Bolsa, o valor de mercado da CVC rondava os R$ 2 bilhões. Esse número começou a decolar apenas em meados de 2016.

Dois anos e meio foi o tempo, segundo Falco, necessário para o mercado acreditar na estratégia das lojas físicas em um mundo já digital. Hoje, a empresa vale R$ 6,3 bilhões, tendo registrado uma alta em suas ações de 25% no último ano.

As 1,2 mil lojas da CVC ainda são responsáveis por 60% das vendas do grupo. O online e os intercâmbios somam, juntos, 10% (a empresa não divulga dados dos segmentos separados) e os 30% restantes vêm do segmento corporativo.

Oi (OIBR4)

A Pharol disse que entrou com ação em tribunal de Lisboa solicitando a apreensão de bens, dinheiro e direitos da Oi, de acordo com comunicado. A medida visa salvaguardar o pagamento da Oi à Pharol de uma compensação que será determinada pelo processo principal, diz Pharol. Pharol, um dos maiores acionistas da Oi, não forneceu detalhes sobre o processo

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

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