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Rebaixamento do rating brasileiro pressiona, mas não gera pânico no mercado

Agência de classificação de risco rebaixa nota de crédito brasileira de de 'BB' para 'BB-'

SÃO PAULO - Depois de muita especulação, a S&P (Standard & Poor’s) finalmente cortou o rating do Brasil de 'BB' para 'BB-', fato que era temido por muitos investidores pela demonstração de descrença com o futuro do País e pelo Ibovespa estar nas máximas. Contudo, a reação do mercado nesta sexta-feira (12) revela que toda essa preocupação era demasiada e muito dessa expectativa "estava no preço", tanto que o índice zerou suas perdas. Para ajudar, a inflação ao consumidor nos EUA desacelerou em dezembro, o que dá espaço para o Fed seguir com sua política monetária expansionista.

Às 11h43 (horário de Brasília) desta sexta-feira (11), o Ibovespa registrava queda de 0,38%, aos 79.100 pontos, movimento que pode ser considerado natural depois de subir forte nas duas últimas semanas. Enquanto isso, os "indicadores do pânico", juros futuros, dólar e o CDS (Credit Default Swaps) de 5 anos, um dos mais importantes índices de risco do mercado financeiro, estão estáveis neste momento e revelam que os investidores estão digerindo sem grandes problemas o rebaixamento do rating brasileiro.

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"De fato, o anúncio não foi nenhuma novidade, já era amplamente esperado que teríamos esse rebaixamento por conta do fracasso do governo em avançar com a reforma da Previdência, já que em 2018 o calendário político mais curto dificultaria esse avanço", afirmou Thiago Salomão, editor-chefe e analista do InfoMoney. Além de não ser necessariamente uma novidade, um dos grades temores quando uma agência de classificação de risco corta o rating de um país é sobre a solvência da economia, situação que no momento não preocupa a S&P. Ao alterar a perspectiva de rating de negativa para estável, a agência justificou o setor externo sólido, remetendo a sólida posição das reservas internacionais, como das melhores expectativas para a economia neste ano.

Apesar do corte servir como um reforço do discurso do governo para aprovar a Previdência, a expectativa é de que não haja muitas mudanças na percepção dos deputados. Conforme aponta o BofA, a reforma continua a ser uma medida impopular e a proximidade do ciclo eleitoral naturalmente faz com que os deputados tendam a não apoiar a medida. Agora, aponta o BofA, o foco se volta para a Moody's e a Fitch, que ainda vão tomar uma decisão: "não há cronogramas claros para a revisão da nota, mas uma rejeição da reforma da previdência na Câmara - que deverá ser votada na semana de 19 de fevereiro - pode desencadear um downgrade pelas agências", afirma.

Inflação não é problema nos EUA
O CPI (índice de inflação ao consumidor, na tradução livre) norte-americano desacelerou de 0,4% para 0,1% na passagem de novembro para dezembro, em linha com o projetado pelo mercado. Com o resultado abaixo do esperado, que se soma à deflação de 0,1% da inflação ao produtor na última quinta-feira (11), os investidores elevam as apostas de que o Fed seguirá com sua política monetária expansionista, assim como reduzem a probabilidade de aumento da taxa de juros este ano.

Ainda falando sobre agenda econômica, as vendas no varejo nos EUA avançaram 0,4% na passagem de novembro para dezembro, enquanto os analistas esperavam por um crescimento de 0,5%. Por aqui, os dados do setor de serviço surpreenderam ao registrar crescimento de 1% na passagem de outubro para novembro, enquanto o mercado esperava por uma queda de 1%.

Destaques do mercado
Do lado positivo, as ações do setor siderúrgico seguem liderando as altas, refletindo ainda o relatório otimista do BTG reforçando a compra dos papéis, enquanto os papeís da Kroton (KROT3) recuam pelo segundo pregão em vista do rebaixamento para "neutro" pelo JP Morgan na última quinta-feira (11).

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 KROT3 KROTON ON 17,53 -1,41 -4,73 7,87M
 CPLE6 COPEL PNB 23,58 -1,34 -5,49 1,01M
 IGTA3 IGUATEMI ON 39,79 -1,27 +1,02 623,08K
 MRFG3 MARFRIG ON 6,98 -1,13 -4,64 1,11M
 RENT3 LOCALIZA ON 22,95 -1,08 +4,03 3,15M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONALON 11,11 +2,40 +32,58 51,13M
 USIM5 USIMINAS PNA 10,99 +1,76 +20,77 72,81M
 FIBR3 FIBRIA ON 50,35 +0,88 +5,22 14,26M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 19,51 +0,88 +4,39 4,68M
 CYRE3 CYRELA REALTON 14,06 +0,79 +6,35 1,47M
* - Lote de mil a??es
1 - Em reais (K - Mil | M - Milh?o | B - Bilh?o)

Noticiário político
Como se não bastasse a tensão com o rebaixamento de rating, o governo enfrenta outras questões, com destaque para as articulações para 2018. Segundo afirma a Folha, aliados de Maia e Meirelles reagem negativamente à fala de Temer ao Estadão sobre as candidaturas, afirmando que Maia "não tinha nada a perder", que prefere Meirelles na Fazenda e tecendo elogios a Geraldo Alckmin. 

Dos dois lados, a leitura foi a de que para sinalizar que o árbitro do jogo é ele. Temer atirou nos aliados que tentam se projetar com as próprias pernas e enalteceu Alckmin, alvo de desconfiança sobre suas chances dentro do próprio partido. 

Bolsas mundiais
As bolsas asiáticas registraram ganhos modestos nesta sexta-feira, na esteira de dados mistos da balança comercial chinesa. Em dezembro, as exportações chinesas tiveram expansão anual de 10,9%, maior do que o ganho de 9,5% previsto por analistas, mas as importações registraram avanço anual bem mais modesto no mês passado, 4,5% ante expectativa de alta de 15%. O Nikkei acumulou a terceira queda seguida à medida que o iene acumula ganhos de mais de 1% em relação ao dólar desde a última terça-feira (09), quando o Banco do Japão inesperadamente reduziu o volume de uma oferta de compra de bônus do governo japonês, gerando especulação sobre aperto em sua política monetária.

Enquanto isso, os contratos futuros dos índices norte-americanos seguem em alta, refletindo a desaceração da inflação ao consumidor nos EUA em dezembro. Na última quinta-feira (11), o índice de inflação ao produtor norte-americano registrou deflação de 0,1% na passagem de novembro para dezembro, enquanto o mercado projetava avanço de 0,2% no último mês de 2017, alimentando as apostas de que o Fed seguirá com sua política monetária expansionista.

Na Europa, as bolsas aceleraram os ganhos após acertado um acordo preliminar entre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o SPD para formar uma coalizão. O acordo envolve diversos temas, de áreas como tributárias e saúde, além de imigração.

Às 11h43, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,40%

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,22%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,13%

*CAC-40 (França) +0,33%

*FTSE (Reino Unido) +0,21%

*DAX (Alemanha) +0,22% 

*Hang Seng (Hong Kong) +0,94% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,24% (fechado)

*Xangai (China) +0,12% (fechado)

*Petróleo WTI -0,56%, a US$ 63,44 o barril

*Petróleo brent -0,12%, a US$ 69,18 o barril

*Bitcoin +1,08%, a R$ 47.000 (confira a cotação da moeda em tempo real)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -2,07%, a 544 iuanes (nas últimas 24 horas)

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