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S&P rebaixou o Brasil: o que fazer com suas ações na Bovespa?

Respondi esta pergunta para um dos alunos do curso que eu ministro no InfoMoney; acredito que essa dúvida seja a mesma de muitos investidores, principalmente os iniciantes

Mulher com dúvidas

SÃO PAULO - Um dos alunos do meu curso aqui no InfoMoney (Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora) fez uma pergunta simples, porém muito valiosa sobre a decisão anunciada nesta quinta-feira (11) pela S&P de rebaixar o rating do Brasil:

"Thiago Salomão, é a primeira vez que passo por um evento desse. Geralmente um rebaixamento inicia um movimento de baixa da bolsa, ou apenas gera uma correção rápida? Ou melhor, gostaria amanhã já é um dia bom pra comprar ou devemos esperar um período maior de queda?"

Segue abaixo minha resposta:


 

S&P rebaixou Brasil: o que fazer na Bolsa amanhã?

 

A NOTÍCIA
A S&P rebaixou o rating do Brasil de BB para BB-, com perspectiva estável. O motivo foi a lentidão no avanço de reformas e o fracasso da condução das políticas envolvendo a agenda fiscal. A decisão certamente culminará no rebaixamento de rating de diversas empresas brasileiras e coloca o Brasil em um nível ainda mais baixo na categoria "junk".

ESSA DECISÃO ERA ESPERADA?
Sim. O anúncio não foi nenhuma novidade, já era amplamente esperado que teríamos esse rebaixamento por conta do fracasso do governo em avançar com a Reforma da Previdência em 2017 - já que em 2018 o calendário político mais curto dificultaria esse avanço.

ENTÃO A BOLSA NÃO VAI CAIR AMANHÃ, CERTO?
Olha, a princípio não teria razão pra cair só por causa do corte, mas é preciso lembrar que o Ibovespa subiu 1,5% apenas nesta quinta-feira e fechou em alta em 12 dos últimos 14 pregões (acumulando ganhos de 9,1% nesse período), e um dos fatores que explicaram essa forte alta foi a "desistência" do rebaixamento de rating da S&P no final do ano passado - lembrando que era esperado esse corte entre o Natal e o Reveillon, mas isso não aconteceu. Então, há sim uma boa chance de queda do Ibovespa e alta do dólar nos minutos iniciais do pregão. 

O QUE FAZER COM MINHAS AÇÕES: VENDER OU COMPRAR MAIS?
O rebaixamento por si só não é motivo pra vender ações DE JEITO NENHUM. Além de ser uma decisão amplamente esperada, destaco dois fatores "positivos" do anúncio: i) S&P manteve perspectiva estável pelo sucesso do Brasil na condução da política monetária, cambial e pela solidez frente o mercado externo; ii) Henrique Meirelles disse após o rebaixamento que a notícia é negativa, mas ajuda a reforçar a "importância de aprovar a reforma da previdência". Muita ingenuidade achar que esse anúncio comoverá nossos queridos políticos, mas ajuda a fortalecer a campanha que Temer vem fazendo nesta semana de colocar a Reforma como prioridade na agenda política. E reforma da previdência está descartada nos preços de qualquer investidor do mercado - ou seja: qualquer coisa que seja aprovada, por mínima que seja, já terá um efeito positivo nos mercados.

CONCLUSÃO:
- Ninguém pode garantir como será a reação do mercado amanhã, mas eu não venderia minhas ações só por causa da notícia do rebaixamento;
- Se a bolsa cair demais nesta sexta, pode ser sim um bom sinal de entrada, principalmente para aqueles que ainda não estão seguindo as recomendações da Carteira InfoMoney (a saber: Carteira InfoMoney está com rentabilidade de 3,81% até o fechamento de 11 de janeiro, contra +3,88% do Ibovespa).

*texto atualizado às 21h43: o EWZ, ETF de ações brasileiras negociado lá fora, estava caindo cerca de 0,7% após a notícia de rebaixamento, mas agora praticamente zerou as perdas.

Texto publicado originalmente na comunidade de alunos do meu curso, Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora (não conhece o curso? Clique aqui!)

perfil do autor

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E-mailthiago.salomao@
infomoney.com.br

Thiago Salomão

Editor-chefe do InfoMoney, analista CNPI-P (Fundamentalista e Técnico), criador e analista responsável pela Carteira Recomendada InfoMoney e professor do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora". Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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