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Petrobras se descola do petróleo e cai; Oi desaba 31% em 2 pregões com novo plano de reestruturação

Confira os principais destaques da Bolsa desta quinta-feira

Petrobras
(André Valentim / Banco de Imagens Petrobras)

SÃO PAULO - O Ibovespa caiu 0,67%, a 72.429 pontos, nesta quinta-feira (14), após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, confirmar a votação da reforma da Previdência para fevereiro do ano que vem e o alerta de rebaixamento do rating brasileiro pela Moody's e Fitch. Com o aumento da aversão ao risco dos investidores, as blue chips Petrobras e bancos fecharam novamente em queda. Enquanto do lado positivo, somente 4 das 59 ações subiram mais de 1%: Metalúrgica Gerdau, Hypermarcas, Fibria e JBS. 

Confira abaixo os destaques da Bolsa deste pregão:

Bancos 
Sentindo a tensão que se espalha no mercado após o adiamento da reforma e com os alertas das agências de classificação de risco Moody's e Fitch, as ações dos bancos estenderam as perdas de ontem e caíram mais nesta sessão. São elas: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 41,09, -1,58%), Bradesco (BBDC3, R$ 30,37, -0,98%; BBDC4, R$ 32,78, -0,79%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 30,19, -1,18%) e Santander (SANB11, R$ 30,43, -0,39%).  

Petrobras (PETR3, R$ 15,81, -0,82%; PETR4, R$ 15,01, -1,12%)
Descoladas dos preços do petróleo, as ações da Petrobras caíram nesta sessão, seguindo o mau humor doméstico. Em Londres, os contratos futuros do petróleo Brent subiam 1,41%, a US$ 63,32 o barril, enquanto os contratos do WTI, negociados em Nova York, fecharam em alta de 0,8%, a US$ 57,05 o barril.

No radar da estatal, a BR Distribuidora, subsidiária de postos de combustível da Petrobras, arrecadou cerca de 5 bilhões em sua oferta inicial de ações, maior valor desde 2013. A maior distribuidor de combustível do país vendeu ações ordinárias por R$ 15 cada, no piso da faixa indicativa de R$ 15 a R$ 19 previsto em seu prospecto, de acordo com informações do website da CVM. Os R$ 5 bilhões incluem vendas de lotes adicionais. Ação começa a ser negociada na bolsa brasileira na sexta-feira.

R$ 5 bilhões e muitas dúvidas: os desafios que guiam o maior IPO da bolsa desde 2013

O IPO da subsidiária, conhecida como BR Distribuidora, é o maior passo da Petrobras em seu plano de dois anos para vender US$ 21 bilhões em ativos para reduzir a dívida e agilizar as operações. As alienações ficaram paralisadas no início deste ano em meio a desafios legais e a Petrobras só vendeu um campo de petróleo por US$ 55 milhões antes do IPO da BR Distribuidora. Pedro Parente, presidente da Petrobras, gostaria de acelerar as vendas antes que a incerteza política aumente em meados de 2018 quando a campanha presidencial se aproximar.

IPO da BR Distribuidora é o maior desde o da BB Seguridade, que levantou R$ 11 bilhões em abril de 2013. As duas ofertas foram conduzidas por Ivan Monteiro, atual diretor financeiro da Petrobras e em 2013 diretor financeiro do Banco do Brasil. Monteiro deixou o BB rumo à Petrobras em 2015.

As empresas brasileiras estão testando a demanda por ofertas públicas iniciais depois que o principal índice de ações do país aumentou 21% este ano, quando a economia emergiu de sua recessão mais profunda da história. Além da BR Distribuidora, o operador local da Burger King e a empresa de energia Neoenergia, a unidade brasileira da Iberdrola, possuem IPOs programados para esta semana.

A BR Distribuidora controla a maior rede de estações de gasolina no Brasil, com 8.212 unidades e mais de 1.000 lojas de conveniência. O Brasil tem o sexto maior mercado globalmente para produtos refinados, representando 3% da demanda global, de acordo com a Petrobras. O Citigroup Inc foi o principal coordenador da oferta, enquanto o Bank of America Corp, o Banco do Brasil, o Banco Bradesco, o Itaú Unibanco Holding, o JPMorgan Chase & Co., o Morgan Stanley e o Banco Santander Brasil também participaram da transação. Vale destacar que, nesta quinta, sairá a precificação das ações do Burger King. A Neoenergia também precifica IPO e inicia negociação dos papéis na B3 em 18 de dezembro. 

Ainda sobre a Petrobras, a companhia anunciou o corte dos preços dos combustíveis em 2% para o diesel e gasolina válidos para sexta-feira (15). Por fim, sobre o setor, o plenário da Câmara rejeitou nesta quarta-feira emenda do Senado e manteve no texto da Medida Provisória 795/17 o dispositivo que garante a suspensão dos tributos devidos por petrolíferas até 2040. A MP cria um regime especial de importação de bens a serem usados na exploração e produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos. Originalmente, a MP isentava as empresas até 2022, no entanto, na votação da Câmara esse prazo foi prorrogado. Com a aprovação, a medida segue para sanção presidencial. 

Vale (VALE3, R$ 36,24, +0,36%)
As ações da Vale viraram para o positivo, se distanciando do cenário negativo do mercado doméstico e dos preços do minério de ferro, que caíram nesta sessão. 

Seguiram o movimento da Vale as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 26,33, +0,15%) - holding que detém participação na mineradora - e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 11,63, -1,02%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,50, +2,42%), CSN (CSNA3, R$ 7,67, +0,39%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,69, 0,0%). 

Kroton (KROT3, R$ 17,30, -1,14%)
As ações da Kroton tiveram dia de correção após subirem 7% nos últimos dois pregões. A Estácio (ESTC3, R$ 30,99, -0,83%), que chegou a subir 6% ontem mas fechou praticamente no zero a zero, também encerrou em queda. 

O movimento positivo em torno da Kroton ocorreu após o Investor Day da empresa, realizado na última segunda-feira. Em relatório, os analistas do Bank of America Merrill Lynch apontam que a companhia mostrou um direcionado claro para o potencial de crescimento orgânico no longo prazo e um novo foco no segmento digital. Eles reiteraram recomendação de compra para a ação, com preço-alvo em R$ 24,00.

Além disso, no radar da Estácio, segundo o Valor, em meio às demissões de até 1,5 mil professores, a companhia vai fechar unidades nas cidades de Juiz de Fora (MG) e Salvador (BA). Os alunos serão transferidos para campi próximos, cerca de 1,5 quilômetro de distância, no primeiro semestre do próximo ano. "Como parte de sua estratégia de busca pelo crescimento sustentável, a Estácio decidiu transferir os cursos dos campi Zona Norte, em Juiz de Fora (MG), e Costa Azul, em Salvador (BA), para unidades próximas", informou comunicado da companhia.

Bombril (BOBR4, R$ 4,71, -2,89%)
O Conselho de Administração da Bombril aprovou projeto de reestruturação societária da companhia e de suas controladas e autorizou a sua implementação, segundo comunicado. As principais etapas da reestruturação são:  transferência da participação acionária detida na Bril Cosméticos para a Bombril Mercosul; cessão de créditos detidos em face de suas controladas, para tais controladas, a fim de quitar dívidas existentes entre essas sociedades Incorporação da Bombril Mercosul por Bril Cosméticos; a cessão, em montante equivalente, de ativos e passivos da companhia, incluindo a participação na Bombril Overseas, para a  Brilmaq Empreendimentos Imobiliários e a liquidação da Bombril Overseas. 

"A reestruturação societária tem por objetivo otimizar a estrutura administrativa e operacional da companhia e de suas controladas, visando uma redução de custos e despesas operacionais, assim como o melhor aproveitamento de recursos e sinergias entre essas sociedades. Além do aproveitamento de eficiências operacionais e financeiras, a reestruturação societária permitirá a simplificação da estrutura societária das controladas da companhia”, informou a empresa. 

Aliansce (ALSC3, R$  16,99, -0,06%)
A Aliansce convocou AGE para 29 de dezembro para tratar da proposta de reorganização societária apresentada pela diretoria da companhia e aprovada pelo conselho, segundo comunicado. Entre outros assuntos, a proposta envolve termos e condições da cisão total da Boulevard Shopping, termos e condições da incorporação de Alsupra Participações e BSC Shopping Center. 

Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 63,80, +0,63%)
A Transmissão Paulista teve a recomendação elevada de marketperform (desempenho em linha com a média do mercado) para outperform (desempenho acima da média do mercado) pelo Itaú BBA. O preço-alvo foi elevado de R$ 68 para R$ 78 implica potencial de alta de 23% em relação ao último fechamento. 

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 41,09, -1,58%)
A Itaú Unibanco Holding assinou com Fundação Antônio e Helena Zerrenner – Instituição Nacional de Beneficência (FAHZ) compromisso de participação em leilão na B3 para comprar até 31,8 mi de ações ON ordinárias que FAHZ deseja vender, segundo comunicado.

O Itaú se compromete a pagar o preço máximo de R$ 37,00 por ação, totalizando R$ 1,18 bilhão, caso todas as 31,8 milhões de ações ON sejam compradas pelo banco. A participação do banco no leilão faz parte do programa de recompra de ações aprovado pelo conselho em 31 de agosto. O "processo de aquisição, pela companhia, das ações ordinárias de sua emissão tem como objetivo a maximização da alocação de capital através da aplicação eficiente dos recursos disponíveis. Imediatamente após a aquisição, ocorrerá o cancelamento das referidas ações, que será levado para ratificação do conselho de administração em reunião de 15 de dezembro de 2017”, apontou o comunicado. 

O Itaú diz no mesmo comunicado que foi informado por Pedro Moreira Salles de que ele e outros integrantes da Família Moreira Salles que compõem o grupo de controle do banco também celebraram compromisso de participação em leilão para compra de ações ON em outro possível leilão, sem dar mais detalhes. 

Oi (OIBR3, R$ 3,38, -10,34%; OIBR4, R$ 3,05, -16,44%)
As ações da Oi tiveram mais um dia de fortes perdas. Nos últimos dois pregões, os papéis ONs e PNs da companhia acumulam quedas de 31% e 27%, respectivamente. 

Apesar da reação bem negativa das ações, em relatório desta manhã, os analistas do BTG Pactual comentam que estão bem mais confiantes que o processo de reestruturação da companhia já adiante. Além do plano ter sido o melhor já proposto para os credores, com grandes chances de ser aprovado na assembleia do dia 19, eles comentam que veem potencial de ganhos para os acionistas se utilizarem o valor presente da dívida reestruturada nas contas.

Eles comentam também que o plano traz mudanças importantes do ponto de vista de governança como prorrogação do contrato da diretoria até o fim do processo de restruturação e mudanças no conselho que passará a ter 8 membros independentes de um total de 11, blindando a companhia durante o processo de reestruturação. 

Ainda assim, notícias sobre a companhia ainda trazem dúvidas sobre o processo. O Société Mondiale Fundo de Investimento em Ações, segundo maior acionista da Oi, avalia formas de questionar na Justiça a validade do plano apresentado pelo presidente da empresa, segundo uma pessoa próxima ao fundo, segundo fonte ouvida pela Bloomberg. 

O Société Mondiale, comandado pelo empresário Nelson Tanure, considera que o plano é nulo porque os acionistas não tiveram a oportunidade de se manifestar sobre a diluição de até 75% do seu patrimônio, disse a pessoa, que não quis se identificar porque as discussões são privadas. Uma disputa legal sobre o plano pode impedir a votação prevista para a semana que vem, reduzindo a habilidade da Oi de sair da recuperação judicial e reestruturar seus US$ 19 bi em dívidas depois de 18 meses na Justiça. Também pode gerar nova jurisprudência nos conflitos entre a Lei de Recuperação Judicial e a Lei das Sociedades Anônimas.

O conselho da Oi deve se reunir na sexta-feira para discutir se deve chamar uma assembleia geral de acionistas para aprovar o plano antes que ele seja levado à votação pelos credores, já que uma diluição tão significativa tem que ser aprovada pelos donos do patrimônio, disse uma pessoa próxima ao conselho. Os conselheiros que representam o Société Mondiale acreditam que é seu dever fiduciário submeter o plano à votação dos acionistas para que estes tenham a oportunidade de aprová-lo ou rejeitá-lo, disse a pessoa.

O Société Mondiale não é o único acionista a questionar o plano de reestruturação. A proposta da Oi é “péssima” não só porque a diluição dos acionistas “está fora de qualquer parâmetro razoável” mas também porque prevê desconto nas multas da Anatel, disse Aurélio Valporto, vice-presidente da Associação dos Investidores Minoritários do Brasil e conselheiro da Associação de Proteção aos Acionistas Minoritários. 

Qualicorp (QUAL3, R$ 28,55, +0,88%)
As ações da Qualicorp subiram após caírem 3,2% ontem, depois que o projeto de lei que modifica a legislação sobre planos de saúde, em tramitação no Congresso, provocar confusão em setores do mercado. 

A questão recaiu em uma má interpretação sobre as potenciais mudanças regulatórias após uma entrevista divulgada pelo Valor, ontem, com o relator do projeto Rogério Marinho (PSDB-RN), jogar luz em um ponto que não é de fato uma novidade, que a contratação das administradoras de benefício, como a Qualicorp, é uma faculdade - e não uma obrigação das operadoras que comercializam planos coletivos. 

"Nossa percepção é que alguns investidores estão lendo isso como uma mudança,  mas não é. Vemos a reação como criação de um ponto de entrada particularmente atraente para as ações", comentaram. Eles seguiram com recomendação de compra para o papel e preço-alvo em R$ 42,00, um potencial de valorização de 47% frente ao patamar atual. 

Linx (LINX3, R$ 21,62, +0,05%)
Após participar do Investor Day da Linx ontem, os analistas do Credit Suisse divulgaram relatório apontando que o discurso da empresa foi positivo e decidiram aumentar o preço-alvo da ação de R$ 20,00 para R$ 24,00, mantendo a recomendação de "outperform" (desempenho acima da média).

"Ficou muito claro que a empresa possui profundo conhecimento acerca das operações e da evolução do varejo, assim como quais soluções entregar para o segmento", comentaram. Outro ponto positivo destacado pelos analistas foi a resiliência do modelo de negócio, que, mesmo com inflação e atividade econômica baixa, conseguiu manter uma taxa de crescimento de 9% nos primeiros 9 meses de 2017, resultado da crescente oferta de cross-selling e do seu portfólio high-quality de clientes.

Dommo (DMMO3, R$ 1,02, -1,92%)
A produção do campo de Tubarão Martelo subiu dos 161.979 barris de outubro e de 151.687 barris em setembro para 165.743 barris em novembro, disse a Dommo Energia em comunicado ao mercado. A  Dommo Energia é o nome da OGX Petróleo desde agosto deste ano.

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 69,20, +0,58%)
O Magazine Luiza informou a aprovação do pagamento de R$ 75 milhões em juros sobre capital próprio, correspondentes a R$ 0,396462 por ação. O pagamento será feito pelo valor líquido aos acionistas pessoas jurídicas imunes ou isentas, que comprovarem tal condição até o dia 31 de março de 2018 e tomará como base de cálculo a posição acionária final do dia 19 de dezembro de 2017, sendo que, a partir do dia 20 de dezembro de 2017, as ações da companhia passarão a ser negociadas ex-juros sobre o capital próprio.

Movida (MOVI3, R$ 6,94, +6,28%)
As ações da Movida dispararam nesta sessão. No início da semana, a companhia aprovou a recompra de até 7 milhões de ações ordinárias em dezoito meses. No dia do anúncio, contudo, os papéis até chegaram a subir 5%, mas fecharam em alta mais amena de 2%. 

No comunicado, a companhia  informou que manterá o percentual mínimo de 25% das ações em circulação mesmo com a recompra. Os recursos para a recompra de ações virão da reserva de lucros e capital disponível, disse a empresa. 

Minerva (BEEF3, R$ 10,35, -2,73%)
A subsidiária da Minerva Minerva Luxembourg anunciou o resultado da recompra de títulos feita pela HSBC Securities, que envolveu US$ 198 milhões em valor principal agregado de notes, ou aproximadamente 79,19% do montante no mercado emitido a 7,75% e com vencimento em 2023, de acordo com comunicado.

O prazo para oferta antecipada terminou em 13 de dezembro; o prazo para oferta de recompra terminará em 28 de dezembro. Os detentores que concordaram com a oferta antes de 13 de dezembro farão jus a um pagamento adicional por aceitação antecipada e para cada US$ 1.000 de principal, detentores receberão US$ 1.046,50, incluindo o pagamento por aceitação antecipada de US$ 30. 

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

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