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Vale e siderúrgicas caem até 4% com mau humor do mercado; construtora dispara 11% em 2 pregões

Confira os principais destaques da Bolsa desta terça-feira

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(Peter Andrews/Reuters)

SÃO PAULO - Após subir 1,5% na máxima do dia, o Ibovespa azedou na reta final do pregão desta terça-feira (5) seguindo as bolsas dos Estados Unidos e um boato pessimista sobre a Previdência. Segundo a coluna Radar, da Veja, o líder do governo na Câmara dos Deputados, André Moura, admitiu a um deputado que, hoje, não há nem 170 disposto a votar a favor da proposta do Palácio do Planalto - número muito abaixo dos 308 votos necessários para a provar a proposta. Diante disso, o índice encerrou a sessão em queda de 0,74%, a 72.551 pontos. 

Com a virada do mercado, apenas 16 das 59 ações do benchmark da bolsa brasileira fecharam em alta. Dessas, somente 8 acima de 1%. Foram elas: Hypermarcas (FIBR3, R$ 34,76, +3,24%), WEG (WEGE3, R$ 23,80, +2,81%), Smiles (SMLS3, R$ 75,98, +1,99%), Suzano (SUZB3, R$ 17,82, +1,89%), Cyrela (CYRE3, R$ 12,57, +1,78%), Fibria (FIBR3, R$ 44,81, +2,05%), Ecorodovias (ECOR3, R$ 12,48, +1,30%) e Equatorial (EQTL3, R$ 64,89, +1,00%). 

Do outro lado, as ações da Vale, que figuravam no terreno positivo mais cedo após ter recomendação pelo Credit Suisse, passaram para o negativo com o mau humor do mercado, assim como as siderúrgicas, com a Usiminas liderando do Ibovespa as perdas no dia (-4,23%).

Fora do índice, chamou atenção no campo positivo novamente a EzTec, que dispara 11% nos últimos 2 pregões após anunciar pagamento de dividendos de R$ 2,67 por ação. 

Confira abaixo os destaques da Bolsa deste pregão:

Vale (VALE3, R$ 36,02, -2,20%)
As ações da Vale viraram para queda, seguindo o mau humor do mercado após subirem 1,55% na máxima do dia, atingindo no intraday máxima desde agosto de 2011. Na esteira do otimismo visto mais cedo, uma elevação de recomendação pelo Credit Suisse. Por outro lado, o minério de ferro registrou queda nesta sessão, após disparar na véspera. Hoje, os contratos futuros da commodity negociados na bolsa chinesa de Dalian caíram 0,46%, a 539,5 iuanes.

Os analistas do Credit Suisse elevaram a recomendação para os ADRs (American Depositary Receipts) da Vale de neutra para outperform (desempenho acima da média do mercado), com o preço-alvo sendo elevado de US$ 9,50 para US$ 15. 

Os analistas destacam que a mudança estrutural positiva no mercado de commodities na China, puxada principalmente pela reforma de oferta e o controle ambiental, deve ser fundamental para aumentar a lucratividade no setor de metais e mineração. Eles destacam que a combinação de: (i) fortes margens nas siderúrgicas chinesas, e (ii) a alta taxa de utilização de capacidade da industria de aço no país tem causado uma demanda crescente por minério de ferro de alta qualidade. Além disso, do lado da oferta, a estratégia de blending da Vale faz com que não haja uma inundação de minério desse tipo no mercado, garantindo que os spreads aumentem.

A alta correção entre o preço de aço e minério de ferro também faz com que ainda haja espaço para preços de minério mais altos. "Revisamos o nosso cenário-base da curva de minério e agora esperamos US$ 67,20 a tonelada para o fim de 2018 e US$ 62,5 a tonelada para 2019 (versus projeção anterior de US$ 55 a tonelada e US$ 48 a tonelada, respectivamente", apontam os analistas do banco.

Além do cenário mais otimista para minério de ferro, os analistas também chamam atenção para o foco preciso do CEO Fabio Schvartsman em alocação de capital, redução de custos e otimização do volume de vendas. "A empresa está mais cautelosa na sua abordagem de crescimento orgânico e não deve anunciar grandes projetos", apontam os analistas do banco suíço. 

Papel e Celulose
Na contramão do movimento de queda do dólar frente ao real, as ações do setor de papel e celulose - Fibria (FIBR3, R$ 44,81, +2,05%) e Suzano (SUZB5, R$ 17,82, +1,89%) - subiram nesta sessão, aparecendo entre as maiores altas do Ibovespa.

No radar, a Fibria informou que projeta uma alta de quase 60% em investimentos no próximo ano, à medida que busca aumentar sua capacidade e executivos disseram avaliar fusões mais para frente. Em encontro com investidores em Nova York, a companhia estimou investimentos de R$ 3,43 bilhões em 2018, acima dos R$ 2,18 bilhões desembolsados em 2017.

A companhia informou ainda que segue confiante em relação à demanda da China, o que contribuiu com uma série de reajustes nos preços da celulose este ano, ajudando a impulsionar as ações da companhia para máximas recordes nos últimos meses.

Lojas Americanas (LAME4, R$ 15,24, -0,07%)
Em relatório, o Santander apontou que a top pick no setor de varejo no Brasil é a Lojas Americanas. Os analistas do banco veem o cenário econômico e mercado de trabalho melhorando no Brasil, beneficiando companhias mais expostas a segmentos discricionários. Contudo, o Santander recomenda abordagem seletiva devido ao rali recente, destacando que as top picks no país são Lojas Americanas, B2W (BTOW3, R$ 15,96, -2,09%) e CVC (CVCB3, R$ 44,85, -0,73%).

BR Malls (BRML3, R$ 12,53, -2,64%)
A BR Malls confirmou nesta tarde que está negociando a venda de três de seus shoppings centers. No último domingo, o blog do Lauro Jardim, no jornal O Globo, apontava que a empresa anunciaria a venda desses shoppings por R$ 800 milhões nos próximos dias. Na ponta compradora, estaria a HSI, gestora de fundos imobiliários. Em fato relevante, publicado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a empresa ressalta, contudo, que não há documentos definitivos firmados acerca das operações.

Vulcabras Azaleia (VULC3, R$ 8,36, -4,89%)
Após ter a cobertura iniciada com recomendação de compra e um upside de 60% pelo BTG Pactual ontem, desta vez foi a vez do Bradesco BBI iniciar a cobertura para a Vulcabras Azaleia, mas com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12, potencial de alta de 37% em relação ao último fechamento.

Petrobras (PETR3, R$ 15,92, -1,06%; PETR4, R$ 15,31, -1,10%)
Descoladas do petróleo, as ações da Petrobras caíram nesta sessão. Em Londres, os contratos futuros do petróleo Brent subiam 0,72%, a US$ 62,90 o barril, enquanto os contratos do WTI, negociados em Nova York, avançaram 0,26%, a US$ 57,65 o barril. 

Além disso, no radar da estatal, a Petrobras informou que assinou, ontem, com o China Development Bank (CDB), um contrato de financiamento no valor de US$ 5 bilhões e vencimento em 2027. Na mesma data, a Petrobras também assinou um contrato comercial com a empresa Unipec Asia Company, estabelecendo o fornecimento preferencial de um volume total de 100 mil barris de óleo equivalente por dia, atendidas as condições de mercado, pelo prazo de 10 anos.

"O acordo com o CDB prevê o desembolso de metade do valor total em dezembro de 2017 e da outra metade em janeiro de 2018, quando também ocorrerá o pré-pagamento do saldo devedor de US$ 2,8 bilhões referente ao empréstimo contratado em 2009 com o banco. Adicionalmente, o pré-pagamento resultará no encerramento antecipado do contrato comercial assinado com a Unipec Asia Company em 2009, com vencimento em 2019, para fornecimento preferencial de um volume total de até 200 mil barris de óleo equivalente por dia", informou a petrolífera.

A estatal anunciou ainda, na noite de segunda-feira, um novo reajuste para os combustíveis, com aumento de 0,7% no preço do diesel nas refinarias e um corte de 1,3% no valor da gasolina. Os novos preços passaram a valer a partir de meia-noite desta terça-feira (5).

A nova política de revisão de preços foi divulgada pela petroleira no dia 30 de junho. Com o novo modelo, a Petrobras espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores.

Em vez de esperar um mês para ajustar seus preços, a Petrobras agora avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que pode acontecer diariamente. Além da concorrência, na decisão de revisão de preços, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais.

Usiminas (USIM5, R$ 8,60, -4,23%)
Em entrevista à Bloomberg, o CEO da Usiminas, Sérgio Leire, afirmou que a siderúrgica está perto de reduzir R$ 900 milhões de sua dívida nos próximos 40 dias. Os R$ 900 milhões equivalem a uma redução de cerca de 15% do endividamento, disse ele, que apontou que a companhia está pagando “com quase dois anos de antecedência” em relação ao acordo das dívidas renegociadas com os credores. O montante inclui R$ 180 milhões que ela paga em juros de títulos em 15 de dezembro.

De empresa quase falida à disparada de 115% na bolsa, analistas avisam: a retomada da Usiminas ainda não acabou

Ele ainda informou que a companhia não tem planos de investir em novos projetos e as negociações com clientes do setor automotivo progridem normalmente. Por fim, o CEO destacou que a Usiminas pretende elevar os preços de seus produtos em 25% a partir de janeiro. Ao fazer uma análise do cenário macro, Leite apontou que a recuperação econômica ainda é muito lenta, projetando uma alta de 2,5% a 3% no PIB em 2018. 

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 41,59, -0,60%)
O Itaú Unibanco abriu captação com bônus perpétuo, com referência inicial de cerca de 6,5%, segundo informou fonte à Bloomberg. A precificação está prevista para esta terça-feira. O emissor é o Itaú Unibanco, atuando por intermédio da Grand Cayman Branch. Os títulos são não-resgatáveis nos primeiros cinco anos e os coordenadoressão: BB Securities, BofAML, Itau BBA, JPM, Standard Chartered.

Santander Brasil (SANB11, R$ 30,50, +0,53%)
A greve dos auditores da Receita Federal levou novamente à suspensão dos julgamentos de quatro das cinco turmas do Conselho Administrativo de Receitas Fiscais (Carf) que teriam sessão nesta terça-feira, 5. A previsão é que o movimento irá impactar os julgamentos por pelo menos toda esta semana. A sessão do Conselho Superior não foi afetada.

A suspensão dos julgamentos levou a mais um adiamento de um caso bilionário envolvendo o Santander, que seria julgado nesta terça. No processo, o banco recorre de autuação da Receita Federal de cerca de R$ 9 bilhões por não ter recolhido tributos decorrentes da aquisição do Banco ABN Amro, em 2009.

No Carf, os auditores fiscais compõem metade de cada turma - a outra metade é formada por representantes dos contribuintes. Com a adesão de grande parte da categoria, as sessões foram suspensas por falta de quórum.

Eternit (ETER3, R$ 0,95, -2,06%)
A Eternit informou que paralisou as atividades das suas controladas SAMA (mineradora) e Precon Goiás (fabricante de telhas de fibrocimento) após decisão do STF, que declarou inconstitucional dispositivo da Lei federal nº 9.055, de 1995, que permite a extração, industrialização, comercialização e distribuição do amianto crisotila (asbesto branco) no país. 

A paralisação ocorre até decisão definitiva da ação. "As demais unidades de produção de telhas de fibrocimento seguem operando normalmente apenas com a fibra sintética de polipropileno produzida na unidade de Manaus, conforme informado em fato relevante  de 27 de novembro de 2017", afirmou a empresa.

EzTec (EZTC3, R$ 23,75, +2,37%)
As ações da EzTec disparam 11% nos últimos 2 pregões após a construtora anunciar o pagamento de dividendos de R$ 2,67 por papel, dando um dividend yield (dividendos por ação) de 12,48%, considerando o preço de fechamento da última sexta-feira.

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O pagamento dos dividendos, que totalizam um montante de R$ 440,5 milhões, será realizado no dia 15 de dezembro. Farão jus aos proventos os acionistas detentores do papel no dia 6 deste mês, com a ação passando a ser negociada "ex-dividendos" no pregão seguinte (7/12).

Segundo o analista Raul Grego, da Eleven Financial, o mercado esperava, em partes, por uma distribuição adicional de dividendos, com a venda efetivada da torre B do EzTower no valor de R$ 650 milhões, o deu um fôlego de caixa muito bom para a empresa, mas não sabia exatamente qual montante viria.

"O valor apenas dessa distribuição gera um yield de 12,5%, o que é muito atrativo para uma empresa do setor de construção civil e nesse momento pós-crise. Temos recomendação de compra para o papel e acredito em um potencial crescimento em 2018, com mais lançamentos", comentou.

(Com Agência Estado) 

 

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