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JBS cai 8%, CSN se salva entre as siderúrgicas e recomendação do "Visão Técnica" dispara 3%

Confira os principais destaques da bolsa nesta terça-feira

JBS Friboi 01 - Unidade Lins
(Divulgação JBS Friboi)

SÃO PAULO - O Ibovespa apagou o movimento de alta observado na manhã desta terça-feira (5) e fechou praticamente no zero a zero (+0,01%), a 72.134 pontos, com a virada para baixo das ações da Vale, bancos perdendo força e queda da JBS, que, na mínima do dia, caiu 11%. Mais cedo, o mercado mostrou ânimo com a notícia de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu rever a delação do grupo J&F, analisando possível má fé em informações, o que tende a fortalecer a defesa do presidente Michel Temer às vésperas da apresentação de uma nova denúncia contra o peemedebista. Na máxima do dia, o índice subiu 1,46%, a 73.179 pontos. 

Entre as maiores altas do Ibovespa, destaque para a alta da RD (ex-Raia Drogasil), que subiu mais de 3%. A ação da companhia foi recomendada no programa "Visão Técnica" da última sexta-feira (veja aqui). Além dela, chamou atenção a alta de Qualicorp, que avançou mais de 2% após a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) encaminhar, no final desta tarde, um parecer ao ministro Gilmar Mendes no qual recomenda a extinção, sem julgamento de mérito, da ação judicial movida pelo PSL (Partido Social Liberal) contra as administradoras de benefícios. 

Do outro lado, além das ações da JBS que lideraram as perdas, figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa as ações das siderúrgicas, com Gerdau, Metalúrgica Gerdau e Usiminas marcando quedas entre 1% e 2% após subiram até 6% nesta sessão. 

Confira os principais destaques da bolsa desta terça-feira:

JBS (JBSS3, R$ 7,87, -8,28%)
As ações da JBS desabaram até 11,19%, a R$ 7,62, nesta sessão em meio à notícia sobre a revisão do acordo de delação premiada firmado com executivos da empresa e a convocação de colaboradores do grupo J&F para novos depoimentos, o que traz mais turbulência à companhia. O volume financeiro movimentado com o papel foi de R$ 291,7 milhões, contra média diária de R$ 93,5 milhões dos últimos 21 pregões. 

Com a notícia, o Itaú BBA decidiu cortar a recomendação da ação de "market perform" (desempenho em linha com a média) para "underperform" (desempenho abaixo da média), com preço-alvo sendo revisado de R$ 16,00 para R$ 6,00 ao final de 2017, devido ao aumento dos riscos por conta da revisão do acordo de delação (veja mais aqui). 

"Não estamos alterando nossa projeção em relação ao lucro da empresa, mas estamos elevando o custo de dívida em dólar no longo prazo de 7% para 10%, a taxa de desconto para 15% e o custo de capital próprio para 17,6%, refletindo, com isso, os atuais riscos do carrego. Se houver alguma novidade, nos vamos rever nossas premissas, mas, por agora, dando a limitada visibilidade preferimos ficar fora da ação", comentaram os analistas Antonio Barreto e Thomas Budoya, que assinam o relatório do Itaú BBA. 

Em nota enviada por e-mail, a defesa dos executivos junto ao Ministério Público Federal disse que a "interpretação precipitada" dada ao material entregue por eles à Procuradoria-Geral da República será rapidamente esclarecida, assim que a gravação for melhor examinada.

“É verdade que ao longo do processo de decisão que levou ao acordo de colaboração, diversos profissionais foram ouvidos — mas em momento algum houve qualquer tipo de contaminação que possa comprometer o ato de boa fé dos colaboradores”, afirmou a companhia. A nota ainda sustenta que o diálogo em questão é composto de "meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático", ou seja, apenas cogitações de hipóteses -- não houve uma palavra sequer a comprometer autoridades.

Petrobras (PETR3, R$ 14,85, +0,88%; PETR4, R$ 14,41, +1,69%)
Embaladas pelos preços do petróleo e pelo revés no acordo de delação da JBS, as ações da Petrobras subiram nesta sessão. 

Em Londres, os contratos futuros do petróleo do tipo Brent registravam alta de 1,57%, a US$ 53,16 o barril, enquanto os contratos do WTI, negociados em Nova York, subiram 2,69%, a US$ 48,56 o barril.

Além disso, no radar da Petrobras, a BlackRock comunicou a companhia que alienou ações preferenciais emitidas, passando a gerir participação acionária inferior a 5% a partir de 31 de agosto. Conforme informa a estatal, as participações detidas pelo fundo alcançaram, de forma agregada, 217.295.710 ações preferenciais e 39.595.046 ADRs (American Depositary Receipts), representativos de ações preferenciais, totalizando 256.890.756 papéis PN, representando aproximadamente 4,58% do total de ações preferenciais emitidas, e 2.882.200 instrumentos financeiros derivativos referenciados em ações preferenciais com liquidação financeira.

Ainda no noticiário da Petrobras, destaque para a aprovação da reestruturação societária da BR Distribuidora, com a adesão ao novo mercado, área de governança, risco e conformidade vinculada ao Conselho de Administração, dentre outras medidas.

Bancos
Por outro lado, os bancos amenizaram a euforia vista mais cedo e fecharam entre leves ganhos e baixas, com Banco do Brasil (BBAS3, R$ 32,00, +0,50%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 40,99, +0,05%), Bradesco (BBDC3, R$ 32,52, +0,06%; BBDC4, R$ 33,76, -1,43%) e Santander (SANB11, R$ 28,30, -0,53%). 

Além do noticiário político, impactado pela revisão da delação da JBS, o setor reagiu a outras notícias. Os bancos brasileiros disseram que estão preparados para desembolsar o valor previsto no acordo que está sendo costurado pela AGU (Advocacia-Geral da União) com os poupadores, informa o jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira. Segundo a reportagem, só a Caixa tem provisionados cerca de R$ 7 bilhões para esses pagamentos. Não apenas as instituições financeiras estariam preparadas para um acordo, como o próprio Banco Central.

No radar ainda, as ações de Banco do Brasil e Itaúsa foram elevadas para sector perform pelo Scotiabank. Já os papéis do Bradesco foram rebaixados para sector perform pela mesma instituição. 

Siderúrgicas
As siderúrgicas - que figuraram nos últimos dias como um dos maiores destaques de alta do Ibovespa - apagaram a euforia nesta sessão e fecharam em queda.

A Usiminas (USIM5, R$ 8,07, -1,59%), que chegou a subir 6% hoje virou para queda, interrompendo uma sequência de cinco altas, período em que subiu 26% na bolsa.

Mesmo movimento é visto nas ações da Gerdau (GGBR4, R$ 12,62, -2,25%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 6,15, -1,91%).

A exceção do setor foi a CSN (CSNA3, R$ 9,62, +1,69%), que, embora tenha amenizado a alta de até 5,18% vista mais cedo, fechou em alta nesta sessão, sustentada por notícias de ontem sobre novo aumento de preço de 10% para os distribuidores e clientes industriais a partir de outubro. Se confirmado, esse será o 3º aumento de preço consecutivo. 

"O noticiário positivo deve continuar sustentando a boa performance do papel no curto prazo. Pelas nossas contas, mais um aumento de preço de 10% pode levar o preço de aço local para alto nível de paridade de importação (em cerca de 23%), ou seja, estão começando a ficar esticado", comentaram os analistas do BTG Pactual, em relatório divulgado nesta manhã. Eles reiteraram a preferência pelas ações da Gerdau e Metalúrgica Gerdau. 

Vale (VALE3, R$ 35,60, -1,39%; VALE5, R$ 32,87, -1,14%)
Descolada da alta do minério de ferro no porto de Qingdao, na China, as ações da Vale viraram para queda nesta sessão. Acompanharam o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 27,48, -0,97%) - holding que detém participação na Vale.  

Eletrobras (ELET3, R$ 18,80, +4,39%; ELET6, R$ 21,50, +2,63%)
Depois de fecharem agosto como a melhor ação do Ibovespa, as ações da Eletrobras voltam a dar motivos de alegria aos investidores. Neste pregão, os papéis acompanham a euforia do mercado interno com a notícia de Janot e figuram entre as maiores altas do índice. Esse é o terceiro pregão seguido de alta dos papéis da estatal, quando acumulam ganhos de 12% no caso dos ONs e valorização de 7,5% dos PNs.  

RD, ex-Raia Drogasil (RADL3, R$ 72,40, +3,13%)
As ações da RD confirmaram hoje uma recomendações de compra feita no último "Visão Técnica" (veja aqui). No programa, o analista técnico Rafael Ribeiro, do InfoMoney, indicou a entrada na operação acima dos R$ 70,89, em uma antecipação do rompimento dos R$ 71,33, com o objetivo de buscar os R$ 75,09, o que daria um potencial de valorização de  6%. 

No programa, o analista também recomendou uma compra por antecipação de rompimento (em R$ 28,37) nas ações da BB Seguridade (BBSE3, R$ 28,32, +1,40%). O alvo da operação é os R$ 30,30. 

Qualicorp (QUAL3, R$ 35,40, +2,22%)
As ações da Qualicorp fecharam entre as maiores altas do Ibovespa após boa notícia para a empresa. A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) encaminhou, no fim desta tarde, um parecer ao ministro Gilmar Mendes no qual recomenda a extinção, sem julgamento de mérito, da ação judicial movida pelo PSL (Partido Social Liberal) contra as administradoras de benefícios. Essa questão provocou, no dia 30 de agosto, uma queda de 4,4% dos papéis da empresa (veja aqui). 

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 82,00, +5,50%)
As ações do Magazine Luiza dispararam após assembleia geral extraordinária, realizada ontem pela empresa, ter aprovado o desdobramento de 1 para 8 ações ordinárias. A medida torna o preço dos papéis mais acessíveis aos investidores, o que contribui para o aumento de liquidez.

As ações do Magazine Luiza entraram na Carteira InfoMoney do mês de setembro, clique aqui e confira. 

Marcopolo (POMO4, R$ 4,00, -0,25%)
A Marcopolo, por meio de um comunicado enviado ao mercado, disse ontem que as plantas Ana Rech e Planalto ficarão paralisadas por toda a semana para que sejam avaliados os impactos decorrentes de um incêndio que atingiu a unidade de plásticos e derivados da sede da Marcopolo em Caxias do Sul, na Serra do Rio Grande do Sul, no último dia 3.

Embora a paralisação possa afetar o resultado do 3° trimestre (difícil de ser estimado o impacto neste momento), analistas do BTG Pactual comentaram que, estruturalmente, continuam otimistas com o case, dada a tese de normalização de volumes rodoviários, benefícios de corte de custos e repasses de preços recentes.

 

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