UGPA3: como anúncio da Petrobras fez as ações da Ultrapar caírem mais de 6% nesta 6ª

Conselho da Petrobras aprova retomada da distribuição de gás de cozinha - o que pode afetar operações da Ultragaz, do grupo Ultra

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Ultragaz (Foto: Divulgação)
Ultragaz (Foto: Divulgação)

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Além dos resultados, a Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou uma série de comunicados – com um deles impactando diretamente as ações do grupo Ultra (UGPA3). Os ativos UGPA3 fecharam a sessão desta sexta-feira (8) com queda de 6,36%, a R$ 16,33.

O conselho de administração da estatal aprovou na noite de quinta (7) a inclusão da distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha, no plano estratégico da empresa.

Conforme fato relevante, a estatal aprovou o posicionamento estratégico de “atuar na distribuição de GLP”, sem providenciar mais detalhes. Além disso, a empresa destacou que irá integrar a distribuição com demais negócios no Brasil e no mundo, além de oferecer soluções de baixo carbono para seus clientes.

Viva do lucro de grandes empresas

A Petrobras deixou de distribuir gás com a privatização da Liquigás, que foi comprada por um consórcio liderado pela Copagaz, Itaúsa (ITSA4) e Nacional Gás Butano em 2020, e com a venda da BR Distribuidora em 2021, atual Vibra Energia (VBBR3).

O Itaú BBA também ressalta que o setor de GLP passou por mudanças significativas desde a privatização da Liquigás em 2021. Em sua cobertura, a Ultrapar, por meio da Ultragaz, é o player mais relevante neste segmento e pode ser afetada por este anúncio, reforçou.

Na visão do Bradesco BBI, a intenção formal da Petrobras de voltar a operar no mercado de distribuição de GLP deve trazer alguma volatilidade às ações da Ultrapar, já que o mercado deve especular sobre a possibilidade de a Petrobras trazer alguma competição acirrada de preços.

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“Com a empresa entrando rapidamente neste mercado, antes de um ano eleitoral, acreditamos que qualquer movimento da Petrobras dependeria de algumas fusões e aquisições, mas ainda necessariamente apoiadas pelos processos internos de governança da empresa (o que pode levar algum tempo)”, avalia o banco.

Saiba mais:

Como a Petrobras menciona no comunicado que deve respeitar as disposições contratuais vigentes, o que interpreta como a cláusula de não concorrência com a Vibra. “Portanto, quaisquer potenciais movimentações na distribuição de combustíveis dependeriam, em última análise, de ‘parcerias’, conforme citado no comunicado, o que permanece obscuro para nós”, aponta o BBI.

O Goldman Sachs também aponta que, para a Ultrapar, embora ainda pendente de implementação pela Petrobras (que terá que seguir a governança interna), a entrada no GLP pode implicar em um ambiente competitivo mais acirrado, trazendo algum risco às margens. “Em nossa visão, um dos principais impulsionadores da expansão significativa da lucratividade observada na distribuição de GLP nos últimos anos está associado a um ambiente competitivo mais racional”, avalia o banco.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.