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As 7 perguntas dos leitores do InfoMoney respondidas por Luiz Barsi

Fases como essa - em que a economia é acometida por uma crise - são as mais propícias para os investidores irem às compras, diz o megainvestidor na Expert 2017

Luiz Barsi
(Rodrigo Paiva)

SÃO PAULO - Em uma das mais disputadas da Expert 2017, evento de investimentos promovido pela XP Investimentos, Luiz Barsi, o maior investidor pessoa física da bolsa, com mais de um bilhão de reais aplicados em papéis na B3, respondeu a 7 perguntas dos leitores do InfoMoney, que foram selecionadas em evento ao vivo na semana passada (veja aqui).

Entre as questões, o megainvestidor defendeu a necessidade do investidor construir sua própria Previdência ou jamais terá uma; e disse que, sabendo investir na bolsa, ninguém precisará do que chamou de "perda fixa" - referindo-se à renda fixa. 

Para Barsi, momentos como esse - em que a economia é acometida por uma crise - criam oportunidades para se participar de bons projetos através do investimento em ações. 

"Os nossos políticos são exímios nisso [crise] e acredito que as crises são passageiras. Nesses períodos, quando você avalia a relação P/VPA (Preço sobre Valor Patrimonial), a sustentabilidade de um projeto, aí não há dúvida [sobre investir em ações]", disse. 

Para ele, qualquer um pode ficar rico investindo em ações. Para isso, além de saber comprar bons papéis, basta conseguir controlar seu ego, ter disciplina e paciência. "Quem souber fazer isso, com certeza, ficará milionário", avalia.

Entre as empresas que investe, ele ressaltou a Klabin - que tem um histórico de gestão de mais de 100 anos - e a Vale, que destacou como uma ação para "comprar e esquecer" na carteira. Entre os fatores para o otimismo com a mineradora, ele comentou a substituição de Murilo Ferreira por Fabio Schvartsman como CEO da empresa; e a migração para o Novo Mercado. 

Veja abaixo as 7 perguntas dos leitores do IM respondidas por Luiz Barsi:  

Pedro Alex Martins Tavares: "Em meio ao momento turbulento da política e economia, o senhor investiria agora ou esperaria a situação se acalmar? 

Luiz Barsi: Os momentos mais oportunos para se adquirir ações são os momentos em que a economia é acometida por alguma crise e nossos políticos são exímios nisso. Acredito também que essas crises são passageiras. Nesses períodos, quando você analisa a relação P/VPA (Preço sobre Valor Patrimonial), a sustentabilidade de um projeto, aí não há dúvida [sobre investir em ações]. A oportunidade de comprar ações é a oportunidade de participar de um bom projeto. 

Nós temos o Sebrae, que propõe que os brasileiros sejam empreendedores, mas ele ensina o cidadão a pensar pequeno. Eu não sou assim. Com os recursos que temos, temos que pensar grande. O projeto de uma farmácia, por exemplo, é um projeto pequeno. Já o projeto Puma, da Klabin, no qual ela investiu R$ 8,5 bilhões, é um projeto enorme e você pode participar pagando pouco [referindo-se ao preço das units da empresa, cotadas perto dos R$ 16,80]. Isto é, você tem uma chance muito maior de participar de um projeto vitorioso". 

Cicero Elielson: "Com sua vasta experiência de mercado, caso o senhor fosse montar uma carteira com 10 ações, quais escolheria?" 

Luiz Barsi: Procuro investir em empresas que estejam em atividade que seja perene e ostentem uma condição de sustentabilidade. Como exemplo a Klabin, Fibria ou Suzano. Mas [o case da] Klabin é bastante significativo. Ela tem um histórico de gestão de mais de 100 anos. Isso é sustentabilidade e ela está em um setor que permite essa sustentabilidade.

Um país não vive sem água, telecomunicações, mas não somente essas. O setor de mineração também é interessante, assim como siderurgia, que é perene, mas temos concorrentes, principalmente os chineses, que conseguem fazer uma chapa pela metade dos preços. 

Marcio Medeiros: "Qual ação o senhor escolheria para deixar o seu dinheiro por dez anos?"

Luiz Barsi: Tenho estudado profundamento todas as empresas e projetos e acredito muito na qualidade do gestor. No ano passado, aguardávamos o balanco do 1° trimestre da Vale. Em 2015, ela apresentou um resultado com uma série de ativos podres provisionados. Analisamos que com a limpeza do balanço os resultados seriam mais generosos em 2016 e isso ocorreu. O primeiro trimestre veio com lucro e nessa ocasião avaliei que era muito bom participar do projeto, na faixa de R$ 10,00 por ação. O papel subiu muito rápido na bolsa e vendemos perto dos R$ 33,00. 

Agora, a gestão de Murilo Ferreira estava para vencer e ocorreu que os controladores da Vale escolheram um gestor austero, competente e compromissado em remunerar o acionista. Então, interpretei que ela voltava a se constituir como uma boa opção de investimento.

Outro fator é que a Vale está preparando seu ingresso no Novo Mercado e para que isso ocorra vai ter que eliminar as ações preferenciais. Esse procedimento vai ocasionar na seguinte situação: o mercado internacional costuma comprar ações para colocar no portfólio, mas só compra ações ONs e, com isso, a Vale terá um alcance muito maior. Acho que ela pode ser uma boa opção de investimento, ainda mais porque ela está sendo negociada muito perto do seu valor de patrimônio. A Vale está hoje em um preço convidativo. Mas não vale a pena comprar as PNs, porque você vai ter um gap de perda. 

Tiago Coutinho: "Em suas análises de investimentos, o senhor também considera empresas jovens, com grande potencial de crescimento e boas perspectivas de pagamentos futuros de dividendos ou apenas empresa já plenamente estabelecidas?" 

Luiz Barsi: Invisto em projetos vitoriosos, futuristas e que tenha um certo grau de estabilidade.

Tiago Coutinho: "Como o senhor vê o posicionamento do governo em estudar a taxação de dividendos? Se isso vier a ocorrer, ainda valerá a pena investir em ações boas pagadoras de dividendos como forma de criar uma previdência privada?"

Luiz Barsi: Eu vejo com algumas reservas o governo conseguir tributar os dividendos. Se o governo tributar, vai inibir o investidor estrangeiro, ele vai querer ter o dividendo para mandar para a matriz, não é um processo dos mais eficazes. 

Henrique Campos: "O senhor acredita que é possível conseguir atualmente o mesmo êxito usando a metodologia que usou para enriquecer na bolsa ou os tempos são outros e ela já não aplica mais?"

Luiz Barsi: O mercado sempre dará oportunidade de possuir ações de boas empresas, bons projetos e prosseguir comprando as ações. O fato de se aposentar com as ações não acontece de uma hora para outra. Não deixei de perseguir o mesmo caminho e mesma postura. Quem começar agora talvez não tenha que esperar 40 anos como eu esperei.

Na época que comecei a comprar, as ações eram negociadas com o múltiplo P/VPA de uma vez; Hoje, temos ações como Vale, Eletrobras, Banco do Brasil negociando a um preço bem menor do que o patrimônio. 

Everton Borsato: "Identificar ações boas pagadoras de dividendos está atrelado à perspectiva de crescimento de uma empresa ou é possível que essa característica seja observada em empresas cujas projeções estejam em queda?"

Luiz Barsi: Busco por bons projetos, que tenham perspectiva de pagamentos de bons dividendos, mas isso aliado à perenidade e sustentabilidade de um projeto, ou seja, a regularidade com que uma companhia obtém seus resultados e quanto distribui do bolo aos seus acionistas. 

 

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