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Credit Suisse: o que comprar e vender na bolsa brasileira em meio à turbulência política?

Analistas dissecam os principais setores listados e revelam suas preferências; Petrobras, Equatorial e Suzano estão entre as sugestões de compra

Michel Temer
(Beto Barata/PR)

SÃO PAULO - Em tempos de crise, como estamos vivenciando após as delações da JBS, escolher boas ações é fundamental para sobreviver a forte volatilidade do mercado. Por conta disso, o Credit Suisse elencou uma série de recomendações de compra e venda em seu relatório sobre América Latina lançado na última quinta-feira (25), que inclusive contou com a atualização do cenário para o Brasil em 2017.

Apesar do universo de cobertura ser América Latina, o banco concentrou suas apostas entre as ações brasileiras e mexicanas, como também detalhou seu viés para cada setor estudado. Confira as recomendações feitas pelos analistas:

Agrobusiness
A equipe destaca o nível de incerteza da indústria sucroalcooleira e recomenda uma exposição marketweight aos investidores. Dos papéis da cobertura, os analistas recomendam compra para SLC Agrícola (SLCE3), destacando os bons resultados recentes por conta dos rendimentos de terras. Vale lembrar que um dos braços da empresa é prospecção e aquisição de terras.

Autopeças
Para esse setor, o time recomenda uma exposição underweight aos investidores, ou seja, que fique mais afastado dessas empresas. Segundo os analistas, os desafios são grandes para a retomada do setor de implementos rodoviários, apesar da melhora das vendas de veículos leves. Colocando isso em prática, recomendam compra de Iochpe-Maxion (MYPK3) e venda de Randon (RAPT4).

Construção Civil
Vendo upside para esse setor, o banco estrangeiro recomenda exposição overweight para os clientes, destacando como as empresas brasileiras são beneficiadas pela queda da taxa de juro em termos de endividamento, apesar do fluxo de crédito ainda conservador. Apesar deste otimismo com o setor, o time recomenda venda para as ações da Gafisa (GFSA3), destacando o momentum ruim dos resultados, cujo prejuízo segue crescente.

Energia e saneamento
O aumento do nível de inadimplência e a expectativa fraca de crescimento da economia, impactando no volume de energia gerada, faz com que o time recomenda uma exposição marketweight aos investidores. Do lado dos papéis, a equipe recomenda compra para Equatorial (EQTL3), destacando que está descontada em termos de valuation. Na outra ponta da operação, os analistas sugerem venda para Eletropaulo (ELPL4), destacando que a empresa detém R$ 2,4 bilhões de vencimentos de dívida para pagar em dois anos.

Bancos
Sobre os bancos, o time recomenda exposição overweight para os investidores e destacam sua preferência para as empresas mexicanas, uma vez que as brasileiras estão expostas diretamente ao ruído político. Assim, o time não recomenda exposição a nenhum papel da B3 e inclusive sugere venda para Banrisul (BRSR6), já que todo esse caos reduz a probabilidade de privatização.

Não-financeiros
Os analisas recomendam exposição marketweight aos clientes, vide o crescimento da competição no setor de adquirência brasileiro, que inibe um maior crescimento. Entre as recomendações, o banco sugere compra para Wiz (ex-Par Corretora; WIZS3), destacando o bom momentum operacional, enquanto recomenda venda para Porto Seguro (PSSA3), lembrando dos desafios para o setor de seguro em via da desaceleração econômica.

Saúde
Os analisas recomendam exposição marketweight aos clientes, alertando para o impasse da inflação médica apesar dos ganhos de eficiência da verticalização dos negócios. E por conta deste último fator, o time sugere compra para Qualicorp (QUAL3), destacando o forte operacional e a sequência de resultados acima da expectativa.

Siderúrgico
Para esse setor, que vem sofrendo com a queda das commodities, os analistas recomendam exposição marketweight aos investidores. Do lado das ações, o time recomenda compra para Gerdau (GGBR4), justificando o melhor risco-retorno do setor, ao passo que sugere venda para CSN (CSNA3), destacando a queda do preço do ferro e mercado de aço doméstico estável, o que não deve trazer surpresas positivas nos resultados.

Petróleo e gás
A equipe está otimista com o setor e recomenda exposição acima da média para a América Latina, destacando que os "fundamentos estão sendo rebalanciados". Para aproveitar esse bom momento, o time sugere compra de Petrobras (PBR), vislumbrando upside de aproximadamente 40% para os ADR´s (American Depositary Receipt) da estatal.

Papel e celulose
Por conta da crise política, o time acredita em uma valorização do dólar, e, por conta disso, recomenda exposição overweight aos investidores, destacando também a forte demanda chinesa por celulose. A confiança é tanta que não existe recomendação de venda no setor e a preferência fica por conta de Suzano (SUZB5).

Varejo
Apesar de observar uma melhora nos números do setor varejista, o ceticismo com a recuperação econômica em vista dos impactos da crise política fazem com que os analistas recomendem uma exposição abaixo da média do portfólio aos investidores. Indo direto para as ações, a sólida performance financeira e sua resiliência fazem de Lojas Renner (LREN3) a recomendação de compra, enquanto Natura (NATU3) a sugestão de venda, destacando os possíveis riscos da aquisição da Body Shop.

Telecom
Dos setores de cobertura, o banco ressalta sua preferência pelas empresas de telecomunicação, sendo Vivo (VIVT4) sua top pick. Porém, em meio a todo esse otimismo, há uma venda em Oi (OIBR4), pois a empresa está passando por um turbilhão de problemas, que passa pelo processo de restruturação de dívida.

Aviação
Por fim, os analistas sugerem venda para GOL (GOLL4). Entre as empresas aéreas da cobertura do banco, a brasileira é a que tem mais exposição à variação cambial, o que é ruim tendo em vista o caos político e a volatilidade (para cima) que os próximos eventos poderão causar.

 

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