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Após subir 30%, "ex-small cap" entra no radar de analistas de olho em Trump e na retomada da indústria

A Weg, que lucrou R$ 1,1 bilhão em 2016 e já integra o Ibovespa, quer gerar R$ 20 bilhões em receita operacional até 2020

Fábrica WEG
(Divulgação )

SÃO PAULO - Com perspectivas mais sólidas de retomada da indústria nos próximos meses e podendo se beneficiar também dos estímulos prometidos por Donald Trump nos Estados Unidos, uma small cap entrou no radar dos analistas do mercado financeiro em março. Trata-se da fabricante de motores elétricos Weg (WEGE3), uma "ex-small cap" que lucrou R$ 1,1 bilhão em 2016 e pretende mais que dobrar sua receita operacional dos atuais R$ 9,3 bilhões para R$ 20 bilhões até 2020, focando principalmente na expansão internacional.

Os esforços para redução de custos e as melhoras nas margens fizeram o JPMorgan elevar a recomendação do papel de neutra para overweight (exposição acima da média do portfólio)?? em fevereiro,. O banco norte-americano aumentou o preço-alvo do papel para o fim de 2017 de R$ 19 para R$ 21, embutindo um upside de 21,7% ante a cotação da última sexta-feira (10), de R$ 17,29. Nos últimos 12 meses, a WEGE3 já acumula valorização de cerca de 30%.

Os analistas do banco destacam que 43% das vendas da companhia são em reais e que, por isso, este é um ativo para quem quer “apostar” na recuperação doméstica devido à sua grande exposição aos ciclos de investimentos do país. “Desta forma, esperamos que as ações WEGE3 aumentem de valor à medida que temos maior visibilidade da retomada da economia e do ambiente da demanda”, afirma o relatório, que projeta aquecimento da produção industrial brasileira nos próximos meses.

As perspectivas positivas também levaram a ação a aparecer na lista de recomendações de duas carteiras em março. A Rico Corretora destaca que a companhia "possui um modelo de negócio único, baseado na verticalização, na flexibilidade produtiva e inovação tecnológica” e que “a linha de produtos diversificada permite forte crescimento em diferentes ciclos de mercado, com crescimento orgânico e aquisições”.

A corretora lista três motivos para justificar a inclusão da WEGE3 entre as recomendações deste mês: “(i) consistência na entrega de resultados, (ii) ser um ativo considerado defensivo, balanceando a carteira neste mês e (ii) boa exposição de receita em dólar, diante do processo de internacionalização da empresa nos últimos meses”.

Já a Banco do Brasil Investimentos projeta que, no curto prazo, a Weg deve colher os frutos de um perfil operacional “notadamente resiliente” mesmo diante de um cenário bastante desafiador para o setor. “Acreditamos que sua diversificação geográfica deve se sobressair em março, especialmente com o estímulo à economia norte-americana a ser anunciado pelo governo Trump, ainda que a visão de curto prazo seja a de valorização do real”, diz o relatório.

A Weg é uma das três empresas que compõem o “call Trump” das carteiras recomendadas em março (Leia mais clicando aqui).

Nem tanto
Mas o futuro de valorização da empresa não é unanimidade no mercado. Nesta segunda-feira (13), o Goldman Sachs rebaixou os papéis da Weg de neutra para venda. Até então, segundo a Bloomberg, a empresa tinha quatro recomendações de compra, nove de manutenção e duas de venda.

Na semana passada, o Itaú BBA já havia cortado a recomendação de compra de outperform para marketperform. “Acreditamos que o papel já teve um rali e vemos um potencial de valorização limitado para o papel no momento”, diz o relatório. Desta forma, o banco de investimento recomenda que os investidores embolsem os lucros e aguardem por outra oportunidade para investir na empresa.

Até mesmo o JP Morgan, que elevou a recomendação do ativo em fevereiro, aponta quatro riscos para fabricante de motores elétricos nos próximos meses. Um deles é a recuperação mais lenta que o esperado do mercado europeu, além da entrada de competidores chineses no Brasil, o que aumentaria a pressão sobre preços e levaria a disputa por market-share, segundo os analistas do banco. Uma forte apreciação do real não acompanhada de uma melhora na demanda doméstica e uma potencial falta de capacidade produtiva para atender a novos projetos de energia eólica também são apontados como potenciais ameaças à trajetória de alta do papel.

 

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