Em mercados / acoes-e-indices

Cemig salta 5% com vitória na Justiça, Cosan afunda 3% e uma ação desaba até 9% após resultado

Veja os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

Cemig 02 -
(Divulgação Cemig)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve seu segundo pregão seguido de queda nesta terça-feira (7), sentindo o peso das ações dos bancos. As commodities também não animaram nesta sessão, com Petrobras, Vale e siderúrgicas fechando entre leves perdas e ganhos. 

Do lado positivo, a Cemig liderou os ganhos do índice, com valorização de 5%, após a empresa ganhar mais um capítulo na luta contra o governo federal a respeito da usina hidrelétrica de São Simão. 

Além dela, duas outras ações chamaram atenção também: a CCR amenizou as perdas, após queda de até 5% mais cedo, em meio ao anúncio do governo dos 55 novos projetos para concessões à iniciativa privada. Mais cedo, os papéis desabaram após resultado fraco do 4° trimestre. Sem refresco também a M.Dias Branco, que reportou balanço na noite de ontem, desabou até 9% nesta sessão. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 15,88, 0,0%; PETR4, R$ 15,18, +0,53%)
As ações da Petrobras fecharam em leve alta, apesar do dia negativo dos preços do petróleo. Lá fora, o contrato do WTI avançou 0,30%, a US$ 53,04 o barril, enquanto o Brent subia 0,32%, a US$ 55,83 o barril. 

Além disso, a estatal deve retomar a venda de ativos nas próximas semanas, segundo o presidente da companhia, Pedro Parente. Durante evento em Houston, ele disse que a estatal vê o TCU aprovando a metodologia de venda de ativos nas próximas semanas, abrindo caminho para que programa de desinvestimento seja retomado. A Petrobras já informou que pretende reduzir a relação dívida líquida/Ebitda para 2,5 vezes até fim de 2018.

Vale e siderúrgicas
No mesmo caminho, as ações da Vale (VALE3, R$ 30,92, -0,58%;VALE5, R$ 29,45, +0,20%) fecharam entre leves perdas e ganhos. No radar, duas notícias trouxeram alívio aos investidores da empresa hoje: o minério de ferro fechou praticamente estável hoje, após forte queda na véspera; e o Bradesco BBI elevou o preço-alvo dos ADRs da mineradora. Na máxima do dia, os ativos da empresa chegaram a subir 2,5%. 

O contrato futuro de minério negociado na Bolsa de Dalian registrou queda de 2,22%, enquanto o spot negociado em Qingdao ficou praticamente estável, com leves ganhos de 0,08%, a US$ 89,80 a tonelada. 

Ainda no radar da Vale, o Bradesco BBI elevou o preço-alvo para os ADRs para US$ 11,50 por papel (R$ 38,00), em meio à revisão para cima dos preços do minério de ferro (de US$ 65 a tonelada para US$ 70 em 2017 e de US$ 55 para US$ 60 em 2018. Contudo, a recomendação para as ações segue neutra, uma vez que os analistas destacam que o preço de equilíbrio da commodity está dentro do intervalo de US$ 55 a 60 a tonelada, ante o spot de US$ 88.

As siderúrgicas seguiram o mesmo caminho, com exceção de Gerdau Metalúrgica (GOAU4, R$ 6,50, +3,67%). As demais fecharam em queda: Gerdau (GGBR4, R$ 13,02, -0,69%), Usiminas (USIM5, R$ 4,97, -2,93%) e CSN (CSNA3, R$ 11,30, -2,16%). No radar, o Morgan Stanley destacou o setor de varejo, as ações da Gerdau e Iochpe na América Latina. Segundo os analistas, a ação da Gerdau deve se beneficiar de dólar e economia americana fortes (leia aqui). 

CCR (CCRO3, 17,83, -0,94%)
As ações da CCR amenizaram as perdas, após o Palácio do Planalto anunciar há pouco, durante a segunda reunião do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), os próximos projetos que deverão ser concedidos à iniciativa privada. No total, serão apresentados 55 novas concessões, além de propostas de renovações de atuais concessões, entre elas rodovias, ferrovias, terminais portuários e linhas de transmissão de energia.

Mais cedo, as ações da empresa caíram 4,39%, a R$ 17,21, em reação ao balanço sem brilho do 4° trimestre. A companhia teve lucro líquido de R$ 169,5 milhões no período, queda de 30,8% ante o mesmo período do ano anterior, em meio a recuo no tráfego. No trimestre, a receita líquida somou R$ 1,69 bilhão, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2015, com o tráfego consolidado apresentando recuo de 7% no período. O lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado do grupo ficou em 988 milhões de reais, acréscimo de 0,4%.

Apesar do balanço ruim, analistas ainda veem a CCR como compra. Eles seguem otimistas em relação às perspectivas de crescimento, já que a empresa vai começar a usar os R$ 4 bilhões obtidos com um aumento de capital em fevereiro em aquisições e novos projetos. 

Bradesco: a empresa apresentou resultados neutros, com o tráfego do 4º trimestre sendo atingido pela quebra da safra de milho. Analistas agora esperam uma forte recuperação
para 2017 com a super safra no Brasil e decidiram manter a recomendação outperform (desempenho acima da média), enquanto elevaram o preço-alvo da ação de R$ 19,00 para R$ 21,00.

Itaú BBA: analistas veem futuras oportunidades de investimento, dado o balanço da empresa muito mais confortável. Eles apontam portunidades de crescimento em projetos de mobilidade urbana, bem como fusões e aquisições no Brasil. "O dinamismo dos resultados permanecerá positivo devido às expectativas de taxas de juros mais baixas (que se
traduzirão em menores despesas financeiras) e ao aumento de novos projetos", comentaram. A recomendação foi mantida em outperform, assim como o preço-alvo em R$ 19,00.

BTG Pactual: os analistas consideraram o resultado abaixo das estimativas, mas mantiveram a recomendação de compra para as ações, de olho nas oportunidades de crescimento e queda da taxa de juros no Brasil. O preço-alvo dos papéis é de R$ 21,00.

 Banco Safra: resultado veio mais fraco do que o esperado, embora receitas e Ebitda
tenham vindo praticamente em linha com as expectativas. O banco segue otimista com CCR devido ao seu forte poder de fogo para explorar novas oportunidades de investimento
em leilões governamentais, emendas de contratos e aquisições no mercado secundário. A recomendação é outperform. 

UBS: resultado veio em linha com as expectativas e abaixo do consenso, mas as perspectivas de crescimento ainda são positivas para a empresa. No entanto, eles comentam que veem como precificado cerca de 70% de seu poder de fogo para lances em novos projetos nos próximos anos. A recomendação é neutra, com preço-alvo em R$ 17,00.

Além dos números do balanço, operadores citam a expectativa pela decisão do governo federal de fazer novo leilão de concessão da rodovia Presidente Dutra, administrada pela CCR. Segundo o jornal Valor Econômico, o governo deve decidir nesta terça-feira que realizará o leilão, enquanto uma fonte informou à Reuters na véspera que poderiam ser abertos estudos para analisar o que fazer com os contratos de rodovias que estão perto de vencer.

M.Dias Branco (MDIA3, R$ 122,04, -8,93%)
A M. Dias Branco cai após o resultado decepcionar e, em seguida, ter a recomendação rebaixada pelo Itaú BBA. Na mínima do dia, os papéis da companhia desabaram 9,53%, a R$ 121,23. 

A companhia encerrou o quarto trimestre de 2016 com lucro líquido de R$ 236,1 milhões, o que representa um avanço de 92,4% ante igual trimestre de 2015. Em 2016, o lucro foi de R$ 784,4 milhões, uma alta de 29,9% ante o ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 240,8 milhões entre outubro e dezembro de 2016, um avanço de 80,6% ante o mesmo intervalo de 2015. No ano de 2016, o Ebitda totalizou R$ 919,4 milhões, o que representa um crescimento de 33,9% ante 2015. 

A receita líquida da empresa foi de R$ 1,400 bilhão no quarto trimestre do ano, com alta de 16,8% ante igual trimestre do ano anterior. Nos 12 meses encerrados em dezembro, a receita líquida somou R$ 5,328 bilhões, com crescimento de 15,3% ante 2015.

Segundo o BTG Pactual, o Ebitda veio 16% abaixo do previsto, com margem mais fraca do que a esperada. "Os ganhos também são inferiores às expectativas, refletindo desempenho operacional fraco", comentaram os analistas. Para eles, a falta de margem refletiu principalmente os subsídios fiscais mais baixos do estado.

De acordo com o Itaú BBA, o Ebitda veio 17% abaixo da estimativa do banco e 13% abaixo do consenso. Os analistas apontam que a compressão de margens começou, o que pode ser atribuída em parte aos descontos. Em meio a esse cenário, os analistas rebaixaram a recomendação para a ação de neutra para underperform (desempenho abaixo da média do mercado), mantendo o preço-alvo em R$ 130,00.

A companhia ainda informou que vai submeter a seus acionistas a proposta de desdobramento da totalidade de suas ações ordinárias na proporção de um para três. A proposta vai ser avaliada em uma Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária, que será realizada em 13 de abril de 2017, às 9h, na sede da empresa.

Cosan (CSAN3, R$ 38,16, -3,05%) e São Martinho (SMTO3, R$ 19,00, -2,46%)
As ações da Cosan e São Martinho caíram hoje, em meio à queda dos preços globais de açúcar. Os papéis da Cosan chegaram a recuar 5,1%, a R$ 37,35, no menor nível intradiário desde 11 de janeiro. Os futuros dos preços de açúcar bruto chegaram a recuar 3,8% em Nova York, atingindo o menor patamar desde 28 de dezembro. 

Oi (OIBR3, R$ 5,18, -4,07%; OIBR4, R$ 4,11, -0,96%)
A Oi viraram para queda, após subirem até 10% mais cedo. Essa é a primeira queda após dois dias de valorizações expressivas dos papéis. No radar da empresa, a justiça portuguesa reconheceu o processo de recuperação judicial da Oi no Brasil, informou a operadora em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de segunda-feira. Conforme o documento, o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa confirmou que os credores da companhia e da subsidiária Telemar Norte Leste estarão sujeitos às decisões proferidas pela justiça brasileira.

Em junho do ano passado, a Oi entrou com o maior pedido de recuperação judicial na história do país, a fim de reestruturar uma dívida de cerca de 65 bilhões de reais.

Smiles (SMLE3, R$ 60,28, -1,18%)
As ações da Smiles registraram leve queda após terem a recomendação cortada de overweight (desempenho acima da média do mercado) para neutra pelo JPMorgan, com preço-alvo de R$ 65,00. Por outro lado, o BTG Pactual destacou sua preferência sobre a companhia em relação a ação de outra empresa de programa de fidelidade, a Multiplus (MPLU3, R$ 35,33, -0,14%). O preço-alvo para as ações SMLE3 foram elevados de R$ 65 para R$ 73. Já o preço-alvo da Multiplus foi reduzido de R$ 48,00 para R$ 42,00.

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 56,98, -0,70%) e Via Varejo (VVAR11, R$ 10,96, 0,0%)
As ações do Pão de Açúcar registraram queda, enquanto Via Varejo fechou no zero a zero, na esteira do resultado do controlador, o francês Casino. No Brasil, o lucro operacional do Casino caiu para 314 milhões de euros, ante 434 milhões de euros, afetado por gastos promocionais para impulsionar as vendas na rede de supermercados Extra.

Além disso, o presidente da varejista francesa, Jean-Charles Naouri, afirmou que o  Casino ainda não decidiu o que fará com os recursos provenientes da venda da Via Varejo no Brasil. Em coletiva de imprensa após a divulgação dos resultados de 2016, que fez as ações do grupo francês cair nesta sessão, o executivo afirmou que o capital obtido com a venda da Via Varejo pode ser usado para reduzir a despesa financeira ou acelerar a expansão das lojas Assaí no Brasil.

Naouri afirmou ainda que vê boa tendência comercial para o Grupo Pão de Açúcar, controlado pelo Casino, no Brasil em 2017, a exemplo do que se observou no quarto trimestre do ano passado. De acordo com ele, o Casino mira investimentos de pouco menos de 1 bilhão de euros neste ano.

Small caps em queda
As ações de três small caps que dispararam na véspera ou registraram um movimento de forte valorização nos últimos dias "sem explicação", têm um dia de baixa nesta terça-feira. 

Após quatro altas seguidas (quando acumularam valorização de 40%) e ganhos de 185% no ano, as ações da CSU Cardsystem (CARD3, R$ 11,55, -16,97%) realizaram os ganhos. O balanço da companhia será divulgado no próximo dia 9 de março, depois do fechamento do pregão. Em comunicado no final de fevereiro, quando as ações já registraram forte alta, a companhia informou à CVM desconhecer o motivo para alta tão expressiva. "Todavia, com o intuito de auxiliarmos, informamos que a Sul América, acionista que detinha 17,2% de participação sobre o capital social da CSU em março de 2016, alienou sua participação acionária para menos de 5% de participação, conforme último 'comunicado ao mercado' enviado à CVM em 14 de fevereiro de 2017. 

Outra ação com movimento parecido foi a Springs Global (SGPS3, R$ 9,70, -10,19%). Após avançar 23% nas últimas duas sessões, o papel cai forte. Em resposta à BM&FBovespa sobre a oscilação recente dos papéis, a diretora de relações com investidores da empresa, Alessandra Gadelha, disse que não há nenhum fato do conhecimento da companhia que pudesse justificar a movimentação dos papéis. A informação foi divulgada ao mercado nesta manhã no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). 

Por fim, está a Mills (MILS3, R$ 4,63, -9,04%), que caiu forte hoje após disparar 18,65% na última segunda-feira. No radar da companhia, ela convocou assembleia de debenturistas para tratar de waiver. O encontro será no dia 22 de março, às 10h. 

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 185,10, -5,09%)
As ações da Magazine Luiza afundaram nesta sessão, atingindo na mínima do dia queda de 9,50%, a R$ 176,49. Essa foi a 3ª queda em 4 pregões da ação, depois de ter renovado no dia 1º de março sua máxima histórica em R$ 215,00.

Vale menção que a ação saiu da Carteira InfoMoney no mês de março (confira aqui a nova composição). O papel permaneceu na carteira de novembro até o fim de fevereiro, quando subiu 120% na Bovespa. 

Cemig (CMIG4, R$ 11,65, +4,95%)
As ações da Cemig lideraram a alta do Ibovespa, após a empresa ganhar mais um capítulo na luta contra o governo federal a respeito da concessão da usina hidrelétrica de São Simão. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu, na noite desta segunda-feira (6), uma liminar que permite que a empresa mantenha a concessão da hidrelétrica de São Simão, por meio de sua subsidiária Cemig Geração e Transmissão (GT). Segundo o documento, a concessão será mantida sob as bases iniciais do contrato original da usina, que venceu em janeiro de 2015.

Saraiva (SLED4, R$ 5,69, -0,35%)
As ações da Saraiva caíram pela segunda sessão seguida. Na véspera, os papéis caíram 3,55% em meio à entrevista do presidente da Livraria Cultura, Sergio Herz, que negou conversações para venda para a Saraiva. 

 

Contato