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4 ações sobem mais de 10% na semana; Fibria e Vale caem mais de 5% e lideram perdas

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve mais um dia volátil nesta sexta-feira (18), no último pregão antes do vencimento de opções sobre ações na Bovespa, que normalmente deixa as ações mais líquidas do mercado, como Petrobras e Vale, instáveis. Hoje, a petrolífera subiu entre alta do petróleo e venda bilionária da Liquigás, enquanto a mineradora caiu, acompanhando as perdas dos preços do minério de ferro.

Já o dólar também teve um dia bastante volátil. Depois de leve alta, a moeda afundou 1,3%, e fechou com perdas de 0,93%, a R$ 3,3870 na venda, o que ajudou a estancar as quedas das ações da Fibria neste pregão. No pior momento do dia, a ação atingiu desvalorização de 4,12%, a R$ 27,43, mas conseguiu recuperar e fechou com queda de cerca de 1,5%. Mais cedo, no entanto, os papéis subiram forte, na esteira de uma elevação de recomendação feita pelo Bank of America Merrill Lynch na última quinta-feira.

Na semana, destaque para os papéis da JBS (JBSS3, R$ 10,15, +11,54%), Santander (SANB11, R$ 27,73, +11,50%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 26,27, +10,56%) e Gerdau (GGBR4, R$ 13,30, +10,01%), que subiram mais de 10% e lideraram os ganhos. Na ponta negativa, a Fibria caiu 7,09% e ficou com o pior desempenho seguindo as quedas recentes do dólar, ao passo que a Vale também caiu mais de 5% puxada pelo cenário difícil do minério de ferro. No total foram 12 ações caindo mais de 4%.

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira: 

Petrobras (PETR3, R$ 16,42, -0,24%; PETR4, R$ 14,52, +1,61%)
As ações da Petrobras intensificaram ganhos durante a tarde, após venda bilionária de sua divisão de gás de cozinha, a Liquigás, para o grupo Ultra (UGPA3, R$ 69,21, +1,78%), dono da Ultragaz e da rede de postos Ipiranga. A operação foi fechada por R$ 2,8 bilhões. Os papéis da estatal, no entanto, vão na contramão dos preços do petróleo no mercado internacional. O contrato Brent avançou 0,44%, a US$ 47,81 o barril, enquanto o WTI subiu 0,24%, a US$ 45,53 o barril. 

Segundo o Santander, a operação tem implicações positivas para a Petrobras, que continua a entregar no importante front de desinvestimentos. "Essa venda vai ajudar a companhia a alcançar sua meta de desinvestimentos, o que segue como ponto central da nossa tese de investimentos para a ação", comentou o analista do banco Gustavo Allevato. O banco reiterou a recomendação de compra para o ADR (American Depositary Receipts) da estatal, com preço-alvo de US$ 9,60.

Já os analistas do Bank of America Merrill Lynch comentaram que o valor da transação ficou acima de suas expectativas, mas ainda assim eles acreditam que essa operação vai gerar mais 3% de ganhos para a Ultrapar. Segundo eles, a aquisição pode adicionar mais de R$ 1,15 por ação da empresa ou US$ 0,33 por ADR, estimando que sinergias anuais de R$ 250 milhões para a companhia. 

Em relatório, o BTG Pactual comentou que a notícia era bastante positiva para ambas as companhias. "A Petrobras está vendendo mais um ativo num múltiplo bom, acima de 10 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda e se aproximando da meta de desinvestimentos para 2015-2016 e a Ultrapar compra um ativo menos eficiente do que a sua própria operação de gás, com upside relevante de Ebitda por sinergias e pelo maior poder negocial que terá por subir sua participação de mercado para algo perto de 45%", avaliaram os analistas.  

Ainda no radar da estatal, a BR Distribuidora está tentando reaver os R$ 140 milhões que pagou de bonificação aos 118 postos de combustíveis que eram dos sócios do BTG Pactual (BBTG11) e à Setee Serviços, donos da DVBR (Derivados do Brasil), informa o jornal O Estado de S. Paulo

Vale (VALE3, R$ 24,57, -0,69%; VALE5, R$ 22,20, -1,42%)
As ações da Vale tiveram forte queda, seguindo os preços do minério de ferro nesta sessão, que caiu 1,03% no porto de Qingdao, na China, a US$ 72,79 a tonelada. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 13,62, -1,30%) - holding que detém participação na Vale -, enquanto as siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 13,30, +3,83%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,04, +1,82%), CSN (CSNA3, R$ 10,86, +2,74%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,99, +1,27%) tiveram alta hoje. 

No setor, a Gerdau cancelou a paralisação em dois setores de usina em Divinópolis (MG), segundo informações do portal G1. Em nota ao portal, a siderúrgica informou que apenas trabalhadores do setor de laminação terão as atividades suspensas, mas o total de empregos afetados não foi repassado.

Eletropaulo (ELPL4, R$ 9,56, +18,32%)
As ações da Eletropaulo dispararam, após anunciar acordo de reestruturação societária com o BNDESPar. Essa é a maior alta da ação desde 4 de julho deste ano. Ontem, a AES Brasil e o BNDESPar, braço de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, celebraram acordo para reorganização societária, de forma que ambos passarão a ter participação direta na distribuidora de energia AES Eletropaulo.

Segundo fato relevante, a reestruturação vai se dar por meio das cisões parciais da Brasiliana Participações e da AES Elpa, com a subsequente incorporação dos respectivos acervos cindidos pela AES Eletropaulo, de forma que os atuais acionistas da Brasiliana (AES Brasil e BNDESPar) e da AES Elpa passarão a deter participação direta na AES Eletropaulo.

Tal reestruturação, disse a AES, visa à simplificação das estruturas acionárias das companhias, promovendo maior agilidade na tomada de decisões e melhora na liquidez dos investimentos e na geração de caixa futura da AES Eletropaulo, estimada em torno de 700 milhões de reais até o final da concessão, o que contribuirá para redução do nível de endividamento.

A reestruturação será precedida de proposta de conversão de até 10.823.521 ações ordinárias da AES Eletropaulo em preferenciais --na proporção de uma para uma--, com os mesmos direitos das atuais ações preferenciais da AES Eletropaulo.

Fibria (FIBR3, R$ 28,29, -1,12%)
As ações da Fibria caíram 1%, após queda de 4% na mínima do dia, com a desvalorização do dólar, que caiu 0,93%, abaixo de R$ 3,40. Mais cedo, os papéis subiram até 3%, na esteira de uma elevação de recomendação, divulgada ontem, pelo Bank of America Merrill Lynch de neutra para compra. Agora, a ação é a top pick do setor de papel e celulose. O banco também recomenda compra para as ações da Klabin (KLBN11, R$ 16,11, -2,83%) e da Suzano (SUZB5, R$ 11,98, -0,25%).

Os analistas destacaram a revisão para as projeções de dólar após a eleição de Donald Trump nos EUA, que passaram de R$ 3,60 para 2016 e de R$ 3,90 para 2017. Isso acaba beneficiando o setor no país, notoriamente exportador. 

Sobre a Fibria, o BofA aponta que a alta do dólar ajuda no processo de desalavancagem da companhia, deixa a geração de fluxo de caixa livre mais forte e seu valuation que é considerado bastante atrativo.  O preço-alvo para os papéis também foi elevado, de R$ 30,50 por ação para R$ 38,00. 

Embraer (EMBR3, R$ 17,51, -2,34%)
Os metalúrgicos da Embraer em São José dos Campos aprovaram na quinta-feira a proposta de reajuste salarial apresentada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que representa a empresa nas negociações com os empregados. A proposta em questão, referente à data-base 2016, prevê um abono fixo no valor de R$ 4 mil por empregado, independentemente da faixa salarial, a ser pago em 30 de novembro de 2016, somado a um reajuste salarial de 5% sobre o salário nominal a partir de janeiro de 2017.

A Embraer também se comprometeu a estender o reajuste e o abono aos trabalhadores que aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) da companhia. O reajuste será aplicado aos salários a partir de primeiro de janeiro, enquanto o abono será pago já em novembro. Os funcionários que recebem salário superiores a R$ 11.835,52 terão ainda um fixo de R$ 591,77.  

Em nota, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos ressalta que a proposta apresentada pela Fiesp representa um avanço em relação aos termos apresentados em reuniões anteriores - na primeira negociação, a oferta era de abono de R$ 4 mil, mas com reajuste zero. Também em nota, a Embraer informa que aguarda a apreciação nas demais regiões.

Rumo (RUMO3, R$ 5,75, -0,69%)
A Rumo informou que não existe nenhum documento assinado e/ou vinculante a respeito da venda de participação acionária de seu complexo portuário de Santos, mas que constantemente conduz estudos e avalia oportunidades dentro de seu plano de negócios. O comunicado da empresa veio para esclarecer rumores sobre uma proposta de R$ 2 bilhões para venda de uma fatia majoritária no porto de Santos. 

Minerva (BEEF3, R$ 10,84, +3,93%)
Para o presidente da Minerva, Fernando Queiroz, o protecionismo de Donald Trump pode beneficiar o Brasil. Ele falou nesta manhã em evento em São Paulo. Segundo o executivo, os Estados Unidos são os maiores competidores do Brasil nas exportações agrícolas. Com isso, uma guinada protecionista tenderia a causar retaliações, abrindo espaços para o Brasil ocupar. Além disso, ele comentou que a alta dos juros nos EUA tornaria o crédito mais caro no Brasil, favorecendo o processo de consolidação da indústria de carnes. 

Cesp (CESP6, R$ 14,13, +1,58%)
A estatal paulista Cesp acredita que um leilão para a venda das ações detidas pelo governo do Estado de São Paulo na companhia poderá ser realizado no início de 2017, de acordo com projeção apresentada pelo diretor financeiro da companhia, Almir Martins, em teleconferência com investidores nesta quinta-feira. O governo paulista já abriu uma licitação para contratar uma consultoria para apoiá-lo no processo de venda, inclusive na preparação da modelagem da privatização. Os interessados têm até 22 de novembro para enviar suas propostas.

Comgás (CGAS5, R$ 47,00, -7,93%)
A Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) iniciou nesta sexta-feira (18) as discussões sobre a metodologia para a revisão tarifária da Comgás. Essa proposta será discutida até dia 5 de dezembro. Para o Santander, a leitura inicialmente é negativa, com o regulador propondo mudanças na metodologia do cálculo da base de ativos. Segundo os analistas, essas mudanças poderiam implicar em uma pressão no Ebitda regulatório da empresa. Eles, no entanto, seguem com recomendação de compra para o papel, apontando que são negociados ainda muito descontados na Bolsa. 

Springs Global (SGPS3, R$ 4,03, +4,40%)
As ações da small cap teve forte valorização nesta sessão, atingindo na máxima do dia alta de 7,51%, a R$ 4,15. Ontem, João Paulo Reis, gestor da Venture Investimentos e blogueiro do InfoMoney, disse que o papel era uma boa oportunidade de compra na Bolsa, principalmente para quem gosta de tradicionais cases de "turning point" (virada). A análise completa pode ser conferida através deste link.  

 

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