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Petrobras salta até 9%, varejista dispara 28% e só 8 ações sobem na semana

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa corrigiu nesta sexta-feira (12) as perdas da última sessão, mas ainda assim não conseguiu reverter as perdas acumuladas na semana reduzida de retorno do feriado de Carnaval. 

Depois de fortes altas na semana passada, as siderúrgicas figuraram como as maiores perdas do Ibovespa nesta semana, com Usiminas (USIM5, -15,84%) CSN (CSNA3, -8,22%) e Gerdau (GGBR4, -10,29%) liderando a ponta negativa do índice. Já do lado positivo, apenas 8 ações encerraram o período em alta, mas nenhuma acima de 2%. As maiores altas foram os papéis da Lojas Americanas (LAME4), Oi (OIBR4) e Kroton (KROT3). 

Nesta sessão, por sua vez, quem figurou na ponta positiva do Ibovespa foram as ações da Petrobras, em meio à disparada do petróleo, com os mercados animados pela possibilidade de um acordo da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para cortar a produção da commodity. Na semana, os papéis da estatal encerraram em leves perdas. Outras ações de commodities também tiveram correção hoje, como Vale e siderúrgicas. 

Chama atenção ainda as ações da Cielo, que depois de marcarem na véspera seu pior pregão desde 2012, com queda de 8%, reagiram com alta hoje à notícia de que a compra da Elavon não deve ocorrer. Fora do Ibovespa, os papéis da small cap Restoque, dona das marcas Bo.Bô e John John, seguiram em disparada. Nesta sessão, os papéis da varejista subiram 23%, mas acumulam alta de 195% desde 21 de janeiro.  

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira: 

Petrobras (PETR3, R$ 6,31, +6,77%; PETR4, R$ 4,45, +5,20%)
As ações da Petrobras dispararam com salto dos preços do petróleo no mercado internacional. Na máxima do dia, os papéis ordinários subiram 8,6%, enquanto os preferenciais avançaram 6,6%. Lá fora, o petróleo Brent disparava 10,08%, a US$ 33,09 o barril, após declarações do ministro de Energia dos Emirados Árabes sinalizarem a possibilidade de corte de oferta da commodity pela Opep

Além disso, no radar da estatal, segundo informações do jornal Valor Econômico, a Petrobras pode obter até US$ 6 bilhões vendendo dutos de gás da TAG. Os canadenses Brookfield e o CPPIB (Canadian Pension Plan Investiment Board) já estão analisando os ativos e também é esperado dinheiro chinês, dado o tamanho dos negócios. Os ativos de gás devem ser os primeiros vendidos em 2016. 

Destaque ainda para a fala do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. Ao ser questionado sobre a sua posição em relação ao projeto de lei do senador José Serra (PSBD-SP), que propõe rever o papel central da Petrobras na exploração das grandes reservas de petróleo, o ministro afirmou que aceita participar do debate. Porém, ressaltou ser importante considerar os benefícios em adotar o modelo de partilha associados à política de conteúdo nacional e ao papel da estatal como operadora única dos campos do pré-sal.

E, segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, acionistas da Sete Brasil afirmam que a Petrobras precisa decidir o que fazer com a empresa do pré-sal ainda este mês, mesmo com os quatro meses de trégua dados pelos credores. Isso porque a companhia só tem dinheiro para operar por mais três meses.

Por fim, o BTG Pactual comentou a notícia de que a Petrobras está vendendo as suas 21 usinas térmicas. O relatório destaca que vender o controle das plantas é, naturalmente, a coisa certa a fazer. Por outro lado, a Petrobras provavelmente precisa fazer algum trabalho de reorganização antes da venda (assinatura dos contratos bilaterais, separando unidades por região, entre outros). O banco segue com recomendação neutra para a companhia, possuindo um preço-alvo de US$ 3 para o ADR da estatal. 

Cielo (CIEL3, R$ 29,25, +4,09%)
As ações da Cielo chegaram a subir 7% na abertura da Bovespa, mas perderam um pouco de força já durante a manhã. A alta ocorreu após a agência da notícias Bloomberg afirmar que o Bradesco e o Banco do Brasil desistiram de comprar a Elavon no Brasil, um rumor que toma conta do mercado já faz alguns dias. Mais cedo, a Reuters afirmou que a Elo Participações, joint venture entre os dois bancos estaria negociando a compra integral da Elavon. Segundo o BTG Pactual, dado que o papel sofreu muito por conta da especulação de compra (queda de 13% nos 3 pregões anteriores), notícias de que o negócio não vai mais acontecer devem trazer algum alívio. 

Veja mais: Quantos bilhões o Bradesco e BB têm de culpa no naufrágio da Cielo na Bolsa?

A matéria da Reuters já dizia que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) teria levantado questões sobre possíveis entraves à concorrência com a venda da Elavon, o que estaria atrasando o fechamento da transação. Procurado, o Cade disse que "não comenta uma operação até que o edital referente ao ato de concentração" seja publicado no Diário Oficial da União. "Não há edital publicado sobre a operação mencionada", limitou-se a informar o órgão antitruste.

A Elavon, embora tenha apenas entre 1 e 2% desse mercado no Brasil, tem um produto mais simples e barato, e pode agregar serviços complementares à atuação da Cielo, disse a primeira fonte. A consolidação se daria num momento em que o cenário prolongado de fraca atividade econômica pôs fim a um ciclo de expansão acelerada dos meios eletrônicos de pagamento no Brasil, que tem levado o setor a oferecer maiores descontos nas taxas cobradas de lojistas em busca de manutenção do market share.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 10,25, +3,85%; VALE5, R$ 7,56, +2,02%), Bradespar (BRAP4, R$ 3,58, +4,99%) - holding que detém participação na mineradora - e as siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 0,85, 0,0%), Gerdau (GGBR4, R$ 3,75, +0,81%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 1,32, +4,76%) e CSN (CSNA3, R$ 4,02, +3,61%) seguiram o bom humor do mercado e subiram forte hoje, após "sell-off" da véspera.

No radar das companhias, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais decretou o bloqueio de R$ 470 milhões da Vale, segundo informações do jornal O Globo. A joint venture formada por ela e pela BHP Billiton, a Samarco, é responsável pela barragem de Fundão, em Mariana, na região Central do estado, que rompeu em 5 de novembro do ano passado. A ação foi proposta pela promotoria pública de Barra Longa, município mineiro de 6 mil habitantes que foi um dos mais atingidos pela lama resultante do rompimento da barragem em Mariana.

Já entre as siderúrgicas, a Usiminas disse que está em conversas para refinanciar R$ 4 bilhões de suas dívidas, segundo disseram quatro fontes familiarizadas sobre o assunto à Reuters. Mais cedo, fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo disse que a empresa corre o risco de não ter caixa para manter suas operações a partir de março. A companhia tenta há meses vender ativos, sem sucesso, para ganhar fôlego e em renegociação com bancos para alongar dívidas, a siderúrgica mineira, que já desligou três dos seus cinco altos-fornos, em Ipatinga (MG) e Cubatão (ex-Cosipa), tenta encontrar uma solução para evitar que a empresa entre em recuperação judicial. A possibilidade de um aumento de capital não é um consenso no grupo. 

Bancos
Os bancos tiveram leves altas nesta sexta-feira de euforia nos mercados globais. No setor, as ações do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 13,37, +2,37%) destoaram: os papéis, que registravam durante a manhã a maior alta do setor, fecharam em queda. Na máxima, as ações do BB subiram 3,9%. 

Já Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 24,37, +0,79%), Bradesco (BBDC3, R$ 20,89, +1,11%; BBDC4, R$ 19,33, +0,47%) e Santander (SANB11, R$ 13,51, +2,19%) seguiram em leves ganhos.

Sobre o Itaú, o Santander reduziu o preço-alvo para as ações do banco de R$ 34,00 para R$ 33,00, mas segue com recomendação de compra para os ativos. Aliás, esta é a única recomendação de compra para o setor, destaca a analista Renata Cabral.

"O Itaú anunciou o guidance de 2016, que foi considerado conservador, levando a revisar para baixo nossas previsões de lucro por ação em 11%. Apesar de apreciarmos a justificativa para a empresa ter um posicionamento mais mais conservador, nossa análise aponta para uma perspectiva menos negativa", destaca a analista.

Cosan (CSAN3, R$ 23,69, +3,45%)
As ações da Cosan subiram antes de balanço trimestral, que será reportado nesta noite. Segundo o BTG Pactual, a companhia deve divulgar um forte resultado, com destaque para o negócio de açúcar e etanol, com venda de estoques a preços mais altos. No lado da Raízen, analistas do banco esperam que os volumes devem seguir desacelerando, refletindo fraco cenário macroeconômico. No caso de Comgás, o trimestre deve apresentar volumes residenciais fracos pesando no crescimento do volume total.

Restoque (LLIS3, R$ 5,52, +27,78%)
Os papéis da small cap varejista Restoque, dona das marcas Bo.Bô e John John, seguiram em disparada na Bolsa, apesar da "falta de notícia" no radar. Desde o fechamento do pregão do dia 21 de janeiro até agora, as ações registram alta de 195%, renovando hoje máxima na Bolsa de julho de 2015. Chamou atenção hoje também o volume financeiro de R$ 3,16 milhões, acima da média diária de R$ 2,5 milhões dos últimos 21 pregões. 

Biosev (BSEV3, R$ 4,99, +3,31%)
A Biosev fechou o trimestre encerrado em 31 de dezembro (que equivale ao terceiro trimestre da safra 2015/16) com um lucro líquido de R$ 162,8 milhões, ante uma perda líquida de R$ 86,2 milhões obtida em igual intervalo do ciclo 2014/15. A receita líquida teve alta de 64,1%, para R$ 1,693 bilhão. O Ebitda cresceu 30,8% no período, a R$ 437,6 milhões.  

Tereos (TERI3, R$ 56,00, +0,92%)
A Tereos teve lucro líquido de R$ 59 milhões no trimestre encerrado em dezembro de 2015 ante lucro líquido de R$ 1 milhão em igual trimestre do ano anterior. O lucro líquido considerado é o atribuído aos sócios da empresa controladora, base para a distribuição de dividendos. A receita líquida da empresa foi de R$ 2,995 bilhões no terceiro trimestre fiscal, alta de 39,6% em relação aose R$ 2,144 bilhões um ano antes. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado da companhia subiu 62,8% na comparação anual, para R$ 471 milhões no terceiro trimestre fiscal 2015/16, com uma margem Ebitda de 15,7%. 

Paranapanema (PMAM3, R$ 1,67, -2,91%)
As ações da Paranapanema sobem após a empresa mostrar lucro líquido de R$ 134,8 milhões em 2015, alta de 9% em relação a 2014. Em 2015, a receita líquida cresceu 79%, para R$ 3,14 bilhões. No quarto trimestre, a Paranapanema teve prejuízo líquido de R$ 17,6 milhões, ante lucro de R$ 79,7 milhões no mesmo período do ano passado. A receita líquida subiu 11% e fechou em R$ 1,46 bilhão. O Ebitda caiu 34%, a R$ 59,6 milhões. 

CCR (CCRO3, R$ 12,26, +0,08%)
A CCR aprovou a emissão de R$ 110 milhões em notas promissórias. Ainda sobre as concessionárias, o Ministério dos Transportes vai selecionar empresas ou pessoas físicas para realizar os estudos de viabilidade técnica da concessão da BR- 163/PA, entre o entroncamento com a BR-230, em Campo Verde, e o início da Travessia do Rio Amazonas, em Santarém.

O edital com as regras e orientações aos interessados em participar da seleção está publicado no Diário Oficial da União (DOU). Quem quiser se candidatar deve enviar requerimento ao Ministério até o dia 14 de março. Aqueles que forem selecionados terão 180 dias corridos, contados da publicação da autorização do último interessado, para apresentar os estudos.

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