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Cemig desaba 8% após STJ, Petrobras avança antes de plano de negócios e Marfrig cai

Confira os principais destaques da Bolsa nesta quarta-feira

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após subir forte, o Ibovespa perdeu força e fechou próximo da estabilidade depois que a Petrobras, bancos e Vale amenizaram os ganhos. Chamou atenção também as ações da Braskem, que seguiram movimento de alta em meio ao acordo da Chesf, ofuscando os desdobramento da Operação Lava Jato. Fora do índice, ganhou o holofote a ação da Iochpe-Maxion, que "silenciosamente" disparou 18% em 4 pregões.

Confira abaixo os principais destaques da Bovespa nesta sessão:

Cemig (CMIG4, R$ 12,04, -8,09%)
As ações da Cemig passaram a desabar a partir das 15h30 (horário de Brasília). O desempenho ocorre após a 1° Seção do STJ (Superior Tribunal de Justiça) negar o pedido da companhia para renovar automaticamente a concessão da hidrelétrica de Jaguara por mais 20 anos. O placar ficou em 6 votos a 2 a favor da União. Faltavam os votos da Assusete Magalhães, que havia pedido vista na última sessão em que o caso estava pautado, em dezembro, e do ministro Sérgio Kukina. 

Analistas ouvidos pela Reuters disseram que, devido ao placar parcial anterior, a decisão não chega a ser uma surpresa, mas é natural que as ações da companhia mineira sofram com o impacto inicial da confirmação da decisão.

Petrobras (PETR3, R$ 14,62, +1,88%; PETR4, R$ 13,20, +1,77%)
Em meio a diversos dados sobre o plano de negócios da Petrobras, as ações da companhia registraram ganhos nesta sessão. Ontem, as ações da estatal, que estavam subindo, viraram para queda nos minutos finais do pregão e fecharam em baixa superior a 1% em meio à notícia do Broadcast de que o corte de investimentos seria de cerca de 25%, abaixo do esperado pelo mercado.Em vez dos US$ 220,4 bilhões previstos inicialmente no prazo de cinco anos, como definido no plano de negócios para o período de 2014 a 2018, o investimento ficaria na casa dos US$ 165 bilhões.

Contudo, hoje, uma outra notícia animou os mercados. Isso porque, segundo a própria Agência Estado, o corte no plano de investimentos da Petrobras para o período de 2015 a 2019 ficará próximo a 40%, com o novo orçamento em torno dos US$ 130 bilhões. Diante das dificuldades financeiras da petroleira, a nova gestão preferiu adotar uma redução drástica do orçamento, em linha com o que espera o mercado. Assim, as incertezas sobre a companhia continuam.

E, em comunicado nesta quarta-feira, a Petrobras afirmou que o Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 ainda está em elaboração. "Fatos julgados relevantes serão oportunamente comunicados ao mercado", limitou-se a dizer. Na nota, a estatal não determinou uma data para a divulgação do plano, amplamente esperado pelo mercado.

Vale (VALE3, R$ 19,80, -0,05%; VALE5, R$ 17,05, -0,06%)
As ações da Vale perderam força, após ficarem, juntamente com a Petrobras, entre os destaques de ganho do Ibovespa. O movimento ocorreu apesar da alta do minério de ferro nesta sessão, que subiu 3,24%, a US$ 62,12 por tonelada.

Além disso, o diretor de Relações com Investidores, Rogério Nogueira, disse em entrevista hoje que a mineradora trabalha para cortar o Capex (plano de investimentos) para entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões em 2015, ante estimativa anterior de US$ 10,2 bilhões. Ele também falou que a Vale vai pagar dividendos crescentes seguindo o aumento dos projetos. 

Nogueira afirmou ainda que a companhia segue trabalhando para um possível IPO da unidade de metais básicos, que envolverá cerca de 25% a 30% da unidade, e estará sujeito a "preços adequados" do níquel e cobre. Além disso, o HSBC iniciou cobertura para os papéis da companhia com recomendação de manutenção. 

Além da Vale, o HSBC iniciou cobertura para Bradespar (BRAP4, R$ 11,42, -0,35%) e Gerdau (GGBR4, R$ 7,56, -4,30%) e tem recomendação de reduzir para Usiminas (USIM5, R$ 4,40, -2,87%) e CSN (CSNA3, R$ 5,59, -1,41%). 

Braskem (BRKM5, R$ 13,13, +2,18%)
As ações da Braskem subiram pelo terceiro dia seguido, depois da forte queda na sexta-feira após prisão de Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira, que é a maior acionista da Braskem. Os papéis reagiram positivamente à renovação ontem do contrato das empresas eletrointensivas do Nordeste com a Chesf, que no Bolsa ainda incluem a Vale, Gerdau, Paranapanema e Ferbasa. O presidente da Braskem, Carlos Fadigas, disse em nota que os termos permitem que a indústria da região dê continuidade às suas operações.

Em relatório, a Citi Corretora comentou que o relatório é positivo para a companhia, que é a maior consumidora de energia da Chesf, comum uma utilização estimada de 400 MW, cerca de 50% do total do consumo. Segundo os analistas, esse novo contrato proposto reduz a expectativa de perda vinda do contrato de R$ 370 milhões por ano para R$ 144 milhões, enquanto elimina o risco potencial de grande perda se toda a energia tiver que ser comprada a altos preços no mercado spot (à vista) ou através de contratos de longo prazo. O impacto da nova estrutura proposta poderia aumentar a previsão da corretora para o Ebitda da empresa para 2015 em R$ 110 milhões, relativos aos seis meses posteriores ao acordo. 

Apesar da boa notícia, aparece no radar da empresa ainda os desdobramentos da Operação Lava Jato. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e delator Paulo Roberto Costa afirmou que a Braskem, braço petroquímico da Odebrecht, pagou parte da propina recebida por ele em contas secretas na Suíça, abertas pelo operador Bernardo Freiburghaus. 

Paranapanema (PMAM3, R$ 3,87, -2,27%)
Na sequência das empresas beneficiadas pelo acordo da Chesf, a Paranapanema informou já tem contratada toda a energia demandada para o ano de 2015, e possui propostas firmes no Mercado Livre para os volumes a partir de 2016, o qual será contratado em breve.

Com isso, a unidade de Dias d’Ávila da companhia, na Bahia, passará a pagar de R$110,00/MWh para R$ 154,00/MWh durante os próximos anos, já considerando a divisão de 70% da energia advinda da Chesf e o restante, do mercado livre. Em entrevista ao Valor, o presidente da empresa de cobre refinado, Christophe Akli, disse que os termos do acordo são "fantásticos".   

Marfrig (MRFG3, R$ 5,50, -3,51%)
Depois de dois dias de fortes ganhos, as ações da Marfrig perderam força hoje e fecharam em queda. Nos últimos dias, as ações dispararam com a notícia sobre a venda da Moy Park para a JBS. Já as ações da JBS (JBSS3, R$ 15,96, -0,50%) voltaram a cair pelo segundo pregão seguido. 

Na segunda, analistas ressaltaram que a venda é positiva para a Marfrig, já que ajuda a diminuir sua alavancagem, e neutra para a JBS. Na ocasião, o Bank of America Merrill Lynch elevou a recomendação da Marfrig de underperform (desempenho abaixo da média) para compra, com novo preço-alvo de R$ 7,00 por ação. 

Veja mais em: Bom para todo mundo: JBS ganha a Europa e Marfrig perde dívida com venda da Moy Park

BTG Pactual (BBTG11, R$ 29,85, -3,68%)
As units do BTG Pactual desabaram hoje, com operadoras atrelando o movimento ao fato de o nome de André Esteves ter aparecido em bilhete que o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, escreveu a seus advogados. As informações são da Reuters. 

Segundo a reportagem, não foi possível confirmar imediatamente se a pessoa mencionada por Marcelo Odebrecht, preso na última sexta-feira na fase mais recente da operação Lava Jato, é o controlador e presidente do BTG Pactual ou um homônimo. De todo modo, o bilhete escrito pelo presidente da Odebrecht cita também o nome da Sete, possivelmente referindo-se à Sete Brasil, fornecedora de sondas à Petrobras que enfrenta séria crise financeira. 

A unidade de participações do BTG e clientes da gestora de recursos do banco possuem participação de cerca de 25% na Sete Brasil.

Cetip (CTIP3, R$ 33,30, +1,22%)
As ações da Cetip subiram após terem a recomendação elevada pelo BTG Pactual de neutra para compra, que destacou sua preferência pela companhia em relação à BM&FBovespa (BVMF3), principalmente após o melhor desempenho da última ação em relação à primeira. 

A BM&FBovespa, destacam os analistas, apesar de ter um bom potencial, tem decepcionado em relação aos volumes de negociação. Os analistas avaliam ainda a alta resiliência da Cetip. 

B2W (BTOW3, R$ 20,90, -3,37%)
A B2W Digital registrou queda superior a 3% hoje. A companhia anunciou que a sua controlada 8M comprou a Sieve, da Usina Internet Group por cerca de R$ 131,1 milhões. 

A Usina Internet Group LLC é controlada pela ACP Investments, a Arpex, titular de 71,88% do seu capital. Arpex tem como sócios, dentre outros, Roberto Moses Thompson Motta, Marcel Hermann Telles, Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Jorge Paulo Lemann, estes três últimos da 3G Capital, grupo de acionistas que, indiretamente, controla Lojas Americanas (LAME4), que por sua vez é controladora direta do emissor. O grupo é titular, em conjunto, de 47,8570% do capital da Arpex.

Educacionais
As ações das empresas do setor de educação Kroton (KROT3, R$ 12,80, +3,64%) e Estácio (ESTC3, R$ 19,60, +1,61%) tiveram alta nesta sessão. A Kroton reage à possibilidade de venda da Uniasselvi para o grupo Cruzeiro do Sul ou para o fundo Carlyle, segundo o Valor. A operação deve sair por até R$ 1 bilhão pelo negócio.

Imobiliárias
Com o relatório trimestral de inflação do Banco Central de hoje reforçando o tom "hawkish" sobre a alta de juros, as imobiliárias voltam a registrar queda na Bolsa, mas diminuem as perdas. Destaque para Gafisa (GFSA3, R$ 2,27, -0,44%) e Cyrela (CYRE3, R$ 10,04, +0,20%). 

O Relatório de inflação indica que foco do BC continua no combate da inflação, apesar de redução da projeção para o PIB em 2015, segundo comentário de Neil Shearing, economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics. Com a elevação de juros, o crédito fica mais caro, o que afeta o segmento imobiliário. 

Ainda no noticiário do setor, o governo federal convocou uma reunião com representantes do setor de habitação para discutir o programa "Minha Casa, Minha Vida" hoje, em Brasília, de acordo com fontes ouvidas pelo Broadcast. A expectativa é que o encontro trate do atraso em pagamentos que deveriam ter sido feitos às empresas contratadas para obras da faixa 1 do MCMV. As ações da MRV (MRVE3, R$ 7,68, +0,39%), mais expostas ao programa do governo, registram leve alta. Fora do Ibovespa, a Direcional (DIRR3, R$ 4,64, +1,75%) sobe mais forte. 

Iochpe-Maxion (MYPK3, R$ 13,80, +0,73%)
As ações da Iochpe-Maxion seguiram movimento de alta na Bolsa e já acumulam ganhos de 17% nos últimos quatro pregões. A arrancada dos papéis coincide com a notícia (publicada no dia 19 de junho) de que a ThyssenKrupp e Maxion Wheels (antiga Hayes Lemmerz Indústria de Rodas, subsidiária indireta da Iochpe-Maxion) anunciaram acordo de cooperação para desenvolvimento e fabricação de novas rodas de alumínio e fibra de carbono híbridas inovadoras no mercado. A companhia, no entanto, disse desconhecer, em comunicado enviado à CVM no dia 23, o motivo recente da alta dos papéis e sua forte movimentação financeira.    

Souza Cruz (CRUZ3, R$ 24,35, 0,0%)
A Souza Cruz fixou novo preço da OPA (Oferta Pública de Aquisição) em R$ 26,12 por ação, em função do juros sobre capital próprio aprovado ontem pelo conselho de administração. O valor anterior era de R$ 26,13. A análise do edital e registro da oferta feita pela British American Tobacco (BAT) encontram-se em andamento na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).  

Saraiva (SLED4, R$ 6,30, +2,44%)
As ações da Saraiva subiram nesta terça-feira, seguindo a disparada de quinta-feira depois da companhia comunicou a venda de todas as cotas da Saraiva Educação para a Editora Ática, subsidiada da Abril Educação (ABRE3, R$ 12,58, -0,08%). No dia do anúncio, as ações da Saraiva dispararam 29%, mas recuaram 7% na segunda para seguir pelos três pregões seguidos em alta. 

Via Varejo (VVAR11, R$ 12,19, -3,79%)
As ações da Via Varejo seguem seu inferno astral na Bolsa e voltam a cair forte hoje depois de um respiro na véspera. No mês, os papéis recuam 23%. Ontem, foi noticiado pelo Valor que a companhia, dona da Casas Bahia e Ponto Frio, cortou 3 mil vagas entre maio e junho. Nos últimos relatórios, analistas já vinham alertando para um cenário de vendas pior do que o esperado no ano.

O JPMorgan, um dos últimos bancos a rebaixar a empresa, comentou que os consumidores têm sido mais avessos a se endividar, mesmo no curto prazo, dado a perspectiva negativa para a economia e o menor nível histórico de confiança do consumidor, em vista de desempregos crescentes, e, por conta disso, estimava uma queda de 3% em 2015, na comparação com o ano passado, nas vendas da empresa. No começo de junho, o banco cortou a recomendação dos papéis de overweight (desempenho acima da média) para neutra, passando o preço-alvo de R$ 23,00 para R$ 19,00 por ação.

Veja mais em: O que ocorre com a dona da Casas Bahia? Crise provoca demissões e queda das ações

 

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